09 de julho de 2026
Geral

Lei de Inovação prevê Fundo Municipal

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 4 min

Bruno Freitas
Sebastião Gândara Vieira, Tatiana Rodrigues, Ekaterina Barcellos, Isabel Miziara, Ana Carla Cacere, Aline Fogolin, Maurício Ruiz, Tiago Napolitano Amor e Wilson Nishimura, no Café com Política, do JC

Discutido em audiência pública no último dia 7, o texto da Lei de Inovação prevê a criação do Fundo Municipal de Recursos para fomentar as ideias deste segmento, em Bauru. O projeto está em fase de elaboração e será submetido à apreciação da Câmara de Vereadores dentro de, no máximo, 30 dias.

É o que garante a titular da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Renda (Sedecon), Aline Fogolin, em visita ao Café com Política, do JC, juntamente com demais envolvidos na discussão. Segundo ela, após a audiência pública, a população teve a chance de sugerir alterações no texto da lei.

Porém, a maioria das propostas esbarrou em outras legislações. "Muitos sugeriram que o município reduzisse a alíquota do ISS, mas a prefeitura já cobra a menor taxa permitida", exemplifica o presidente da Comissão de Direito Digital da Subseção da OAB, em Bauru, Maurício Ruiz, responsável pela redação do texto.

Agora, Ruiz deverá analisar todas as propostas e consolidar o projeto para, em seguida, encaminhá-lo ao Legislativo. "Não estamos voltados apenas à alta tecnologia. Inovação consiste em desenvolver ideias para solucionar problemas. O soro caseiro é o melhor exemplo de inovação", reforça Aline Fogolin.

"Inclusive, o texto prevê a criação do Fundo Municipal de Recursos, mantido pela iniciativa privada, pelas agências de fomento, bem como pelos governos estadual e federal. Até dinheiro internacional pode entrar, afinal, tem muita gente interessada em investir em inovação", complementa Ruiz.

Tanto que 75% dos investimentos dos fundos mundiais estão relacionados a projetos voltados à tecnologia, conforme informa o diretor da Associação de Empresas de Serviços de Tecnologia da Informação (Asserti), em Bauru, Tiago José Napolitano Amor.

A criação do fundo, associada às ações que não dependam da política, trará segurança jurídica aos investidores. "É isso o que pretendemos fazer: proteger todo e qualquer projeto de inovação, independente da mudança ou não do governo", acrescenta Maurício Ruiz.

HISTÓRICO

Douglas Reis
Sebastião Gândara, Ekaterina Barcellos, Tatiana Rosária Rodrigues, Susy Ribeiro Amantini,  Maurício Ruiz, Wilson Nishimura, Aline Fogolin, Tiago José Napolitano Amor, Ana Carla Cacere e Isabel Miziara

No ano passado, a nova gestão da Sedecon entendeu que o município precisava conectar as ações relativas à inovação, ciência e tecnologia. Na ocasião, começou a discutir o tema, com representantes de diversas instituições de Ensino Superior e do Sistema S, como Senai, Sesi e Sebrae.

Chegou-se à conclusão de que o segmento só poderia receber incentivos estaduais e federais, caso o município conseguisse a aprovação da Lei Municipal de Inovação. Então, a pasta criou a Comissão Provisória de Tecnologia e Inovação e começou a elaborar o texto. "Em dezembro do ano anterior, fizemos uma divulgação pedindo a participação de todas as instituições de Ensino Superior nesta comissão. Inclusive, aproveito para reforçar o convite, já que nem todas estão no grupo", afirma a titular da Sedecon.

Esta é a primeira vez em que a pasta consegue reunir a educação de Ensino Superior, o Sistema S e o poder público municipal. "Para chegar ao texto da Lei de Inovação, estudamos o potencial da cidade, o que ela tem a oferecer. Depois disso, veio a criação da Asserti. Em seguida, do Centro de Inovação da Unesp, em parceria com o município", revela Aline Fogolin.

Oficialmente, a comissão é composta por aproximadamente 20 membros, que são submetidos a capacitações periódicas, a cada 60 dias.

O grupo desenvolve, ainda, um projeto de educação, que será apresentado no dia 5 de julho, na Fatec. O intuito é ver como os jovens enxergam Bauru na área de inovação e tecnologia, afinal, falta mão de obra qualificada neste setor.

Em busca de democratizar o conhecimento e de agregar as boas práticas

Segundo o diretor do Sebrae, em Bauru, Wilson Nishimura, a inovação já acontece no município, mas fica "escondida" dentro das instituições de Ensino Superior. "A Lei de Inovação também vem para agregar todas as boas práticas que já estão a pleno vapor na cidade, democratizando o conhecimento", defende.

Mas ainda falta fomento. De acordo com o diretor da Asserti, em Bauru, Tiago José Napolitano Amor, só a área de TI representa 7% do PIB nacional e cresceu até 10% nos últimos seis anos. No Brasil inteiro, há 50 mil vagas de trabalho em aberto.

Só na região de Bauru, há 14 cursos dedicados ao segmento, mas 60% dos formados vão embora para outros polos, como Campinas, SP e Florianópolis. "Nós precisamos mantê-los por perto", constata.

Coordenadora do curso de Design da FIB, Susy Ribeiro Amantini também é pesquisadora da USP e possui três patentes, mas só as usa para produção intelectual. "Ou seja, elas não geraram produto e renda. Eu desenvolvi uma maca multifuncional para crianças de zero a cinco anos e o projeto está parado. Não há fomento ou sintonização com a iniciativa privada. O objetivo da lei é mudar este cenário".

EVENTOS

Ainda visando a democratização do conhecimento, a Comissão Provisória de Ciência e Tecnologia trará o 1.º Bauru Inovation Day, provavelmente, no final do mês de agosto, em local a ser definido. O evento discutirá seis painéis temáticos, com exemplos bem-sucedidos de empresas locais.

O Sebrae, em Bauru, também organizou uma iniciativa do tipo. Na última quinta, ocorreu o Startup Day.