09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

"Quem é que está vivo?"

Agostinho Rodrigues Júnior - Vulgo Presença! - Bauruense nato - 55 anos
| Tempo de leitura: 4 min

Introdução - Minha filha Aline, despropositadamente, me faz a seguinte pergunta:

- Pai, o que você poderia me falar sobre o Lázaro, da Bíblia?

- Sei que Lázaro e suas duas irmãs, Martha e Maria, eram amigos de Jesus.

- Após alguns dias dele ter morrido, chegou Jesus. Tendo ido até o tumulo, lamentou a sua morte, chorou e disse: Lázaro, venha para fora. E assim, ele o fez. Retornando a vida novamente.

- Filha, posso fazer uma dinâmica sobre esse assunto, pois há algo que é bem notório e que podemos fazer até um paralelo ao tema, isto é, uma pergunta: - Quem é que de fato se encontra vivo?

Narrativa - Novamente peço licença a você que está lendo esse pensamento, pois o que estamos vivenciado são realizações que não nos dão nenhum tipo de satisfação e motivação para continuarmos sendo um povo dócil, amigo e solidário. O brasileiro é um povo encantador!

A morte é uma realidade. Não há como não tê-la comigo dia após dia. E como é que poderemos nos considerar vivos com esses noticiários catastróficos, mais parecidos a narrativas futebolísticas do nosso dia a dia, melosos e todos confeitados,...?

Ora, mas o que é a morte? É um selo, uma marca, o qual se manifesta de maneira mais e mais presente nas vidas dos seres humanos. Se falarmos de povos, todos terão suas realidades e desenvolturas sobre ela. Nós, os brasileiros, carregamos por anos imagens vivas sobre a morte.

E se pararmos para pensar, veremos que desde os nossos primeiros passos a morte está ali, sempre presente. Por exemplo:

a) Os negros [nossos verdadeiros heróis] podem nos dizer muito em séculos sobre as mortes;

b) Os prisioneiros, ladrões de galinhas que estão [dizem que são centros de detenções, mas não são...] apodrecendo nos campos de concentrações das mortes;

c) As mulheres pejorativamente chamadas de "mulheres de vida fácil". Quem conhece a vida de uma delas para então nos dizer e ou mesmo imaginarmos o estado de morte que vivem. A morte é o seu calçado!;

d) Os brasileiros sem cor, sexo e religião que detêm debilitações físicas, que necessitam de atendimento e acompanhamento médico, hospitalar,... Sabem eles algo sobre a morte? A morte é a música que toca em seus ouvidos rotineiramente;

e) As crianças na cidade "maravilhosa", dia após dia são "acordadas" [como se fosse possível a elas dormirem, descansarem, repousarem...] com o som das artilharias vindo de ambos os lados.

Que amargo! Que lástima! Um verdadeiro estado de morte. E por aí afora,...

Sobre os rincões desse "Brasil Varonil", dar-se-ia para traçar uma sequência diversificada e bem variada das condições e estados de mortes.

No México, a morte é festejada. No entanto, há culturas que sequer fazem comentários sobre ela, passam dias e até meses em luto, tamanha é a dor que sentem ao perderem um ente querido. No entanto, nós, brasileiros, dia após dia, sendo "domesticados" em acostumar e a conviver com esse estado de morbidez, como essa realidade realmente mortal. Precisamos acordar do estado de zumbis.

Lázaro teve a felicidade de ter alguém do lado de fora do túmulo, para interceder a seu favor. Suas irmãs Martha e Maria pediram para chamar Jesus.

Jesus, em frente ao tumulo de Lázaro, chora e em seguida pede para que Lázaro sai. Ele obedece e sai. E, assim, é colocando novamente ao estado de satisfação que ele desejava, em vida!

Precisamos ainda que minimamente dizermos uns aos outros que Lázaro [povo] pode ressuscitar, basta que nos unamos e coloquemos de lado "valores" destrutivos e enganosos, como: Arrogância, Prepotência, Vaidade excessiva, Soberba, Indiferença com o próximo, Machismo, Avareza, Torpeza... dentre outros. Pois só assim conseguiremos ouvir o som de vida. Conseguiremos é expressão de futuro, mas o presente é agir.

Ouvi um amigo dia desses me dizer que não consegue ler nada. Decifrei suas palavras como um estado de morte. Se você conseguir ler essas palavras e entenda-las, significa para mim que você está vivo. Vivamos o hoje agora, avancemos com nossos sonhos, inspirando outros a lerem e a compartilhares suas intenções benéficas e coletivas. A morte nós a conhecemos muito bem, está assoviando em nossos ouvidos dia a dia. A vida não quer associar, a vida quer se impregnar em cada um de nós, basta crermos. Comecemos com a limpeza em nossos celulares... A vida nos chama, a vida nos foi dada, então vamos vive-la!

Entrementes, somente poderá agir e fazer isso os que "ainda" encontram-se vivos e respirando.

Quem é que está vivo?