O sonho do hexa se mantém firme. Sóbrio na defesa, eficiente no meio-campo e com Neymar decisivo no ataque, o Brasil bateu o México por 2 a 0, gols do camisa 10 e de Roberto Firmino, ontem, em Samara, e avançou às quartas de final da Copa do Mundo. A vitória brasileira foi construída com um futebol bem jogado na segunda etapa e com Neymar em grande jornada. O craque brasileiro, o jogador de quem mais se espera, voltou a fazer uma grande partida. De novo, ele foi caçado em campo, mas desta vez resolveu responder com a bola no pé. Foi dele o primeiro gol e foi dele a assistência para o segundo. Agora, contra a Bélgica, o Brasil voltará a campo na próxima sexta-feira, às 15h (de Brasília), em Kazan, pelas quartas de final.
Mas a vitória conquistada sem maiores contestações também foi sofrida. Debaixo de muito calor, o Brasil teve dificuldades para se impor diante do México no início. Isso porque o time comandado por Juan Carlos Osorio surpreendeu com uma intensidade de jogo acima do que se esperava. Os mexicanos passaram a maior parte dos primeiros 20 minutos no campo ofensivo, empurrando as linhas de defesa do Brasil. A jogada preferida do time era com Vela pelo lado esquerdo, o que exigiu muito de Fagner, que começou o jogo mal. Do outro lado, Filipe Luís cuidava dos avanços de Lozano, enquanto Chicharito Hernández era marcado pela dupla de zaga brasileira.
Tamanha presença ofensiva, contudo, não representou chances claras de gol ao México. A defesa do Brasil mais uma vez esteve segura, muito pela liderança de Thiago Silva, pela eficiência discreta de Miranda e pela proteção do implacável volante Casemiro, que, aliás, levou seu segundo cartão amarelo e é desfalque no próximo jogo. Além de impecável na marcação e no desarme, o Thiago Silva, capitão do Brasil em Samara, orientou o posicionamento dos jogadores de defesa e, eventualmente, ainda foi para a área adversária tentar o gol em bolas paradas.
O Brasil começou a respirar em campo na metade final do primeiro tempo. E aí, teve mais chances de abrir o marcador do que o adversário que até então ficara martelando. Neymar obrigou Ochoa a boa defesa aos 24, Coutinho chutou com perigo aos 26 e Gabriel Jesus teve sua chance aos 32.
O futebol que o Brasil não conseguiu desenvolver na primeira etapa surgiu logo nos primeiros toques de bola na segunda. Teve, para isso, a participação decisiva de seus principais jogadores de frente. Willian, que vinha tendo atuações irregulares até então, foi o "foguetinho" que Tite tanto enaltece. Coutinho foi o articulador. E Neymar foi o que se espera dele: o diferencial
Partiu do camisa 10 brasileiro - que acabaria sendo escolhido o craque da partida - o início e o fim da jogada que culminou no primeiro gol brasileiro. Aos seis minutos, ele deu passe de calcanhar para Willian na entrada da área, correu para a pequena e recebeu de volta, após Willian furar a marcação mexicana, para vencer o excelente goleiro Ochoa. E, aos 43, foi acionado pelo lado esquerdo por Fernandinho e tentou tocar rasteiro no canto esquerdo de Ochoa, que ainda encostou com os pés nas bola, mas ela sobrou para Firmino, que acabara de entrar, tocar para o gol vazio, fazer 2 a 0 e sacramentar a classificação brasileira.