| Tatyana Makeyeva/Reuters |
| O goleiro Igor Akinfeev, herói na classificação sobre a Espanha e um dos líderes da seleção russa |
Nem o mais otimista dos torcedores russos acreditava que a seleção de seu país pudesse alcançar às quartas de final do Mundial. Desacreditados dentro e fora de casa, os anfitriões superaram qualquer expectativa. Mostraram seu potencial logo na abertura do torneiro, no dia 14 de junho, com a goleada de 5 a 0 sobre a Arábia Saudita.
A boa fase se confirmou com a vitória de 3 a 1 contra o Egito, e foi frustrada apenas na última rodada da fase de grupos, ao perder de 3 a 0 para o Uruguai. A classificação às oitavas já era o suficiente para restabelecer a confiança dos torcedores. Mas a equipe foi além. Conseguiu segurar a pressão da Espanha em 1 a 1 no período normal e nos acréscimos durante as oitavas. Em disputa de pênaltis, foi superior e garantiu a passagem inédita às quartas de final.
Os donos da casa enfrentam a Croácia neste sábado, às 15h (de Brasília), no Estádio Olímpico Fisht, em Sochi, em partida das semifinais da Copa.
HERÓI
E um dos heróis da campanha russa na Copa é o goleiro Igor Akinfeev, após ser eleito o melhor em campo contra a Espanha, pegando dois pênaltis na classificação para as quartas de final. O atleta é conhecido pela discrição. Pelo seu clube, o CSKA Moscou, praticamente nunca fala após os jogos. Nem sequer se dá ao trabalho de passar pela zona mista. É esta frieza que talvez seja a maior fortaleza do experiente goleiro, que pôde superar falhas e seguir como o capitão da seleção de seu país.
Em 2014, levou um frango na primeira rodada da Copa em empate em 1 a 1 com a Coreia do Sul. Voltou para casa dois jogos depois criticado e como vilão da eliminação na primeira fase. No ano passado uma nova falha em derrota para o México por 2 a 1 custou a vaga na semifinal da Copa das Confederações.
Mais uma vez uma chuva de críticas e a pergunta se ele deveria seguir como titular da equipe, posto que ocupa desde 2005 praticamente de forma ininterrupta, com exceção da Eurocopa de 2012, quando foi reserva de Malafeev.
E nesta Copa, o goleiro tem dado a resposta em campo, com boas atuações. A mais destacada, claro, contra os espanhóis, quando fez nove defesas e foi herói na disputa por pênaltis. O novo status rendeu música nos estádios e nas ruas, memes, homenagens e até posts em redes sociais de torcedores do Spartak Moscou, maior rival do CSKA na atualidade.
O goleiro só defendeu em sua carreira a equipe do Exército. Isso desde 2003. Neste período venceu seis vezes o Campeonato Russo e uma vez a Copa da Uefa, o título mais importante do clube em um time que contava também com Vágner Love e Daniel Carvalho. "É bom, bom que gritam (meu nome). Todos queríamos que o país estivesse em festa", respondeu de maneira seca o goleiro.
A frieza se deu até a comentar o feito histórico contra a Espanha, que deixou o país enlouquecido e levou milhares de pessoas às ruas. "Fizemos a festa a noite toda, mas já é história. Temos de escrever uma nova história. Agora é treino e treino", disse Akinfeev já prevendo o jogo das quartas de final contra a Croácia, neste sábado, em Sochi.
Nem mesmo o status de herói, Akinfeev quer aceitar. Sabe que a vida de goleiro muda rapidamente. Tanto que creditou à sorte os dois pênaltis defendidos. "Não treinei. Se você for ver uma das bolas pegou no meu pé", disse.