Em seu último treino em Sochi durante a Copa do Mundo, a Seleção Brasileira contou com bom desempenho do lateral-esquerdo Marcelo, que participou intensamente da atividade e se credenciou a voltar ao time no duelo de amanhã com a Bélgica, em Kazan, pelas quartas de final da Copa do Mundo da Rússia. O treinamento não contou com a presença de Paulinho na atividade realizada no estádio Slava Metreveli, ontem. O volante realizou apenas trabalhos regenerativos pelo segundo dia consecutivo, mas a assessoria de imprensa da CBF assegura que ele não preocupa.
Pelo segundo dia consecutivo, Marcelo participou normalmente das atividades com bola com jogadores reservas em ritmo forte e abriu caminho para uma possível volta ao time titular. Marcelo se lesionou diante da Sérvia, com uma lombalgia, e foi reserva diante do México. Tite avaliou que ele não tinha condições de suportar mais de 60 minutos na partida contra os mexicanos.
A bola agora fica dividida entre Marcelo e Filipe Luís, que agradou nos últimos dois jogos. Mas a tendência é que o treinador opte pelo lateral do Real Madrid como titular. A decisão deve ser anunciada na atividade de hoje, já em Kazan, palco do duelo de quartas de final.
Já Paulinho, negociado no meio de 2017 pelo Guangzhou Evergrande, da China, com o Barcelona, não teve férias antes do início da última temporada europeia. E o volante é um dos jogadores que mais têm sentido o desgaste físico durante a Copa do Mundo, a ponto de ter sido substituído por Tite em todos os quatro jogos que a Seleção já fez na Rússia.
No último deles, o triunfo de segunda-feira sobre o México por 2 a 0, em Samara, pelas oitavas de final da Copa, Paulinho deixou o campo reclamando de dores nas costas. Anteontem, assim como todos os titulares, ele apenas realizou trabalhos na academia em Sochi. Ontem, então, fez atividades regenerativas pelo segundo dia consecutivo, descendo ao campo apenas calçando tênis e acompanhado por um dos fisioterapeutas da comissão técnica.
Quem já está confirmado para participar do jogo é Douglas Costa, liberado para os trabalhos com bola a partir de anteontem. Destaque na vitória sobre Costa Rica, o ponta ficará à disposição como reserva.
Ao contrário do que aconteceu na maior parte do período em que a Seleção ficou concentrada em Sochi, a atividade de ontem foi realizada no campo principal da estrutura do estádio Slava Metreveli. Foi lá, também, onde a Seleção iniciou a sua última fase de preparação para a Copa, na Rússia, em 12 de junho. Naquela oportunidade, no entanto, a atividade contou com a presença de torcedores, no único trabalho da equipe aberta ao público em Sochi.
Já ontem, a Seleção manteve a sua rotina de atividades fechadas na Rússia. Os primeiros 15 minutos do treino foram abertos à imprensa, depois sendo fechado. E nesse período inicial, o trabalho se resumiu ao aquecimento dos jogadores, sem qualquer indicação sobre a formação que Tite utilizará contra a Bélgica. Porém, o jogo contra o México abriu a possibilidade do time atuar tanto no 4-1-4-1, que vinha jogando desde o início do Mundial, quanto no 4-4-2. No duelo contra o mexicanos, Tite mexeu no posicionamento do time, puxando Paulinho para mais perto de Casemiro, o primeiro volante, e abrindo Philippe Coutinho na esquerda e Willian, na direita. Neymar ficou centralizado no ataque e Gabriel Jesus foi para a esquerda. Assim, o time ficou com duas linhas de quatro jogadores e dois atacantes à frente.
Durante a atividade, a comissão técnica da Seleção também utilizou um drone para filmar a movimentação dos jogadores em campo e levantar dados para posterior orientação ao grupo, especialmente sobre posicionamento e ações a serem tomadas.
O treino de ontem foi o último da Seleção em Sochi, pois a equipe não voltará mais para a cidade após o seu compromisso pelas quartas de final da Copa. A delegação viajará hoje para Kazan, onde vai realizar um treinamento, o seu último trabalho antes de encarar a Bélgica, amanhã, em duelo que definirá um dos semifinalistas da competição na Rússia.
Willian vê evolução 'muito grande' do Brasil e exalta Hazard
Um dos destaques da Seleção na vitória sobre o México, o meia Willian espera um jogo muito difícil diante da Bélgica, mas não mais do que aqueles que o Brasil enfrentou até agora na Copa do Mundo da Rússia. O jogador do Chelsea reconhece que os belgas têm atletas muito habilidosos no setor ofensivo, como o meia Hazard, seu companheiro de clube, mas destaca que todos os adversários são complicados em um Mundial. Para ele, que vê a Seleção em crescimento no Mundial, o mais importante é o Brasil conseguir impor sua ideia de jogo na partida de amanhã, às 15h (de Brasília), em Kazan, pelas quartas de final da competição.
Ontem, logo após o último treino da Seleção em Sochi, Willian fez uma avaliação dos jogos do Brasil até aqui e afirmou que o time está num momento de crescimento. "Sem dúvida, a Seleção teve uma evolução muito grande desde o primeiro jogo, quando teve a questão do nervosismo de uma estreia. Viemos crescendo e hoje estamos muito bem, no mesmo nível das Eliminatórias. Esperamos levar isso (para o jogo) contra a Bélgica, com concentração, sem tomar gols, como aconteceu até agora", disse.
O jogador do Chelsea elogiou o adversário de amanhã. "São vários jogadores que jogam na Premier League (Campeonato Inglês), alguns comigo no Chelsea. São grandes jogadores, com muita qualidade, e o Hazard é o principal deles. Courtois é um baita goleiro. Difícil achar um ponto fraco, é um goleiro muito alto, que sai bem. Vamos procurar a melhor maneira para atacar a Bélgica", pontuou o jogador.
Sobre Hazard, Willian foi mais longe. Ele o chamou de "um dos melhores jogadores do mundo" e enalteceu o relacionamento que tem com o colega no clube. "É a primeira vez em cinco anos de Chelsea que vou jogar contra ele. É um cara que, além de baita jogador, é muito humilde. Gosto muito dele, de ter um relacionamento com ele no clube, mas é o momento de cada um defender o seu lado, e espero levar a melhor", comentou.
Sobre a partida válida pelas quartas de final, Willian considera que o Brasil terá pela frente uma seleção tão difícil como as quatro enfrentadas até aqui. "A gente já teve vários testes, vários jogos difíceis. Copa do Mundo não tem jogo fácil, todo adversário é complicado, difícil de jogar. Vai ser um jogo importante, difícil, mas, independentemente do adversário, temos que manter nossa ideia de jogo, marcar forte, buscar espaços. Isso que vamos fazer contra a Bélgica", afirmou o meia.