09 de julho de 2026
Articulistas

O 9 de Julho de hoje

Alencar Burti
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo comemora, dia 9 de julho, 86 anos da Revolução Constitucionalista de 1932, quando o Estado se rebelou contra o regime ditatorial de Getúlio Vargas. Este, afastando-se do compromisso liberal que o conduziu ao poder, passou a impor sua vontade à nação. Cerceou a liberdade dos cidadãos e impôs a SP um interventor contrário aos desejos e interesses do povo paulista para mostrar autoridade e humilhar as lideranças do estado.

Para a maioria da população, especialmente os mais jovens, o 9 de Julho é só um feriado. Mas é preciso lembrar que ele simboliza e marca o brutal esforço dos paulistas no Movimento Constitucionalista de 32, em busca de uma nova Constituição e de democracia.

Temos orgulho de contar que a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) participou deste momento histórico, já que um dos líderes do movimento foi Carlos de Souza Nazareth, presidente da ACSP na época. Mesmo jovem ele se destacou na defesa da volta à normalidade democrática.

A ACSP mostrou que as associações não só reúnem empresários na defesa de interesses comuns, mas fazem diferença para suas comunidades, seu estado e seu país. Lutaram pela redemocratização e pela autonomia de SP. Manifesto das entidades paulistas lideradas pela ACSP pediram "a restauração do regime constitucional, mediante a decretação imediata de uma nova lei eleitoral que assegurasse a moralidade e a verdade do sufrágio e consequente convocação de uma Constituinte em moldes liberais, de acordo com o sentimento público, com as tradições nacionais e com o grau de adiantamento da civilização brasileira".

Na medida em que malogravam os esforços para um entendimento com o governo federal, as associações entraram decididamente no movimento: na congregação de empresários, na arrecadação de recursos, no alistamento de voluntários, na logística. A ACSP coordenou a Campanha Ouro para o Bem de SP, que arrecadou fundos para financiar a luta. As associações viraram postos de alistamento de voluntários e centro de coleta de donativos.

Mesmo derrotado no campo de batalha, SP foi vitorioso com a instalação da Constituinte em 1934; esta, infelizmente, durou pouco. Carlos de Souza Nazareth, por ter assumido a responsabilidade pela participação da classe empresarial no movimento, foi preso, levado ao Rio de Janeiro e deportado.

O 9 de Julho de hoje precisa resgatar o legado cívico dos combatentes de 32. Mas a grande luta que os paulistas e os brasileiros travarão em 2018 não será nos campos de batalha: será no plano eleitoral, apoiando candidatos comprometidos com a democracia, a livre iniciativa, os valores morais, a austeridade fiscal, a redução do tamanho e do intervencionismo estatal e a diminuição da desigualdade.

Este apoio não pode ser só retórico, mas sim implicar em um engajamento efetivo a favor dos que, por sua história e compromisso, têm condições de levar o Brasil ao desenvolvimento que almejamos e pelo qual estamos dispostos a lutar.

O autor é presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).