Há cinco anos o Brasil se convulsionava em protestos que objetivavam abalar as estruturas do poder. Mudanças profundas em nossa política e em nossa questão social eram a tônica do movimento, que começava sua jornada contra os 0,20 centavos do aumento das passagens de ônibus, na cidade de São Paulo.
Ambicionava-se o padrão Fifa para saúde, educação, transporte, etc; desconheciam o alto grau de putrefação, corrupção e perversidade que a Federação Internacional de Futebol escondia.
Surgem neste contexto ambíguo os "blackblocs", grupo violento de caráter fascista, que tencionou a depredação e a negação de toda política.
Sem líderes e sem bandeiras claras germinava-se o ressurgimento do ódio de classes - que permeou o Brasil desde sua colonização.
Oriundos da classe media, bestializados pelas manchetes, e pelo alto grau de mobilização, esbanjavam despolitização e iníquos privilégios, não se apercebendo que se comportavam como embriões de imensuráveis retrocessos.
Contra tudo e contra todos se esvaziariam deixando como legado a intolerância, e as digitais do golpe que viria depois. Enfim, era apenas a reprodução do mais do mesmo, de nossa hipócrita "Classe Dominante", preconceituosa e segregacional.
O legado - dessas jornadas do atraso - está na crise aguda que passamos atualmente; uma crise de representatividade, em um governo desprovido de legitimidade, num fascismo ascendente, dentre outros fatores anacrônicos.
Manifestoches dos mais impudicos interesses bastardos vestiram-se de verde amarelo para pedir o impeachment de Dilma Rousseff.
Endeusaram um pato amarelo, rezaram a cartilha moralista de Eduardo Cunha, viraram todos o juiz Moro, e agora pedem a intervenção militar.
Bestializados pelo analfabetismo histórico, ganharam as ruas a despeito da perda de credibilidade da esquerda - fracionada e altiva. Ganharam força dentre o vazio e a mediocridade que permeia a política hoje.
Desprovidos, das raízes conceituais da mais nobre têmpera do caráter, são contraditórios, dispersivos, homofóbicos, racistas e elitistas.
Este é o resultado das jornadas do atraso, da aspiração a uma primavera que virou inverno, de uma juventude envelhecida pelo encanecido atraso de nossas classes dominantes, de docilmente manipuláveis da subordinação e subserviência das coisas não pátrias.
Enfim, perdemos uma grande oportunidade, e avançamos mais uma vez para o atraso.