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| Convocada pelo vereador Sandro Bussola, reunião ocorreu nesta sexta-feira com educadores e policiais, na sede da Câmara |
Se antes os "noias' chamavam atenção porque rondavam escolas, com o tempo, passaram a invadi-las durante a noite, quando usavam drogas ou até vandalizavam prédios. Atualmente, porém, a situação ficou ainda mais absurda, conforme denúncia apresentada nessa sexta-feira (13) em reunião do Legislativo. Agora, esses dependentes químicos entram em unidades de ensino municipais durante o horário de aula e intimidam alunos e professores.
| O parlamentar Sandro Bussola esteve na Emef Geraldo Arone |
O fato ocorre no Núcleo Fortunato Rocha Lima, onde teria havido até agressões contra estudantes e ameaças a docentes, segundo afirma o presidente da Câmara, Sandro Bussola (PDT), com base em relatos colhidos nas escolas. No entanto, a secretária da Educação, Isabel Miziara, diz que não houve registro oficial desse tipo de ocorrência, até o momento.
Os vereadores José Roberto Segalla (DEM) e Yasmim Nascimento (PSC) também participaram do encontro, convocado por Bussola, que, ao tomar conhecimento da gravidade da situação, esteve no bairro e constatou o imbróglio. Já a presidente da Comissão de Educação do Poder Legislativo, vereadora Chiara Ranieri (DEM), foi representada pelo assessor Thiago Roque.
Junto ao comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I), o tenente-coronel Fernando Xavier Pinto, e ao tenente Bruno Mandaliti, a reunião buscou levantar ações emergenciais para reverter o caos instaurado na Emei Myrian Apparecida de Oliveira e na Emef Geraldo Arone, onde também funciona um polo do Centro Educacional de Jovens e Adultos (Ceja).
''CENÁRIO CAÓTICO''
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| Até mesmo a janela da unidade foi arrebentada pelos vândalos |
"É uma situação que eu nunca vi na minha vida. São em torno de 800 crianças, entre 5 e 7 anos, reféns da criminalidade. A maioria dos jovens que pulam os muros das escolas é para usar drogas e vandalizar os prédios. Eles chegam a tomar banho dentro da caixa d'água e, depois, os alunos bebem essa água. É um cenário caótico", relata Bussola.
O vereador disse que o problema se arrasta por seis meses. Ele revela que alguns professores o procuraram porque temiam até pela integridade física. "Uma professora me ligou de dentro do carro, pois estava com medo de ficar na escola após uma invasão. As unidades são alvos de vandalismo e depredação a todo momento", reitera.
Bussola destaca, ainda, que os docentes e diretores pedem a intervenção imediata de órgãos de segurança. "Eles estão clamando por ajuda. ''Pelo amor de Deus, não conseguimos mais dar aula', chegaram a dizer. O comando dessas escolas não está mais nas mãos do poder público. Está nas mãos desses criminosos", preocupa-se.
QUADRA INTERDITADA
Conforme o JC noticiou várias vezes, as escolas são alvos constantes de depredação e furto, principalmente durante a noite e aos finais de semana. Ultimamente, entretanto, tem se tornado comum a invasão aos prédios por usuários de drogas também durante os dias letivos, especialmente na quadra esportiva da Geraldo Arone, interditada em função de problemas estruturais. O alambrado que deveria isolar o espaço foi danificado.
As ações envolvem adolescentes e adultos, mas relatos de diretoras dão conta de que até crianças de 9 a 10 anos, matriculadas na unidade de Ensino Fundamental, deixam de frequentar as aulas, ameaçam e agridem outros alunos dentro da escola. Há casos também de intimidação a professores.
'AÇÕES CONJUNTAS'
Secretária da Educação, Isabel Miziara disse que a situação demanda "ações conjuntas" entre secretarias municipais e Estado, através da intervenção da Polícia Militar. "O problema não está na ordem da Educação, com os alunos, mas inserido na comunidade", entende.
"É preciso a união de esforços para implementação de políticas públicas com foco na questão do pertencimento, porque quando o cidadão percebe que aquela estrutura pública serve para atendê-lo, ele passa a cuidar do patrimônio", completa.
Durante a reunião, foi aventada a hipótese de elevar a altura dos muros das unidades para evitar invasões. "Porém, seria uma ação paliativa", pondera a secretária, destacando que, em relação aos relatos de agressões contra alunos, ela ainda não teria recebido denúncia oficial. "É algo que, por ventura, pode ter ocorrido, mas não é uma situação recorrente".
Comandante da PM, o tenente-coronel Fernando Xavier Pinto também participou do encontro nesta sexta. "O que cabe à PM fazer será algo de planejamento estratégico", concluiu.
Novo encontro marcado
A avaliação das ações que podem ou não ser executadas em curto prazo ocorrerá em novo encontro, agendado para as 15h da próxima quarta-feira (dia 18), no Fortunato Rocha Lima. Além dos agentes presentes na reunião de ontem, são esperados o prefeito Clodoaldo Gazzetta e parte de seu secretariado - Administração, Educação, Cultura, Esportes, Bem-Estar Social e Planejamento. O Conselho Tutelar também será acionado.
"As principais alternativas, por ora, seriam a contratação de vigilância privada e a inclusão do serviço no convênio da atividade delegada, para que policiais possam prestar serviços nas escolas em seus horários de folga. Paralelo a isso, aumentar os eventos culturais e esportivos, para gerar um sentimento de pertencimento junto à comunidade", destaca o parlamentar Sandro Bussola.