08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Hora de voltar à realidade...

Carlos R. Ticiano
| Tempo de leitura: 3 min

O Brasil já não é mais o país do futebol, apenas do carnaval e dos políticos. Na euforia do já ganhamos, acompanhado de um chopinho gelado, um churrasco na brasa e de uma pelada no campinho, vamos exclamando: Deixa que eu chuto!... Por essas e por outras, não é de se estranhar que o brasileiro se dá ao luxo de começar o ano só depois do carnaval e de fazer meio expediente em dias de jogos da seleção.

Na política, como previsto e esperado, vão ser permitidas doações de pessoas físicas aos candidatos, nas eleições a serem realizadas este ano. Intitulada "vaquinha virtual eleitoral", o pré-candidato as eleições poderá arrecadar doações de pessoas físicas. Bastando para isso que faça um cadastro em um dos sites do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para começar a receber o valor máximo de R$ 1.064,10 por pessoa.

No futebol, pelos resultados apresentados pelas seleções que estão disputando a Copa do Mundo na Rússia, até então favoritas ao título, admito que me decepcionei com a seleção brasileira. Relembrando o "Zé da Galera", interpretado por Jô Soares, no programa Viva o Gordo, onde ele dizia ao técnico Telê Santana: "Bota ponta, Telê!"... Eu teria dito ao técnico Tite: "Dispara o foguetinho, Tite!"... Mas infelizmente o projeto do Sputnik brasileiro não decolou. E a missão de sermos hexacampeão foi para o espaço...

Na tradição, descendentes de uma família quatrocentão, relatam que antigamente as doações para políticos se resumiam apenas a mesas, cadeiras, armários, tapetes e cortinas. Que um fio de bigode valia mais do que um contrato assinado. Nos dias de hoje, você corre o risco de ser abordado na rua por um senhor de terno e gravata, pedindo-lhe uma singela doação em dinheiro. Eu disse dinheiro!... Na cultura, a população brasileira acha que herdou o paraíso. O ano mal começa e os foliões já estão preocupados com a confecção de suas fantasias. Nas avenidas, escolas de samba desfilam enredos dignos de um filme de Hollywood. Quem nesta hora está preocupado com inflação, desemprego, corrupção, transporte, segurança, educação, saúde...?

No passado, a campanha "Ouro para o bem do Brasil", idealizada pelo grupo jornalístico Diários Associados, logo após o golpe-militar de 1964, convocava a população brasileira a doar recursos, com o objetivo de ajudar o país a pagar sua dívida externa. Na ocasião, foram montados comitês com três cofres, a saber: O primeiro para receber doações em dinheiro. O segundo para receber doações em cheques. E o terceiro para receber doações em ouro, especificamente alianças de casamento. Em troca, o casal recebia uma aliança de latão, com os seguintes dizeres: "Doei ouro para o bem do Brasil". Na súmula, o árbitro de vídeo (VAR) considerou como entrada perigosa o empurrão no técnico Tite, quando este comemorava o gol de Philippe Coutinho. Que por sua vez acreditou continuar recebendo cruzamentos na área, através de Gabriel Jesus.

Que por sua vez, não agüentou invocar "Jesus" toda hora para levantar o Neymar. A Bélgica venceu o Brasil. O avião já rouxe de volta os jogadores. Por motivo de falta de teto, não houve escalas no Brasil. Por gentileza: apertem os cintos!...

O Neymar sumiu!...