09 de julho de 2026
Articulistas

Barato caro

Francisco Habermann
| Tempo de leitura: 2 min

Dizem os entendidos que futebol, além de distrair, pode gerar um 'barato' nas mentes dos torcedores fanáticos. Aqui no Brasil, como vivenciamos recentemente, até horário de trabalho é alterado diante de disputas importantes envolvendo seleção nacional. É o enganoso barato oficial que fica caro, ao final, para o torcedor e para o país. Mas deixa isso para lá, ou seja, para 2022.

Falo, aqui, de outros 'baratos''.

Chamou a atenção dos trabalhadores da saúde um detalhe estatístico recente publicado pela Organização das Nações Unidas (ONU, 2018 ). Seu relatório Mundial de Drogas - 2018 informa o aumento recorde da produção de cocaína e ópio no mundo.

Só nos Estados Unidos "ocorreram 63 mil mortes por abuso de remédios sob prescrição, em especial opióides, em 2016" (Mena, F., FolhaSPaulo, 15-07-18).

O detalhe é a constatação do crescente aumento de consumidores de drogas psicotrópicas com mais de 50 anos, algo inédito. O estudo realizado pela ONU relaciona alguns fatores, dentre os quais a "crescente busca dessas substâncias ilícitas para o alivio de dores e outros problemas", naquela faixa etária. "Esse crescimento implica em fortes mudanças do ponto de vista da saúde pública e da orientação dos médicos (... ) alertados para a questão da dependência", declara o professpr A.Guerra (ref. idem). Há, ainda, outras constatações alarmantes, como o tráfico daqueles medicamentos com produção legalizada, dentre elas o fentanil e o tramadol (ref. Ibidem).

O pior de todas as notícias decorrentes daquele relatório é a constatação do aumento alarmante do uso de substâncias, dentre elas a maconha, entre adolescentes de 15 e 16 anos, cujo dano cerebral é maior nessa idade. Está aí um ''barato' que sairá muito caro para a saúde coletiva futura.

O que têm a ver o esporte e a atividade física com tudo isso? Estudos mostram que a junção da educação e da atividade física, com prática esportiva ou não, é uma das propostas preventivas eficazes diante das mazelas assinaladas.

Reafirmo o respeito e admiração pelos esportistas de todas as modalidades, não só do futebol. Esportistas conscientes não entram na estatística acima. Sabem e praticam hábitos saudáveis sem os quais não é possível competir na arena da vida.

Atividade física orientada e a prática esportiva são salvaguardas preventivas para a saúde populacional. Que todos nós - incluídos os alegres torcedores - atentemos para esta recomendação salutar.

É um 'barato' sadio!

O autor é professor da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu. fhaber@uol.com.br