09 de julho de 2026
Geral

Focos de queimada proliferam e provocam até 'névoa de fumaça'

Tisa Moraes e Márcia Duran
| Tempo de leitura: 4 min

Índices de umidade relativa do ar extremamente baixos e o elevado número de queimadas registradas na cidade têm formado uma combinação perigosa para a saúde da população de Bauru nos últimos dias. Na última segunda-feira (16), inclusive, conforme o JCNET divulgou, até mesmo uma espécie de "névoa" se formou sobre a Zona Sul, dificultando a visibilidade no trânsito e causando desconforto para a população.

As estatísticas do Corpo de Bombeiros apontam que, com o tempo seco, a tendência é de que o mês de julho feche com um número 33% maior de ocorrências de incêndio em vegetação na zona urbana, na comparação com o registrado no mês passado. Em junho, foram 123 chamados contabilizados pela corporação, uma média de quatro queimadas a cada dia na cidade.

Samantha Ciuffa
'Névoa de fumaça' na avenida Comendador José da Silva Martha

Aliados à falta de conscientização da população - que ateia fogo em terrenos baldios e em amontoados de lixo -, a baixa umidade relativa do ar colabora para o aumento dos focos de incêndio na cidade, já que, com o mato seco, as chamas se alastram com grande facilidade.

Segundo Sidnei Rodrigues, titular da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), focos têm sido registrados até em áreas públicas, como praças. "Mesmo regando, a grama está muito seca pela falta de chuva. Às vezes, até uma bituca de cigarro é suficiente para consumir a vegetação rasteira neste período", comenta.

A estiagem já perdura por 34 dias em Bauru. Devido à falta de chuvas, a umidade relativa do ar em julho chegou a índices considerados de atenção, entre 20% e 30%. Na quinta-feira passada, o percentual caiu para 17,6%, já classificado como estado de alerta, em que há recomendações, por exemplo, para não realizar exercícios físicos ou trabalhar ao ar livre entre 10h e 16h (leia mais no quadro no começo).

E, para os próximos dias, o cenário não é animador. Segundo o Centro de Meteorologia de Bauru (IPMet), não há previsão de chuva ao menos até o final desta semana e, com isso, os valores de umidade do ar permanecerão baixos. As temperaturas devem seguir elevadas.

NUVEM

Na noite da última segunda-feira (16), o acúmulo de fumaça foi mais crítico na parte baixa da avenida Comendador da Silva Martha, próximo aos trilhos da ferrovia, mas o ar também ficou esbranquiçado em outras regiões, como as avenidas Duque de Caxias e Nações Unidas e diversos bairros da cidade.

A explicação vem dos próprios moradores da Zona Sul, mais acostumados com a "névoa". Como a Comendador é uma área de baixada, a fumaça vinda dos focos de incêndio da tarde se acumula naquela região. Durante a noite, costuma esfriar e a fumaça fica "presa" no local. Ela não dissipa em função da maior umidade do ar no fundo de vale, o que provoca o falso "nevoeiro".

O Corpo de Bombeiros pede para que as pessoas não coloquem fogo em terrenos baldios e em vegetações, o que pode provocar problemas respiratórios na população e até mesmo impedir a visibilidade no trânsito de veículos.

102 donos de terrenos receberam advertências

Samantha Ciuffa
Secretário Sidnei Rodrigues explica como a legislação funciona

Em 2018, a Semma enviou advertências a 102 proprietários de terrenos onde ocorreram queimadas na área urbana de Bauru. Segundo o secretário Sidnei Rodrigues, mesmo quando o incêndio é provocado por terceiros, é o dono da área a pessoa responsabilizada pelo dano ambiental.

A medida se baseia em decreto municipal de 2016, que prevê a possibilidade de autuação assim que a infração for constatada. Porém, devido ao elevado volume de recursos e multas revertidas em razão de uma brecha existente na lei, a partir de 2018 a advertência passou a ser adotada como procedimento inicial, com aplicação de multa somente em caso de reincidência.

Por isso, neste ano, foram apenas dois autos de infração confeccionados. Os valores variam de R$ 1,5 mil a R$ 27 mil, dependendo do tamanho do terreno. "Além de gerar fumaça e prejudicar a saúde da população, as queimadas preocupam porque ajudam a expulsar animais peçonhentos dos terrenos, como escorpiões, baratas e ratos, que podem invadir casas vizinhas", observa o secretário.

Ele explica que, como a Semma possui um número reduzido de fiscais, as advertências ou possíveis autuações são feitas, normalmente, após comunicação do Corpo de Bombeiros, que atua em parceria com a prefeitura.

Até para agilizar o combate às chamas, a população deve comunicar a existência de queimadas primeiramente à corporação, mas denúncias também podem ser formalizadas à Semma pelo telefone (14) 3239-2766, e-mail meioambiente@bauru.sp.br ou WhatsApp (14) 99105-3428. Nestes dois últimos canais, pede-se para que sejam encaminhadas fotos, sempre que possível.