O Centrão, monstro abjeto que ocupa as ruínas democráticas de Brasília, decidiu por seu candidato: Geraldo Alckmin, do PSDB. Descartou a esquizofrenia popularesca e autodestrutiva de Bolsonaro e preferiu não apostar em figuras como Ciro ou Marina. Foi na segurança, na amizade já construída em oito anos de governo FHC, privatizações e alianças das mais espúrias.
O Centrão sabe bem o que quer: um candidato que os privilegie, que possa converter apoio em apoios: um favorzinho aqui, uma terrinha ali, um processinho encerrado aqui, outro acolá. É a política da boa vizinhança, que só um Santo (como Alckmin-do-pau-oco) é capaz de fazer.
O Centrão apoiou o PT enquanto pôde. Era meio avesso às suas ideias, mas enquanto a fonte não secou, estava tudo ok. No governo Dilma escassearam as reuniões, os favores, o tapinha nas costas. E, por conta dessa inabilidade da política mais rasteira, a mesma foi catapultada.
O Centrão tem agora o seu próprio presidente. Mas Ele não curte o protagonismo: prefere ficar ali, às escondidas, dilapidando toda e qualquer conquista que não seja a dele próprio. O Centrão pode ter até algumas caras, mas o que vale mais é a sua massa, uniforme e onipresente. Muito mais que as conquistas, os barões da bala, da reza e da terra estão ali (representados pelas bancadas da bala, da bíblia e das grandes propriedades) para que todos os seus direitos possam continuar garantidos.
E as eleições virão, e a pressão midiática será muito forte (e favorável) para o candidato que eles estiverem apoiando. Caso ainda aconteça a "fatalidade" de algum outro candidato vencer (que não o deles) que rezem a cartilha deles. Caso contrário, já sabem: é pressão popular, impeachment ou outra atitude que os favoreça.
O Centrão, diferente do gigante, não adormeceu.
E jamais adormecerá.