08 de julho de 2026
Geral

Antenados e menos rígidos, avós transformam relação com os netos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Divulgação
Acima, a terapeuta de família Renata Machado: maior troca; Lúcia Zane (abaixo) é avó "coração mole", mas última palavra é sempre da sua filha, mãe da neta de 11 anos

Aquela figura da senhora sentada na cadeira de balanço, fazendo crochê ou do senhor fumando seu charuto na varanda ou varrendo a frente da casa já não faz mais parte da realidade da maioria dos avós dos tempos atuais. Com a terceira idade cada vez mais ativa, os idosos - que, muitas vezes, se transformam em "segundos pais" dos filhos dos seus filhos - desenvolvem, hoje em dia, uma relação cada vez mais dinâmica com seus netos.

Arquivo Pessoal
Lúcia Zane

Hoje é o Dia Nacional dos Avós. É claro que o afeto entre eles e os netos esteve presente desde sempre. Mas, como boa parte dos vovôs passaram a ter agenda própria, que inclui atividades físicas, culturais e sociais, a disponibilidade de tempo para dedicar à família já não é mais a mesma.

Por outro lado, sempre que o convívio se torna possível, o preparo das tradicionais guloseimas no fim da tarde, a contação de histórias e as cantigas se somam a novas atividades, incluindo as ligadas à tecnologia, que os mais novos ensinam aos mais velhos, como usar os recursos do celular, dos aplicativos de mensagens e das redes sociais.

"É claro que estamos falando de uma tendência e de uma realidade mais próxima de nós, do Estado de São Paulo. Mas as pessoas estão envelhecendo mais tarde e de maneira diferente. Os idosos se tornaram menos rígidos, com a cabeça mais aberta ao mundo e passaram a ter uma vida mais interessante, de constante aprendizado. Com isso, a configuração da troca que eles estabelecem com as novas gerações mudou", comenta a terapeuta de família Renata Machado.

RESPEITO

A aposentada Lúcia Zane, 68 anos, é um exemplo desta nova "modalidade" de avó. Ela, a filha Vanessa, 44 anos, e a neta Isabela, 11 anos, sempre moraram juntas. Como Vanessa trabalha como enfermeira, Lúcia assumiu alguns cuidados com Isabela e chegou a levá-la aos encontros que realiza semanalmente com suas amigas em um clube da cidade.

"Nossa relação é ótima. No ano passado, a Vanessa trabalhava das 13h às 19h e eu levava a Isabela no clube para jogar tênis. Hoje, minha filha trabalha das 7h às 13h e eu busco minha neta na escola. Depois que a mãe dela chega, vou fazer as minhas coisas", revela.

Um dos segredos para manter esta boa relação, Lúcia diz, é respeitar Vanessa em seu papel de mãe. Apesar de confessar ter "coração mole" e ceder a algumas pequenas vontades da neta, a aposentada garante que, em qualquer decisão mais importante, a mãe sempre entra em ação.

A terapeuta Renata Machado considera este o melhor modelo para as relações entre avós e netos, principalmente quando eles passam muito tempo juntos e distantes dos pais. "Avô pode cuidar, mas não é seu papel educar. É preciso haver uma negociação, com regras impostas pelos pais que os avós devem respeitar e limites à individualidade e aos anseios destes avós, que os pais precisam considerar", observa.