09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Ideal de beleza: uma ditadura dissimulada

Mariana Akemi Yamaguti, 13 anos
| Tempo de leitura: 2 min

Desde o próprio surgimento, a espécie humana busca atingir um ideal de beleza perfeito. O resultado de tal incumbência varia consoante ao tempo. Na Grécia antiga, era propagado por meio da arte um corpo masculino musculoso, magro e imponente.

Já as mulheres na década de quarenta seguiam ícones como Marilyn Monroe que salientaram curvas acentuadas e cabelos encaracolados. Na atualidade, condigno à expansão desenfreada do poder midiático, a divulgação e a cobrança da fidelidade aos modelos estéticos é cada vez maior, o que acaba gerando transtornos diversos aos indivíduos que saem desse padrão.

Um ponto importante a se evidenciar é a negligência acadêmica quanto à abordagem da temática. Tal fato pode ser ratificado pela apatia de grande parte das escolas em relação aos inúmeros casos de bullying relacionados aos padrões de beleza.

Embasado no pensamento do filósofo Immanuel Kant, "o ser humano é aquilo que a educação faz dele", é imprescindível que o viés estudantil não debata sobre a diversidade e estimule a aceitação própria.

Além disso, essas padronizações não respeitam os biotipos, o corpo humano assume por si só diversas formas distintas de acordo com fatores genéticos, biológicos e até mesmo basilares. Com a miscigenação mundial, chega a ser cruel eleger uma única forma para representar o belo.

Na busca para assemelhar-se à essa imposição "ideal", a população acaba se submetendo a dietas hipocalóricas, uso de anabolizantes e até mesmo medidas extremas como processos cirúrgicos.

A adoção de um sistema capitalista faz com que a dependência da conquista da beleza seja motivada por tudo o que nos cerca. Para a indústria do consumo, por exemplo, é mais fácil padronizar gostos, o que facilita e aumenta a produção em massa e os lucros.

É preciso, portanto, uma reflexão sobre aquilo que nos é imposto. O primeiro passo deve ser dado por cada um, se permitindo ser mais flexível consigo mesmo e abrangendo o próprio arco de beleza. Em conjunto a isso, é necessário um apoio mútuo da escola, apresentado por meio de palestras e debates abordantes do tema.

Além da responsabilidade da própria mídia, como porta-voz e influenciadora, de promover a divulgação de uma libertação da beleza.