08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Parabéns, dr. Mário!

Paulo Boccato
| Tempo de leitura: 2 min

Saúdo vivamente o advogado Mário Henrique da Luz do Prado não pela totalidade do conteúdo de seu texto aqui publicado mas ainda neste ao nos trazer a figura esquecida nestes tristes tempos de 'fake-intelectualismo' do também jurista e filósofo Étienne de La Boétie e seu Discurso sobre a Servidão Voluntária!

Bem sei que no mundo atual, em especial no Brasil, onde a alta cultura cessou quase de existir que debates assim perderam espaço mormente pelo aparelhamento burro e estúpido das universidades brasileiras, lugar este que deveria ser de ambiente livre e aberto, desprovido de cabrestos ideológicos especialmente de esquerda, mas impostos por maus professores que abdicam de bem formar alunos para em rebaixando a cátedra, emburrecê-los, obrigando-os a trafegarem apenas pela ditadura do pensamento único catequista de esquerda, onde não cabe o saudável contraditório na melhor forma do questionamento aos mestres senão o servil 'amém', caso contrário, se destoarem da manada, ousados por pensarem "per si", tomam zero e a pecha de 'reacionário!

Bem diferente do ambiente acadêmico vibrante e libertário da Universidade de Orleans que em pleno século XVI (pasmem!) estimulava a circulação livre de ideias, sem o qual a obra não impressa e não publicada de Boétie, porém, passada de mão em mão de forma manuscrita, nasceu.

É tamanha a importância do Discurso da Servidão Voluntária que esta transcendeu séculos a ponto de alguns defenderem que foi o seu autor, digamos, o 'avô' da teoria anarquista (abolição de governos e auto regência dos povos) e outros mais, vão além dizendo que Boétie foi o pai da ideia da resistência pacífica que norteou a vitoriosa estratégia de Ghandi contra a dominação do Império Britânico. 

Lamento apenas as referências no texto ao episódio do Carandiru (fora de contexto), bem como a afirmação de que nossa nação teria sido exceção às sangrentas lutas de independência, a exemplo de outras então colônias, posto que a nossa Pátria, após o grito do Ipiranga, ainda teve de lutar em armas contra a Coroa Portuguesa em terra e mar por longos mais dez anos por nossa liberdade em combates duríssimos, só tendo fim quando a Marinha de Guerra deste Brasil recém-liberto chutou sem dó e piedade a esquadra portuguesa que infernizava nossa costa perseguindo-a até a Foz do Rio Tejo!

Boétie continua sendo filosoficamente atual e relevante mesmo em um Brasil de funk e Anitas, de péssima educação, de baixa cultura e estagnação intelectual e, o principal, necessário a qualquer pessoa-indivíduo  que deseje ser de fato livre, cidadão, bem pensante, fiscalizador e saudavelmente crítico a qualquer governo que venha a existir.