09 de julho de 2026
Geral

Jovem com tumor no dedo não consegue internação mesmo com decisão judicial

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Samantha Ciuffa
"É desesperador não conseguir o tratamento adequado", diz Ákila Pereira de Freitas 

Uma jovem de 22 anos com tumor no polegar aguarda por uma internação, mesmo após ter obtido em seu favor três liminares na Justiça obrigando o Estado a concedê-la em caráter de urgência. O Departamento Regional de Saúde (DRS-6), responsável por coordenar as atividades da Secretaria de Estado da Saúde, alega que a jovem tem sido assistida desde antes da primeira intimação (leia abaixo) e que não há indicação de internação no caso dela.

O diagnóstico da neoplasia no polegar de Ákila Pereira de Freitas ocorreu um dia após ela fraturar o dedo, enquanto arrumava a cama na casa de sua mãe, em Macatuba, em 9 de julho. Atendida na unidade médica da cidade sob suspeita de luxação, ela procurou o Pronto-Socorro de Bauru no dia seguinte para melhor avaliação e obteve a confirmação de que a fratura teria sido favorecida por um tumor, que já havia tomado seu dedo.

Afastada pelo INSS, a paciente foi, então, encaminhada a um médico especialista, mas não foi possível precisar se a neoplasia seria maligna ou não. Ela pagou uma consulta particular.

No laudo, o médico considera que a garota precisa realizar procedimento médico de urgência para a retirada do tumor e tratamento.

ATÉ PEDIDO DE PRISÃO

Preocupado, o namorado dela William Tamachunas ingressou com mandado de segurança solicitando o tratamento adequado. A liminar que obriga o Estado a conceder a internação em até 48h foi deferida em 21 de julho pela 2.ª Vara da Fazenda Pública.

"Mas medida foi descumprida e, em 24 de julho, outra liminar foi deferida, prevendo a internação imediata, sob pena de o Estado pagar pelo atendimento na rede particular. Hoje (quinta-feira), nova liminar foi expedida pela mesma juíza, pedindo a internação em até 48h, mas nada aconteceu", explica o afirma o advogado Carlos Alexandre de Carvalho. "Haja vista a sequência de desobediências, solicitamos a prisão do responsável da DRS-6, com base nos artigos 330 e 301 do Código Penal, pois a Ákila está há quase um mês com o dedo quebrado e com um tumor consumindo seus ossos e que pode inclusive se espalhar", completa.

O pedido de prisão do diretor do DRS não havia sido deferido até a tarde de anteontem. "É desesperador não conseguir o tratamento adequado. Tenho perdido as noites de sono preocupada, meu dedo nem mexe mais", lamenta Ákila. Segundo o advogado, o procedimento para retirada do tumor ósseo, e que pode ser um divisor de águas por apontar se a neoplasia é maligna ou não, leva aproximadamente 40 minutos.

Sem indicação 

Em nota, o DRS-6 diz que a paciente já passou por avaliação no Hospital de Base nos dias 17 e 24 de julho e, conforme parecer médico, não há indicação de internação para o seu caso, neste momento. "Ela passará por consulta com ortopedia oncológica no Hospital Estadual, no dia 6 de agosto, para continuidade da assistência e definição da conduta terapêutica apropriada ao caso", informa o órgão. O DRS-6 alega ainda que, desde antes da primeira intimação, a jovem tem sido assistida e que o departamento está disponível para esclarecimentos.