| Samantha Ciuffa |
| "É desesperador não conseguir o tratamento adequado", diz Ákila Pereira de Freitas |
Uma jovem de 22 anos com tumor no polegar aguarda por uma internação, mesmo após ter obtido em seu favor três liminares na Justiça obrigando o Estado a concedê-la em caráter de urgência. O Departamento Regional de Saúde (DRS-6), responsável por coordenar as atividades da Secretaria de Estado da Saúde, alega que a jovem tem sido assistida desde antes da primeira intimação (leia abaixo) e que não há indicação de internação no caso dela.
O diagnóstico da neoplasia no polegar de Ákila Pereira de Freitas ocorreu um dia após ela fraturar o dedo, enquanto arrumava a cama na casa de sua mãe, em Macatuba, em 9 de julho. Atendida na unidade médica da cidade sob suspeita de luxação, ela procurou o Pronto-Socorro de Bauru no dia seguinte para melhor avaliação e obteve a confirmação de que a fratura teria sido favorecida por um tumor, que já havia tomado seu dedo.
Afastada pelo INSS, a paciente foi, então, encaminhada a um médico especialista, mas não foi possível precisar se a neoplasia seria maligna ou não. Ela pagou uma consulta particular.
No laudo, o médico considera que a garota precisa realizar procedimento médico de urgência para a retirada do tumor e tratamento.
ATÉ PEDIDO DE PRISÃO
Preocupado, o namorado dela William Tamachunas ingressou com mandado de segurança solicitando o tratamento adequado. A liminar que obriga o Estado a conceder a internação em até 48h foi deferida em 21 de julho pela 2.ª Vara da Fazenda Pública.
"Mas medida foi descumprida e, em 24 de julho, outra liminar foi deferida, prevendo a internação imediata, sob pena de o Estado pagar pelo atendimento na rede particular. Hoje (quinta-feira), nova liminar foi expedida pela mesma juíza, pedindo a internação em até 48h, mas nada aconteceu", explica o afirma o advogado Carlos Alexandre de Carvalho. "Haja vista a sequência de desobediências, solicitamos a prisão do responsável da DRS-6, com base nos artigos 330 e 301 do Código Penal, pois a Ákila está há quase um mês com o dedo quebrado e com um tumor consumindo seus ossos e que pode inclusive se espalhar", completa.
O pedido de prisão do diretor do DRS não havia sido deferido até a tarde de anteontem. "É desesperador não conseguir o tratamento adequado. Tenho perdido as noites de sono preocupada, meu dedo nem mexe mais", lamenta Ákila. Segundo o advogado, o procedimento para retirada do tumor ósseo, e que pode ser um divisor de águas por apontar se a neoplasia é maligna ou não, leva aproximadamente 40 minutos.
Sem indicação
Em nota, o DRS-6 diz que a paciente já passou por avaliação no Hospital de Base nos dias 17 e 24 de julho e, conforme parecer médico, não há indicação de internação para o seu caso, neste momento. "Ela passará por consulta com ortopedia oncológica no Hospital Estadual, no dia 6 de agosto, para continuidade da assistência e definição da conduta terapêutica apropriada ao caso", informa o órgão. O DRS-6 alega ainda que, desde antes da primeira intimação, a jovem tem sido assistida e que o departamento está disponível para esclarecimentos.