Um conceito básico de direito ensina que não se corrige uma injustiça cometendo outra. Foi com pesar que li uma notícia que, levada a termo por conta do discurso ufanista de reserva de cotas em todas as instituições, seguramente lançará ao descrédito uma renomada instituição de prestígio internacional, o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA). Por exigência do Ministério Público Federal, em 2019 o ITA terá que reservar 22% das vagas para quem se declarar negro ou pardo. Referência no setor aeroespacial, cuja excelência do ensino científico e resultados positivos dos profissionais que nele se formam fazem de seu vestibular um dos mais concorridos do país, o fato é que, se você não tem nota para ingressar na instituição, não tem capacidade para fazer parte daquele seleto time, uma elite intelectual, educacional e cultural.
Embora instituição de natureza militar, nela pode ingressar alunos de tendência política de direita ou esquerda, religiosos ou ateus, gordos ou magros, brancos ou negros, desde que o candidato apresente conhecimento muito além do satisfatório para conseguir cumprir o rigor do ensino curricular nos anos vindouros. Conheço muitos dos alunos de lá, pois meu filho cursa o 2º ano. Na grande maioria, são pessoas de origem humilde, mas que, abdicando de festas, finais de semana, feriados e baladas, dedicaram-se de um a dois anos de estudo ininterrupto para conseguir aprovação no vestibular.
Onde está a justiça em dizer para um candidato (branco) de 2019 que ele terá 22% menos vagas para aprovação ou será preterido por muitos com nota expressivamente mais baixa que a dele? E qual o mérito de um candidato (negro) ao saber que ingressou apenas porque nasceu negro, ainda que seja de bom poder aquisitivo, mas sem capacidade intelectual para juntar-se ao seleto grupo? O racismo existe a partir do momento que se violenta direitos em nome da cor, e nada é mais emblemático do que a irresponsabilidade e inconsequência da lei das cotas raciais, mais um dos mimos falaciosos do governo anterior. Criou-se um apartheid às avessas.
O mais curioso é que a mesma classe política que gosta de votar leis populistas como essa, que faz o mérito intelectual desmoronar por conta da cor da pele, não é capaz de melhorar o ensino fundamental para dar condições a todos os brasileiros de disputarem vagas de igual para igual sem jogar a culpa na injustiça pela cor da pele. Pior ainda, embora mais da metade da população brasileira se enquadre no contexto negro ou pardo, nenhuma câmara de vereadores, assembleia de deputados ou o Congresso Nacional pensa em fazer a mesma exigência de reservar cotas para a eleição de brasileiros negros onde eles seriam mais necessários: a representação popular! A contar pelo que se vê no parlamento, parece que somos uma nação europeia...