| Malavolta Jr. |
| Lagoa perdia um centímetro por dia, na semana passada |
O Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru quer iniciar, ainda neste período de estiagem, a doação de 20 mil caixas d'água para aumentar a reservação em residências da região alta abastecida pelo rio Batalha, como Jardim Ouro Verde e imediações. Trata-se da primeira etapa do projeto de lei, que será votado nesta segunda-feira, em sessão ordinária da Câmara Municipal de Bauru. No total, a proposta da autarquia compreende até 60 mil reservatórios individuais que serão adquiridos por licitação e distribuídos aos moradores que se comprometam a instalar o dispositivo.
"A doação das caixas dágua vai garantir fôlego de reservação por períodos curtos essenciais. Hoje, se o DAE para o sistema Batalha por 24 horas para recuperação de vazamento em adutora ou manutenção, não há condição desses moradores contarem com o abastecimento. Vamos aguardar o apoio da Câmara ao projeto para realizar a licitação e iniciar o programa o mais breve possível, priorizando as regiões mais altas abastecidas pelo Batalha, onde o problema é mais grave", afirma o engenheiro Eric Fabris, presidente da autarquia.
As caixas dágua serão doadas pelo DAE. A medida não altera a programação orçamentária com investimentos. "Na verdade, nós temos R$ 3,5 milhões reservados para construir um grande reservatório. Hoje você teria a relação de R$ 1,00 por litro. Vamos deslocar esse recurso para comprar as caixas. Ao invés do dispositivo ser um só, gigante, vamos deslocar para o mesmo objetivo nas residências, priorizando onde mais precisa", comenta Eric.
CONTA
O DAE vai alterar a forma de composição da fatura de consumo de água, sem modificar o valor final a ser pago pelos bauruenses. A medida atende à manifestação da Comissão de Justiça da Câmara no projeto de lei que trata da mudança de destinação de percentuais de arrecadação ao Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE). O parecer apontando a ilegalidade no projeto original, com a proposta de modificação considerada regular, foi apresentado pelo vereador José Roberto Martins Segalla (DEM).
O DAE solicitou, por meio do prefeito Clodoaldo Gazzetta, que dos 40% hoje carimbados ao FTE, 35% dos recursos fossem para financiar o Plano de Combate à Estiagem e os 5% restantes fossem mantidos no fundo. No parecer, a alteração é apontada como ilegal por se tratar de recurso carimbado, com finalidade específica de uso em tratamento de esgoto e não em abastecimento.
O prefeito decidiu acatar a sugestão de recompor a distribuição dos percentuais na conta do DAE, sem mexer no valor final pago pelo consumidor. A composição do cálculo da tarifa de esgoto será alterada, por lei, de 100% da tarifa de esgoto para 65%. Para compor a diferença sem aumentar o valor final, a fórmula adotada será aplicar 21,22% de reajuste sobre a conta de água.
Isso será feito por decreto, após o substitutivo ao projeto de lei com o ajuste do percentual de esgoto passar pela Câmara. "O valor final da conta para o consumidor é a mesma. Não é aumento de cobrança, é recomposição de percentual e aplicação de reajuste para tornar o valor final igual ao que se paga hoje. Isso para garantir a legalidade do sistema de cobrança", esclarece Fabris.
O DAE vai aplicar os recursos remanejados em instalação de adutoras para interligação do sistema para acrescer ao sistema Batalha capacidade de 155 litros por segundo de recebimento de água de outras regiões da cidade. O Plano de Estiagem contém outras etapas.
Hoje, o sistema Batalha capta 550 litros por segundo da única lagoa, para abastecer 35% da cidade.
Nível do Batalha volta aos 3 metros
O nível do reservatório de captação do rio Batalha voltou aos 3 metros anteontem, após manter uma sequência de queda de 1 centímetro por dia. O abastecimento depende da estabilização desse nível na lagoa.
Apesar disso, o estado continua de alerta e de risco de racionamento de água em razão da longa estiagem, desde abril deste ano.
Em abril choveu 15 milímetros, contra 75 mm do ano passado. Em maio, apenas 10 mm contra 75 mm no mesmo período anterior; em junho foram 15 contra 44 mm e, em julho, o índice pluviométrico foi ainda pior: 4,6 mm contra 45 mm no mesmo mês em 2017. Só anteontem, choveu 68.072 mm, já o maior índice para agosto desde 2009. Tanto que, apenas na sexta feira, a precipitação registrada foi maior do que a dos últimos quatro meses juntos.