09 de julho de 2026
Política

Lisete cita Educação como prioridade

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 6 min

Malavolta Jr.
No Café com Política do JC (da esq. para dir.): Lisete Arelaro, Sílvia Ferraro e Roque Ferreira

O PSOL considera a Educação o ponto central na campanha eleitoral deste ano e proposta de governo ao Brasil e ao Estado de São Paulo. Nessa terça-feira (14), a candidata a governadora Lisete Arelaro e a candidata a senadora Sílvia Ferraro estiveram em Bauru e visitaram o Espaço Café com Política, concedendo entrevista ao JC e à 96 FM. Elas participaram, ainda, de uma conversa com estudantes da Unesp e de uma palestra na sede do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), com a presença de apoiadores.

As candidatas destacam que a chapa majoritária no Estado é formada por educadores. Além de Lisete, que é docente da Universidade de São Paulo (USP), seu vice Maurício Costa também é professor, bem como os postulantes a senadores Sílvia Ferraro e Daniel Cara. O partido conta, na disputa nacional, com o candidato a presidente Guilherme Boulos, líder do MTST, e, na região, tem dois candidatos a deputado federal, Roque Ferreira e Jupira Terena. A sigla optou em não lançar candidatos a deputado estadual de Bauru neste ano. Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista de Lisete Arelaro ao JC.

EDUCAÇÃO

"A Educação é nossa bandeira prioritária, mas não a única. O que acontece no Brasil é que os investimentos em Saúde, Educação e Segurança estão congelados por 20 anos, por medida do presidente Michel Temer, a Emenda 95. Nenhum País foi irresponsável a esse ponto. Aqui, no Estado de São Paulo, no Orçamento de 2018, o então governador Geraldo Alckmin direcionou 25% dos recursos para a Educação, sendo que a Constituição determina 30%. É dessa forma que a Educação está sendo tratada no País e no Estado, que está há mais de 20 anos sob o comando do mesmo grupo, ligado ao PSDB, período em que se formaram duas gerações. O investimento em Educação em São Paulo é, proporcionalmente, menor do que o do Piauí. E a valorização passa diretamente em dar um salário maior aos professores da rede estadual."

DOCENTES

"O governo do PSDB em São Paulo só não fechou escolas porque os jovens se mobilizaram. Mas, fechou salas de aula e as que ficaram estão lotadas, com mais alunos, o que, pedagogicamente, já está comprovado que reduz a qualidade do ensino e ajuda a aumentar a evasão escolar. Isso faz com que o professor tenha mais dificuldade para acompanhar cada aluno, e gera um desinteresse maior dos estudantes em sala de aula. Faltam professores. Tem escola sem professores em disciplinas como física, química, e, nas universidades, já sobram vagas em cursos de licenciatura, ou seja, poucos jovens querem dar aula. Essa situação tem relação com o baixo salário oferecido aos docentes, que é, em média, menor do que o de qualquer outra área, quando oferecido em concurso público. E de onde virão os recursos para aumentar os salários e contratar mais professores? Da revisão da desoneração que o Estado dá a grandes empresas, já estimada em R$ 23 bilhões no ano que vem. O governo precisa dar incentivo a pequenas empresas, autônomos e cooperativas, mas não desonerar as grandes empresas de impostos e tributos em geral."

UNIVERSIDADES

"O governo estadual destina 9,57% do ICMS para as três universidades públicas, que são a USP, Unesp e Unicamp, e ainda o Centro Paula Souza, com a Fatec e Etec. Foi pedido o aumento desse valor para 11,5% do Orçamento, mas a Assembleia Legislativa não é a favor, por ir contra o governo. O PSDB teve a maioria dos deputados, e o Legislativo virou um 'puxadinho' do Executivo. Se eu for eleita, já discutiremos em fevereiro o aumento para 11,5%, pois é a única forma de manter com qualidade as universidades, com investimentos. Em alguns locais, já se fala em fechamento de cursos, especialmente de Ciências Humanas, algo que não pode ocorrer. E vamos recuperar o potencial de investimento da Fapesp, que recebe 1% do ICMS, mas sofreu cortes nos últimos anos."

SAÚDE

"Hoje, 78% do Orçamento da Saúde de São Paulo está nas mãos de ONGs, Oscips e OS. Os últimos governadores foram terceirizando a Saúde, que é um direito de todos. E o pior: a fiscalização dessas entidades não acontece como deveria. Nesses 20 anos, o PSDB privatizou e terceirizou o que conseguiu, não só na Saúde. E nada acontece porque eles têm o Judiciário com eles. E quem sofre é a população, com demora para ter atendimento. Um caso leve fica entre dois e oito meses para ser atendido, em média, e se torna grave. O investimento em Saúde deve ser feito em todas as cidades. Em Bauru, temos o Hospital Manoel de Abreu fechado. Um País como o nosso não pode se dar o luxo de fechar hospitais. Pelo contrário, precisa ampliar leitos e oferecer mais vagas."

Sílvia Ferraro pede a revogação de reformas

A candidata a senadora Sílvia Ferraro é professora na rede municipal de São Paulo. Ela defende, caso eleita, um plebiscito para a revogação de todas as medidas adotadas pelo governo do presidente Michel Temer (MDB), como a Reforma Trabalhista e a Emenda 95, onde o limite de gastos com Saúde, Educação e Segurança Pública foram congelados. "A gente propõe um plebiscito para que a população decida e possa, se for o caso, revogar todas as medidas do governo de Michel Temer, que é um presidente que entrou após um golpe parlamentar e sem representação popular. Os investimentos em Saúde e Educação foram limitados por 20 anos, a CLT teve alterações em mais de 100 pontos, a população é quem deve ter o poder de decisão sobre isso. É uma proposta que o PSOL defende de forma geral, com o candidato a presidente Guilherme Boulos e os candidatos a governador, senador e deputados federais e deputados estaduais", lembra.

Ela foi até a Argentina na semana passada, quando houve a votação no Senado do País vizinho sobre mudanças na legislação do aborto, que acabaram derrotadas. "Os senadores da Argentina não representam o desejo da população de lá, pois 59% dos argentinos eram a favor da descriminalização do aborto, o que não ocorreu. No Brasil o cenário é um pouco diferente. O apoio ainda é menor. O movimento está ganhando força agora. As pessoas devem entender que a descriminalização e legalização do aborto não significam o direito de matar, mas sim de preservar a vida, pois quem morre, hoje, são as mulheres pobres e negras, que abortam sem condição nenhuma. Em países onde o aborto foi descriminalizado, o número de abortos caiu em até 30%, acompanhando medidas de informação para as mulheres, uso de métodos contraceptivos", afirma.