Rodou o mundo pelo futebol
Entre idas e vindas, o professor já conta 53 anos de Noroeste; hoje, ele é técnico de um projeto que ensina futebol a crianças carentes
| Malavolta Jr. |
| A paixão pelo esporte vem desde que Mário era menino |
Aos 13 anos, Mário Afonso Giglio - hoje, com 67 - já jogava na categoria de base do Noroeste, a sua verdadeira casa. Entre idas e vindas, o professor já conta 53 anos neste time. Atualmente, ele é técnico de um projeto bauruense que ensina futebol a crianças carentes, uma iniciativa do Alvirrubro, em parceria com a Tel.
| Divulgação |
| Marinho é referência para os seus alunos; no fundo, a sua esposa, Elena da Silva Giglio |
A paixão pelo esporte vem desde que Mário era menino. Além do Norusca, o então jogador já passou pelo Botafogo, Boca Juniors, Colo-Colo, Portuguesa e Fluminense. Enquanto técnico, auxiliar ou estagiário, o meio campista atuou no Comercial, na Ponte Preta, na Portuguesa, no Fluminense, no Internacional e no Tupi.
Com um currículo impecável quando o assunto é futebol, Marinho fala sobre as experiências passadas e presentes. E apita o árbitro...
Jornal da Cidade - O senhor nasceu em Piratininga, mas chegou a Bauru ainda bebê. Como foi a sua infância?
| Fotos: Reprodução/Malavolta Jr. |
| Em 1983, Marinho treinava a categoria Sub-15 do Noroeste; neste ano, o time ficou 111 jogos sem perder |
Mário Afonso Giglio - A minha infância foi ótima. Era futebol e basquete o dia inteiro, quer dizer, quando não estava na aula, praticava esportes. Já estudei no Lourenço Filho, no Liceu Noroeste, na ITE e até fiz graduação em Teologia Pastoral, além de diversos cursos complementares de treinador de futebol.
JC - Quem apresentou o futebol ao senhor?
Mário - Descobri sozinho, de jogar na rua e na quadra do Ernesto Monte. Quando eu tinha 8 anos, um senhor chamado Goiano, ex-jogador, disse que me levaria para jogar futebol fora de Bauru, porque havia me visto praticar o esporte.
JC - Conseguiu o primeiro emprego no futebol?
| Mário jogando futebol de salão pelo time do Martha, na quadra do Corpo de Bombeiros, em Bauru, em 1968 |
Mário - O meu tio e padrinho era médico e conseguiu me encaixar como office-boy da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, quando tinha 13 anos, mas eu vivia faltando para disputar campeonatos. Saí da NOB e comecei a trabalhar no Laboratório Silva Araújo, até a minha família me colocar no conservatório para padres, em Agudos. Certa vez, o time profissional do Noroeste participou de um evento nesta cidade e o então técnico, Renaganeschi, disse que eu era bom de bola e queria que integrasse a equipe. À noite, fugi do conservatório e voltei para casa.
| Em 1971, Marinho visitou o estádio do Ferroviária, em Araraquara |
| Fotos: Divulgação |
| Marinho e Amanda seguram o troféu da Copa Bauru; no ano anterior, alunos do projeto conquistaram o 6.º lugar, em Dracena |
JC - O senhor, então, se apresentou no Noroeste?
Mário - O Noroeste fez uma peneira e eu ficava catando as bolas que saíam do campo, no Alfredão. O treinador da categoria de base do time me chamou e eu disse que jogava de 7 - na época, este era o número do Garrincha. Depois de três bolas, ele pediu para eu voltar na segunda-feira, quando o técnico do profissional, Renaganeschi, me chamou para acompanhá-lo nos treinos, enquanto assistente. Neste meio tempo, ele me ensinava a chutar a bola para o gol - eu não tinha nada de profissional, só sabia de futebol de rua.
JC - Mas o senhor não ficou só no Noroeste, não é?
Mário - Joguei até os 15 anos, momento em que assinei um contrato de gaveta com o empresário Bolão. Então, ele me levou para o campo General Severiano, do Botafogo, no Rio de Janeiro, onde encontrei grande parte da Seleção Brasileira, que também jogava no Botafogo: Manga, Brito, Garrincha, Didi, Jairzinho, Roberto e Zagallo. Simplesmente, estava diante da nata do futebol brasileiro. Logo depois, viajamos para a Argentina, com o intuito de disputar um quadrangular. Na volta, enfrentamos o Fluminense, pelo campeonato carioca. Em seguida, partimos para o Uruguai e disputamos outro quadrangular. Retornamos e pegamos o Flamengo, no Maracanã.
| Marinho segura o troféu da Copa Bauru; no ano anterior, os alunos do projeto conquistaram o 6.º lugar, em Dracena |
JC - O senhor também representou times de fora do País. Quais?
Mário - No Botafogo, eu tive uma lesão. Assim que me recuperei, o Bolão me levou para jogar no Boca Juniors, na Argentina, onde fiquei por seis meses. Depois, representei o Colo-Colo, no Chile. Decidi voltar para o Brasil e, então, passei a integrar a extinta Portuguesa, em São Paulo, ao lado de Jair Marinho e Ditão. Fizemos sucesso no Rio-São Paulo - na época, não existia Brasileirão. Aos 17 anos, senti falta de casa, larguei tudo e voltei a Bauru.
JC - O que fez quando voltou?
Mário - Comecei a jogar futebol de salão e atuei, ainda, como jogador profissional do Noroeste. Aos 18 anos, fui escalado para enfrentar o Guarani, em Campinas. Inclusive, o time pediu que eu ficasse, mas precisava me apresentar ao Tiro de Guerra. Antes de me formar, o Plauska, ex-jogador do Noroeste, me chamou para vestir a camisa do Fluminense, ao lado de Félix, Galhardo, Zé Maria e Manfrini. Nesta época, viajei bastante para a Europa e, aos 19, me cansei de novo, voltei para casa e resolvi fazer cursos complementares de treinador de futebol.
JC - Onde atuou enquanto treinador?
Mário - Primeiramente, fui técnico da categoria de base do Noroeste. Depois, atuei como auxiliar técnico do Comercial, em Ribeirão Preto, além de estagiário na Ponte Preta, no Guarani e na Portuguesa. Fui, também, treinador e coordenador do Sub-20 do Fluminense, bem como técnico da categoria de base do Internacional, auxiliar técnico do Tupi e, finalmente, retornei ao Noroeste, minha verdadeira casa. Na década de 90, fiquei afastado do futebol, porque decidi fazer faculdade de Teologia Pastoral.
JC - Mas não conseguiu ficar muito tempo longe do Noroeste, pelo visto...
Mário - No dia 7 de janeiro de 2014, cheguei ao projeto idealizado pelo Luciano Sato, aliás, tenho muito a agradecê-lo. O objetivo da iniciativa, desenvolvida graças a uma parceria entre o Noroeste e a Tel, é ensinar futebol às crianças carentes, além de inseri-las na sociedade. Atualmente, atendemos 340 alunos, entre meninos e meninas, acima de seis anos, de segunda e quarta-feira, em dois turnos: das 9h às 11h e das 15h às 17h. Você deve cercar as crianças das coisas erradas e ensiná-las com o coração, afinal, elas buscam, em mim, o que, muitas vezes, não têm em casa.
JC - Já falamos sobre o Marinho criança, jogador e treinador, mas como é o Marinho pai?
Mário - Creio que eu seja referência para toda a minha família. Gostaria de ter um tempo maior para dedicar a todos eles, mas não deixo faltar nada. Eu sou assim, faço questão de dar um pouco de mim a cada pessoa que conheço.
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PERFIL
Nome: Mário Afonso Giglio
Idade: 67 anos
Pais: Mário Giglio e Djanira Carvalho de Paula Giglio
Irmão: Nilson Giglio
Esposa: Elena da Silva Giglio, de 56 anos
Filhos: Andrea Giglio, de 42 anos, Andrett Giglio, de 32, e Alessandra Giglio, de 20
Netos: Jéssica, de 25 anos, Giovana, de 18, Ana, de 16, Hadassa, de 14, e Nathan, de 1
Bisneto: Heitor, de 4 anos
Times: Palmeiras e Noroeste
Signo: Leão
Para quem dá nota 10: À Amanda Cristina Rossi Yamamoto, o meu braço direito no projeto
Para quem dá nota 0: Para os cartolas do futebol brasileiro
Contato do projeto: (14) 98146-3655
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