Não, não se trata de texto sobre a ex-presidente. Quero, aqui, compartilhar - infelizmente - a notícia que mais me chocou durante a semana, ainda que pouco difundida: o encontro do corpo da copeira Dilma da Silva Oliveira. Estava escondido atrás do sofá da casa do acusado, Wellington Santos Borges, em Taboão da Serra. Você viu isso?
Imagens de casas vizinhas mostram o momento em que Dilma passa por rua, ainda na madrugada, a caminho do trabalho, que fica no Centro de São Paulo. Casada, mãe de cinco filhos, 45 anos, seguia essa dura rotina em nome do sustento da família. Dessa vez, contudo, estava atrasada para tomar o ônibus e sequer chegou ao ponto.
Logo atrás, nas imagens, aparece seu algoz. Outra câmera registra quando ele volta, na subida da mesma via, com ela presa nos braços para parecer se tratar de um casal. O destino da trabalhadora, às 4h30, já estava selado.
Wellington é um ex-inspetor de alunos de escola estadual. Já tem passagens por estupro, chegou a ficar preso por dois anos, mas estava livre, leve e solto. Alugou a casa sem precisar mostrar qualquer documento. O dono aceitou o bom papo de Tom, como é conhecido o acusado.
Um corpo embalado em saco plástico: quem paga essa conta? Antes que alguém grite que "esse animal tem que morrer", devo dizer que o assassino de Dilma precisa é ser estudado. O que leva uma pessoa a agir assim? À espreita de uma vítima para estuprá-la? (exames vão confirmar ou não). Roubá-la? (é o que ele alega, mas por que, então, levar para casa?).
Nessa versão masculina, Dilma resistiu ao roubo e ele usou de força para evitar um escândalo antes de o sol raiar. Que impulso irrefreável é esse? Segundo disse o delegado Christian Nimoi à Record TV, foi "um crime de oportunidade". "Ele abordaria a primeira mulher que aparecesse naquele horário".
Preocupação adicional: quantos desses violentos andam por aí disfarçados de gente sociável? Entre a prisão e o cárcere, podiam mesmo ser melhor avaliados. Ou, mesmo nas prisões, entregues a equipes multidisciplinares à procura de respostas. Será que, no futuro, comprovaremos cientificamente como identificar um assassino em potencial para antever seus passos na madrugada?
E, para não dizer que não falei da incapacidade dos governos em relação à segurança pública, deixo uma frase atribuída ao escritor britânico H.G. Wells (1866-1946): "Os crimes dão-nos a medida do fracasso de um Estado. Todos os crimes são, afinal, o crime de uma comunidade".
O autor é editor do JC.