11 de julho de 2026
Bairros

25% dos equipamentos de praças foram retirados após vandalismo

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 5 min

Fotos: Samantha Ciuffa
Augusto com o pai, Luís Augusto Bravo, no Vitória Régia

O pequeno Augusto Betâmio Soares Bravo, de 4 anos, se diverte no playground, situado na extensão do Parque Vitória Régia, em Bauru, sempre que vem ao Centrinho/USP fazer o seu tratamento médico. Só que todo o cuidado é pouco, afinal, vários brinquedos do local estão deteriorados. E o problema não é só lá: 25% de todos os equipamentos públicos instalados nas praças já precisaram ser recolhidos pelo município.

Na ponte do playground do Parque Vitória Régia, tem madeira e pregos soltos

A prefeitura confirma que, em quase todos os casos, os motivos foram atos de vandalismo.

De acordo com dados da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), dos 666 equipamentos públicos instalados nas praças da cidade, 168 já foram retirados desde o início deste ano, ou seja, um quarto destes objetos não está mais disponível para a população.

Ainda no parquinho do Vitória Régia, um dos balanços está quebrado

Mãe do pequeno Augusto - que tem fissura bilateral -, a psicóloga Camila Betâmio Soares Bravo, de 39 anos, relata que ela e o marido, o visitador veterinário Luís Augusto Bravo, de 47, vêm de Santos a Bauru frequentemente para o tratamento do menino. O parquinho é fundamental na recreação do garoto, mas os pais ficam preocupados.

"Certa vez, ficamos quatro dias seguidos hospedados em um hotel desta região e, diariamente, nós o trazíamos aos brinquedos. Contudo, tem madeira e pregos soltos perto da ponte e a solução é orientá-lo a pular ou passar longe", reforça a mãe.

Alguns equipamentos foram retirados da academia ao ar livre, situada na quadra 3 da avenida Aparecida Inês Crispin de Matos, no Gasparini

Quem também reclama da falta de manutenção dos brinquedos ao ar livre é o autônomo Paulo Eduardo Ladeira, de 43 anos. Há quatro meses, ele diz que vem avisando o município sobre o estado do balanço da Praça Palestina, no Jardim América. "Fiquei sabendo que o brinquedo caiu no momento em que uma criança o utilizava", revela.

Nessa segunda-feira (20), na Tribuna da Câmara, o vereador Miltinho Sardin (PTB) também cobrou solução para o problema desta praça.

NÚMERO ELEVADO

Titular da Semma, Sidnei Rodrigues confirma que o principal motivo da deterioração dos aparelhos das academias e brinquedos dos parquinhos é o vandalismo.

Ele próprio considera o montante de equipamentos recolhidos desde o início do ano bastante elevado. "Nós retiramos os equipamentos que estavam em péssimas condições, conforme eu mesmo levantei na época em que assumi a Defesa Civil do município. Portanto, algumas praças, como a do Parque das Nações, ficaram sem qualquer aparelho de ginástica ou brinquedo", justifica.

E o problema é recorrente. Há dois anos, o JC já havia noticiado que a maioria dos brinquedos do playground do Parque Vitória Régia estava danificado.

E AGORA?

E o pior é que este quadro preocupante não terá uma solução muito rápida. Para reverter a situação, Sidnei Rodrigues afirma que precisa de R$ 80 mil, dinheiro que, atualmente, a pasta não possui.

"Assim que acabar o período eleitoral, o objetivo é pleitear uma emenda parlamentar para restaurar todos os equipamentos danificados", antecipa.

Questionado sobre a situação de ambas as praças citadas pela reportagem, Rodrigues promete que fará a manutenção dos brinquedos ainda nesta semana, em parceria com a Secretaria Municipal de Obras, e, portanto, não os retirará dos locais.

De todos X de ninguém

Certa vez, ao questionar uma pesquisadora bastante viajada sobre qual a maior diferença entre o Brasil e os países tidos como desenvolvidos, ela foi muito direta: "A maior diferença é sobre como tratam o bem público. Lá, eles entendem que o que é público é de todos. Aqui, as pessoas entendem que o que é público não é de ninguém".

Concorde você ou não com esta máxima, os quase 170 equipamentos públicos retirados das praças de Bauru desde o início deste ano ilustram bem tal colocação. É absurdo que, em pleno século 21, atos de vandalismo, depredação e selvageria (eufemismos para ações de pura imbecilidade) "aleijem" os espaços públicos. É revoltante que idosos não possam mais usar academias ao ar livre ou que crianças sejam tolhidas de brincar em playgrounds porque criminosos primitivos destruíram o que fora ali colocado simplesmente pelo prazer de destruir.

Em vésperas de eleições, falamos muito sobre a importância de escolher bem os nossos representantes. Justo e muito importante. Após as eleições, falaremos muito sobre a importância de cobrar com rigor os nossos representantes. Justo e igualmente importante. Mas não nos esqueçamos de fazer a nossa parte.

Ser cidadão vai além de cobrar proatividade e ética dos gestores públicos. Ser cidadão é zelar, fiscalizar e conservar tudo aquilo que é público. Seja um simples balanço de um parquinho ou sejam milhões desviados da construção de um hospital qualquer.

A cidadania se faz, como parece evidente na teoria mas não tanto na prática, de cuidar daquilo que é de todos. E não de fazer com que 168 equipamentos que eram de todos passem a ser... de ninguém.

                                                                                                            VITOR OSHIRO

                                                                                                             Editor Local - JC

SERVIÇO

Para solicitar uma vistoria em qualquer praça, no sentido de identificar se os equipamentos têm condições de passar por manutenção ou devem ser, de fato, retirados, basta entrar em contato com a Semma, através do telefone (14) 3239-2766, que funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

Já para quem presenciar atos de vandalismo ou furtos, a denúncia deve ser feita para a Polícia Militar, por meio do telefone 190.