10 de julho de 2026
Geral

Contra venda de fazenda, sem-terra interditam rodovia

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

Fotos: UNC/Divulgação
Os sem-terra atearam fogo em pneus, nos dois sentidos da pista

Aproximadamente 150 famílias ocuparam a fazenda Santo Antônio, na última sexta-feira, e protestaram contra a venda da propriedade

Um grupo de sem terra interditou a rodovia Cezário José de Castilho (SP-321), a Bauru-Iacanga, em Bauru, das 8h30 às 10h dessa terça-feira (21). As famílias protestaram contra a venda da fazenda Santo Antônio, que integrava o Complexo Industrial Frigorífico Mondelli. A manifestação provocou dois quilômetros de congestionamento, em cada direção da rodovia.

De acordo com a líder da Frente Revolucionária Mulheres de Luta (FRML), vinculada à União Nacional Camponesa (UNC), Valéria Cristina da Silva, os sem-terra esperavam que o Incra arrematasse a propriedade.

Entretanto, a fazenda foi adquirida por uma pessoa física de Limeira, no Interior de São Paulo, por quase R$ 33 milhões. O valor arrecadado será destinado ao pagamento de dívidas referentes a processos trabalhistas movidos por ex-funcionários do Mondelli e que já estejam transitadas em julgado.

Desde a última sexta-feira, aproximadamente 150 famílias ocupam o local. "Nós queremos que o Incra compre o espaço e o destine para a reforma agrária", reivindica Valéria.

Douglas Reis
Manifestação gerou grande congestionamento; os dois lados da rodovia foram liberados por volta das 10h dessa terça (21)

Em nota, a assessoria de comunicação do Incra esclarece que, embora a fazenda já tenha sido arrematada em leilão, o órgão mantém o interesse pela área e toca um processo de compra, com base na Lei 4.132/62, que trata de casos de desapropriação por interesse social.

Nessa terça-feira (21), a reportagem tentou contato com os administradores da massa falida da empresa, com o intuito de localizar o comprador e checar se ele solicitará a reintegração de posse, porém, não obteve retorno até o fechamento desta edição.

PROTESTO

Segundo o comandante do Pelotão de Policiamento Rodoviário de Bauru, o 1.º tenente Gabriel Eleutério Garcia, cerca de 150 pessoas atearam fogo em pneus, na altura do quilômetro 351 da Bauru-Iacanga.

"O movimento foi considerado ilegal, porque o grupo não avisou os órgãos de segurança. A polícia apareceu assim que tomou ciência, com o objetivo de harmonizar os direitos constitucionais, ou seja, garantir a manifestação e o ir e vir dos motoristas", observa.

Ainda de acordo com o tenente Eleutério, o Corpo de Bombeiros e o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) limparam ambos os lados da pista e o trânsito foi liberado por volta das 10h. A Polícia Militar (PM) também apoiou a ocorrência.