| Douglas Reis |
| Veronice Miranda, Maria Bombonato Rebuá, Erika Masuko Komono e Marizabel Moreno Ghirardello falam sobre o ciclo de violência e o atendimento à mulher vítima no município |
A violência doméstica e familiar contra a mulher é formada por um ciclo que envolve três fases: tensão, explosão e "lua de mel". A repetição desses estágios, de acordo com os especialistas, leva a uma triste naturalização das agressões e prende a vítima. Neste mês, inclusive, é celebrado o Agosto Lilás em todo o Estado de São Paulo, com o objetivo de conscientizar a população sobre o tema.
De acordo com a psicóloga do Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRM), em Bauru, Erika Masuko Komono, a primeira etapa da violência contra a mulher é a tensão, momento em que o agressor a violenta psicologicamente.
Já a segunda fase diz respeito à explosão, ou melhor, a agressão torna-se física, fato que, alguma vezes, a leva a procurar a polícia.
O homem, então, demonstra falso arrependimento, para convencer a mulher a perdoá-lo. "Esta fase é a 'lua de mel', afinal, o agressor se transforma rapidamente, porém, quando consegue o que quer, o ciclo volta a se repetir", explica.
Presidente do Conselho Municipal de Políticas para as Mulheres e membro da Comissão da Mulher Advogada da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Bauru, Marizabel Moreno Ghirardello acredita que seja necessário educar a criança desde cedo, para romper este ciclo.
"A violência contra a mulher passa de geração a geração, ou seja, os homens, muitas vezes, são criados para agredir e as mulheres, para ser submissas. É o que batizamos de naturalização, na qual a mulher não se vê vítima e o homem não se vê agressor", reitera Marizabel.
CASOS EM BAURU
Para se ter uma ideia, em 2017 inteiro, o CRM recebeu 100 novos casos de violência doméstica, em Bauru, sendo 13 mulheres encaminhadas ao abrigo, cujo endereço é sigiloso. Neste ano, até então, há 55 ocorrências e oito vítimas acolhidas, com ou sem filhos até 18 anos.
Erika Komono avalia que as denúncias crescem ano a ano, mas não necessariamente porque a mulher está mais propensa à ser vítima de violência. "Há mais motivação para denunciar, principalmente, por conta da visibilidade que a mídia dá a alguns casos", aponta.
Por fim, segundo a psicóloga, o CRM, vinculado à Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), atua de forma a atender as mulheres já agredidas - e, em algumas situações, levá-las ao abrigo -, além de conscientizar a população, através de cursos e palestras.
Pesquisa da Unesp traça perfil da mulher para mapear dificuldades
A Unesp, em Bauru, deu início a uma pesquisa que visa mapear o perfil da mulher no município. O trabalho é coordenado pela professora Célia Retz, com o apoio do Conselho Municipal de Políticas para Mulheres, da Sebes e da OAB.
Retz adianta que o estudo já está sendo colocado em prática. Segundo ela, além dos aspectos socioeconômicos, também serão levadas em conta questões ideológicas, como o que as mulheres acham de candidatas do sexo feminino ou da violência doméstica e familiar.
A pesquisa visa mostrar as dificuldades que este público enfrenta em Bauru. Para tanto, a cidade foi dividida em nove setores. Um grupo de, em média, cinco alunos ficará responsável por cada uma das áreas.
Inclusive, as equipes começaram a verificar os equipamentos públicos ofertados nestes locais, além dos aspectos das residências. "No outro semestre, trabalharemos com pesquisa qualitativa e, talvez, pesquisaremos algo mais específico, como a violência doméstica propriamente dita", acrescenta a professora.
O trabalho é realizado por 47 alunos do 2.º ano de Relações Públicas na Unesp, através da disciplina de Teoria e Pesquisa de Opinião Pública. O resultado será apresentado em novembro.
|
Panfletagem amanhã
Com o intuito de conscientizar a população sobre a violência doméstica e familiar, o Conselho Municipal de Políticas para as Mulheres, em parceria com a Sebes, o CRM e a Comissão da Mulher Advogada, promove uma panfletagem amanhã, na quadra 5 do Calçadão da Batista de Carvalho, em Bauru, das 10h às 14h.
O ato marca o Agosto Lilás, instituído pela Lei Estadual n.º 4.969, datada de 29 de dezembro de 2016. O texto propõe a sensibilização da sociedade, além do apoio irrestrito à Lei Maria da Penha, que completou 12 anos neste mês.
|