09 de julho de 2026
Cultura

Palavra de mulher, palavra de honra

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 3 min

Mateus José Maria
Maitê, em cena, bem perto do público, com músico Alessandro Persan: 'urgências atemporais'

Uma mulher que não teme dizer o que pensa. Maitê Proença? Também. Mas, antes dela, muito antes, existiu uma Alice. Morava num conto do britânico Geoffrey Chaucer (1343-1400) e despertou para a vida de carne, osso e desejos com a atriz brasileira e sua peça "A Mulher de Bath" - atração da noite em Bauru.

Ardendo por dentro, ardente aos olhos de fora, Alice já deu adeus a cinco maridos e segue à procura do sexto. Se a vida é busca, não vai sossegar. Mas, para atingir seus objetivos, é preciso driblar o jogo bruto masculino.

O público mergulha no século 14 e segue se sentido em 2018. Há coisas que não mudam - o machismo que o diga.

Maitê festeja quatro décadas de carreira e 60 anos de vida bem perto da plateia. É assim que conta a história dessa mulher libertária por essência em meio à uma resistente tirania dos homens. 

"Minha peça fala do assunto com muita inteligência e graça", garante ela, também idealizadora do projeto que virou espetáculo. "Os homens gostam por um motivo e as mulheres pelo motivo oposto".

JC - O que mais define uma mulher libertária nos dias de hoje?

Maitê - O mesmo que as definiu quando o mundo nasceu e inventou que Eva foi a danação da humanidade. De lá pra cá pouca coisa mudou. As mulheres continuam precisando de liberdade e respeito.

JC - Quem é, afinal, a Alice da peça?

Maitê - Alice, a mulher de Bath, é irreverente e fala o que pensa, custe o que custar. Ela leva uma boas surras por isso. Mas, de seu modo astuto e bem humorado, vai driblando as dificuldades num mundo essencialmente masculino.

JC - Chegará um dia de igualdade plena em que o feminismo se tornará desnecessário?

Maitê - Sim. Mas vamos lembrar que, por ora, as mulheres trabalham mais e ganham menos, são espancadas, não têm direito à educação e ao respeito de seus semelhantes. Isso em grande parte do mundo. Qualquer um que ache isso errado é feminista.

JC - Ainda há, portanto, uma tirania masculina em evidência após tanta luta da mulher ao longo de séculos...

Maitê - A minha peça fala do assunto com muita inteligência e graça. Vá conferir. Agrada a ambos os gêneros. Trago coisa da melhor qualidade pra Bauru. Palavra de mulher, palavra de honra!

Fazem acontecer

"A Mulher de Bath"

Texto: Geoffrey Chaucer

Tradução: José Francisco Botelho

Adaptação: Maitê Proença

Direção: Amir Haddad

Com: Maitê Proença

Participação: ator e músico: Alessandro Persan

Cenário: Luiz Henrique Sá

Figurino: Angèle Froes

Adereços: Marcilio Barroco

Iluminação: Vilmar Olos

Preparadora corporal: Marina Salomon

Assistente de direção: Alessandro Persan

Trilha sonora: Alessandro Persan

Camareira: Naná Nascimento

Realização: M. Proença Produções Artísticas Ltda.

Seculares credenciais

O texto de Geoffrey Chaucer (escritor apontado como como o pai da literatura inglesa) faz parte de sua obra inacabada "Os Contos da Cantuária", publicada pela primeira vez em 1475. A tradução, de José Francisco Botelho, foi indicada ao Prêmio Jabuti.

A atriz sobre Alice

"Uma mulher que fala sobre artimanhas do amor, guerras infernais no casamento, do sexo e suas armadilhas, das diferenças com os homens, de seu pleito por liberdade... São as mesmas questões de hoje. Surpreendente em sua época e continua a surpreender agora." Maitê Proença

SERVIÇO

"A Mulher de Bath": 25/8, hoje, às 20h, no Teatro Municipal de Bauru (avenida Nações Unidas, 8-9, Centro). Classificação: 16 anos. Ingressos: de R$ 35 a R$ 70. Pontos de venda: Loja Roth Store - (av. Getúlio Vargas, 5-9) e bilheteria do teatro (após 14h). Online: https://www.megabilheteria.com. InfoWhats: (14) 9 8150-0404.