Quando falta uma explicação racional para determinada decisão, a resposta quase imediata é colocar a "culpa" na intuição. Também apelidada de sexto sentido ou até de premonição, essa sensação, segundo especialistas, não tem nada de mística ou sobrenatural. Ela é baseada, principalmente, em nossas experiências, nos nossos sentidos e em informações que percebemos, mas sem termos consciência.
O professor de Psicologia da PUC-Rio Daniel Mograbi explica que o que o senso comum vê como intuição a ciência explica como "processos de memória e emoção não conscientes". Ele dá um exemplo de como isso ocorre na prática, como quando decidimos não ir por um caminho na estrada por sentirmos "algo ruim".
"Isso, muitas vezes, está ligado a um processo de memória vinculado a sensações corporais do passado. Em outra ocasião, a pessoa pode ter entrado numa rua parecida onde foi assaltada, e seu coração acelerou, e ela tremeu de medo. Mesmo que não lembre exatamente como era a rua, ao se deparar com uma similar, revive em parte a tal sensação ruim", explica ele, que acrescenta: "Isso tem a ver com o processamento de informação não consciente, informação de caráter emocional ligada a como o nosso corpo reagiu a uma experiência".
Mograbi reforça que, mesmo que se fale que a emoção pode atrapalhar a tomada de decisão, esse aspecto não deve ser ignorado. A emoção, de acordo com o professor, é uma fonte adicional de informação, que pode e deve ajudar a decidir.
"Ouvir isso é muito importante porque pode revelar algo sobre aquela situação, mesmo que não se saiba exatamente o quê. Se você sente um desconforto, aquela pode, de fato, não ser uma boa opção. Às vezes, claro, também é fonte de erro", pontua o pesquisador visitante da King's College London.
O ideal é entender o contexto e não condicionar as escolhas apenas à intuição. Usar o bom senso com relação a quanto essas sensações podem influenciar as decisões é a melhor alternativa, sugere o psiquiatra forense Guido Palomba.
"Não dá para deixar de viajar porque se está pressentindo que algo vai acontecer. Não se pode começar a dar atenção a coisas bobas. Use a sua intuição, mas não como premonição, e sim no sentido de intuir que alguém é mau caráter, por exemplo. Você pode estar lendo na pessoa essa informação", diz Palomba.