11 de julho de 2026
Geral

PM de 102 anos inspirou profissão de 18 membros da própria família

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Douglas Reis
João Alves Teixeira, de 102 anos, se reformou como 2.º sargento
Coronel Robson Douglas de Souza, comandante do CPI-4, entrega medalha ao tio, o 2.º sargento João Alves Teixeira

Nascido em fevereiro de 1916, em meio à 1.ª Guerra Mundial, o 2.º sargento reformado da Polícia Militar (PM) João Alves Teixeira, de 102 anos, esteve entre as 35 pessoas homenageadas anteontem, no Comando de Policiamento do Interior 4 (CPI-4), em Bauru. A admiração dele pela PM é tanta que conta ter inspirado outros 18 membros da sua família, entre filhos, netos, bisnetos e sobrinhos, a seguir o mesmo caminho.

Teixeira, inclusive, é tio do coronel Robson Douglas de Souza, atual comandante do CPI-4. Mas a realidade profissional vivenciada por tio e sobrinho é bem distinta. Na época em que o 2º sargento estava na ativa, a polícia sequer sabia o que era droga e as ocorrências - pelo menos, no Interior de São Paulo - se limitavam a furto de cavalos.

De acordo com Teixeira, que começou a trabalhar em Rio Preto e prestou serviço em diversas cidades do Estado de São Paulo, o furto de cavalos era bastante comum no Interior. Já na Capital, a especialidade dos bandidos correspondia a levar a carteira das suas vítimas. O 2.º sargento está reformado há 58 anos.

"Para começar, nós não sabíamos o que era droga. Prendi muito ladrão de cavalo e batedor de carteira, mas também apanhei bastante durante estas operações", revela o aposentado, que veio a Bauru só para receber a medalha.

JÁ HOJE EM DIA...

Douglas Reis
O cabo Renato Taraco foi um dos homenageados

Além daqueles que já estão reformados, a cerimônia rendeu homenagens a quem ainda trabalha para a instituição, como é o caso do cabo Renato Taraco, do 9.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (9.º BPM-I), cuja sede é em Marília.

O policial salvou a vida de outros dois colegas, em abril de 2015. Na ocasião, os PMs estavam atrás de um homem que havia esfaqueado a esposa, em Marília.

Desesperado, o suspeito jogou o próprio carro contra a viatura e morreu. Devido à forte colisão, os policiais foram arremessados para fora, mas o veículo, em chamas, caiu em cima deles.

"Naquele momento, não restou mais nada, a não ser erguer a viatura com as próprias mãos e tirá-los debaixo dela. Mesmo com a ajuda de outros três colegas, acabei quebrando braço, o tornozelo, a panturrilha, a coxa, além de ter lesionado a coluna", relata.

HOMENAGEM

A iniciativa de homenagear militares da ativa ou não, bem como civis, partiu do Museu Histórico Militar de Bauru.

Responsável pela coleção, o cabo reformado da PM Jorge Sebastião dos Santos, o J. Santos, alega que o objetivo é enaltecer o trabalho prestado à sociedade. "Temos de respeitar o presente e o passado para garantir o nosso futuro", defende.

O Museu Histórico Militar de Bauru tem um acervo de 10 mil peças, entre elas: fotos, livros, fardas - mais de 200 -, móveis, dinheiro, munições, fragmentos de guerra - como veículos antigos, hélice de avião e bombas já detonadas -, documentos, troféus - mais de 600 - e honrarias.