| Fotos: Divulgação |
| O autor nasceu em Penápolis e estudou jornalismo na Unesp, em Bauru |
Inspirado nos textos de Euclides da Cunha, bem como no realismo fantástico de Gabriel García Márquez e Franz Kafka, o livro "Desamparo" retrata a colonização das regiões centro e oeste do Estado. Escrito pelo jornalista penapolense Fred Di Giacomo, o romance foi lançado em junho deste ano e conta, ainda, trechos da história de Bauru.
O seu autor, que vive em Berlim, na Alemanha, lançou o primeiro livro, denominado "Canções para ninar adultos", em 2012. No ano seguinte, passou a morar neste país, já desejando escrever algo que envolvesse o realismo fantástico e, ao mesmo tempo, a realidade brasileira.
"Dráuzio Varella costuma dizer que, se você não é Liev Tolstói ou Fiódor Dostoiévski para escrever um clássico sobre qualquer coisa, retrate algo que só você possa contar. Pensei na história da minha terra natal, Penápolis, e da região Centro-Oeste paulista", argumenta.
| A obra, escrita pelo jornalista penapolense Fred Di Giacomo, foi lançada em junho deste ano |
Contudo, antes de passar pelos labirintos da imaginação de Fred, a biografia do Interior paulista foi pesquisada, por meio de um trabalho jornalístico que buscou as origens do povoamento do Estado de São Paulo.
Entre figuras históricas, como a do matador dândi Dioguinho, há uma fábula sobre o caminho que trouxe a população ao violento Brasil de hoje, cujos personagens estão em meio a um sertão quase bíblico, banhado pelo sangue dos kaingangs, pela malária e pela grilagem das terras.
REALIDADE E FICÇÃO
Rita Telma é a cabocla que encarnará o destino desta cidade-embrião, nascida na trilha da estrada de ferro. Apelidada, na obra, de Desamparo, Penápolis é o Brasil do início do século XX, cuja história se repete até hoje.
Flashbacks e reviravoltas vão montando, aos poucos, a tragédia, que definirá o destino de Rita, da sua família e dos seus contemporâneos. A história da nascente cidade corre paralela à busca por vingança.
Filha de Maria Chica, viúva pioneira, a protagonista vive atormentada pelo espírito do pai - despojado das suas terras, da sua honra e do seu amor. A versão sertaneja de Hamlet, que se desenrola na trama, é, também, o tema do romance, nunca terminado, do coronel Manoel Antero, antagonista de Rita.
Odisseu frustrado, desbravando o mar de mato do sertão paulista, o astuto rábula busca, na política, no progresso e na semeadura dos povoados, o heroísmo, que lhe garantiria a imortalidade.
Manoel Antero é inspirado em Manoel Bento da Cruz, que foi prefeito de Bauru e responsável pela fundação de diversas cidades limítrofes, como Penápolis, Birigui e Araçatuba.
SERVIÇO
Escrito por Fred Di Giacomo, o livro "Desamparo" tem 248 páginas e foi impresso pela Editora Reformatório, graças ao apoio da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.
A obra, que custa R$ 40,00, pode ser adquirida através do https://reformatorio.com.br/#onde-encontrar.
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Sobre o autor
Filho de professores idealistas, que o criaram rodeado de livros, Fred Di Giacomo nasceu em Penápolis. Após se formar em jornalismo pela Unesp, em Bauru, o jovem migrou para São Paulo e chegou a redator-chefe da Editora Abril. Neste período, ele foi pioneiro na criação de newsgames reconhecidos internacionalmente, tal como Science Kombat, lançado pela Superinteressante.
Depois de sete anos e meio, pediu demissão para tocar o Glück Project - uma investigação sobre a felicidade, em Berlim. De volta ao Brasil, escreveu roteiros para o programa "Conversa com Bial", da Rede Globo, e foi editor e coordenador da Énois - que forma, no jornalismo, jovens das periferias de São Paulo.
Fred foi coordenador e editor do "Prato Firmeza - o guia gastronômico das quebradas de SP" (finalista do Prêmio Jabuti, em 2017) e é autor de "Canções para ninar adultos" (Ed. Patuá, 2012) e "Haicais Animais" (Ed. Panda Books, 2013), entre outros. Escreve letras e toca baixo na banda Bedibê.
Hoje, o jornalista vive em Berlim, na Alemanha.
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