08 de julho de 2026
Nacional

Mudança de vida pelos astros


| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - "A astrologia ajudou a mudar a minha vida. Sempre fui muito introvertida, sentia que alguma coisa me bloqueava, não deixava me relacionar", conta Natalia de Oliveira, 22, artista visual moradora de Interlagos, zona sul de São Paulo.

Faz seis anos que Natalia usa a astrologia como um caminho para o autoconhecimento. Ela não está sozinha. Jovens da geração millennial (nascidos entre o início dos anos 1980 até a metade dos 1990) e da geração Z (a partir do meio da década de 1990) estão recorrendo à astrologia como uma tentativa de entender a si mesmos.

Esse movimento geracional é refletido pelo deslocamento da astrologia do analógico para o digital. Além disso, páginas nas redes sociais, como a Signos da Zueira, com mais de 4 milhões de seguidores, postam memes diariamente.

Fenômeno mundial

O fenômeno é global. Desde o final do ano passado, jornais como o americano The New York Times, com a reportagem "Como a astrologia tomou conta da internet", analisam como uma atividade que data de 4.000 anos atrás atrai gente que nasceu num mundo guiado por algoritmos.

"Hoje todo mundo se cobra muito e é cobrado. Os jovens estão buscando um significado na vida. Se você não está confuso é porque tem algo errado", brinca Bruna Paludo, 30, gaúcha de Passo Fundo, formada em direito, que trocou a advocacia pela astrologia desde que se mudou para Santa Cecília, no centro de São Paulo, há quase dois anos.

Fé e propósito

Maria Kowalsky, consultora de tendências da WGSN, afirma que "os millennials estão se fazendo perguntas existenciais sobre fé e propósito. A astrologia faz parte da 'nova espiritualidade', ela possibilita ter uma conexão mais 'profunda' consigo mesmo".

É mais ou menos o que pensa a cantora Bárbara Eugênia, 38, que fora dos palcos estuda os astros: "Principalmente em uma cidade como São Paulo, perdemos a conexão com nós mesmos. Isso cria um buraco existencial", diz.

Outra cantora, Susan Souza, 34, decidiu largar o jornalismo e focar a música (sob o nome Cinnamon Tapes) inspirada pelo que viu no mapa astral. "A astrologia auxiliou na transição de carreira, pois com a compreensão dos astros pude entender minha vocação para a expressão artística."

Psicanalista e sócio de uma empresa de pesquisa de tendências de mercado, Lucas Liedke, 36, diz que "há uma descrença nas instituições tradicionais. Os jovens se dizem mais espiritualizados, mas não religiosos". Ao lado de três amigos de São Paulo, ele criou neste ano o site Peoplestrology. Após fazer um cadastro, o usuário responde a algumas questões relacionadas aos signos. Mais de 3.000 pessoas já responderam, e dá para ver a percepção dos usuários em relação a cada signo.

As energias

Se a astrologia hoje virou fenômeno entre os jovens, muito disso é culpa de Isabella Mezzadri, publicitária moradora da Vila Olímpia, na zona oeste de São Paulo. Em 2015, criou uma conta no Instagram que atualmente tem mais de 329 mil seguidores. Hoje, ela dá aulas online sobre astrologia e é cocriadora do projeto Energias do Mês, em que fornece dicas mensais baseadas nos astros. Isabella também é dona do site Astrojourney, que investe em área da astrologia direcionada a viagens. "Os jovens viram os pais e os avós trabalhando com coisas que não os faziam felizes, e a astrologia ajuda a compreender melhor não só a personalidade, mas também as melhores possibilidades para a sua vida", diz ela.