| Samantha Ciuffa |
| A conscientização da sociedade em relação ao descarte correto de resíduos sólidos urbanos é uma das peças para uma cidade mais limpa |
Um papel de bala aqui, uma "bituca" de cigarro ali, um papelzinho acolá. Pequenos, mas cabe a cada cidadão destinar esses e tantos outros resíduos, ainda maiores, aos locais corretos de descarte disponíveis na cidade.
Do outro lado, a prefeitura - por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) e da Secretaria Municipal de Administrações Regionais (Sear), juntamente com a Emdurb - é a responsável pelas frentes de limpeza urbana que não estão apenas associadas à varrição de ruas, mas também a toda a manutenção da limpeza pública, em geral, como de parques e praças, capinação de ruas, podas de árvores e limpeza de bueiros.
Ontem, foi comemorado o Dia Mundial de Limpeza, que visa promover a mobilização de voluntários para a limpeza suas cidades, bairros, praias, praças e parques. A ação, que mobiliza 150 países para 24 horas de limpeza, simboliza a necessidade de conscientização da sociedade para um problema maior do descarte irregular de resíduos sólidos urbanos. Em Bauru, diversas ações foram realizadas também com esse intuito.
| Ana Beatriz Garcia |
| Sidnei Rodrigues explica sobre dinâmica de limpeza pública em Bauru |
Com a proximidade da data, o JC nos Bairros foi conferir como é feita a limpeza urbana em Bauru, quais os pontos ainda críticos da cidade e como os moradores estão fazendo (ou não) a sua parte.
'MAIS LIMPA'
Do ponto de vista administrativo, o balanço em relação à limpeza pública de Bauru é positivo. "Conseguimos colocar em ordem boa parte dos equipamentos, tanto na parte de limpeza de áreas públicas quanto a parte de coleta, de forma bem eficiente. Quem sai hoje nas ruas, vê uma cidade mais limpa", afirma o prefeito Clodoaldo Gazzetta.
O prefeito destaca que o descarte inadequado de entulho e o de restos material de móveis ainda são desafios enfrentados pela gestão. "As pessoas ainda têm dificuldades de levar os materiais para os Ecopontos. A gente está tentando equacionar esse problema que vem de muitos anos em Bauru", comenta.
| Douglas Reis |
| Márcio Teixeira, diretor de Limpeza Pública da Emdurb, fala sobre as ações realizadas pela empresa |
Para a solução desses e outros problemas em relação à limpeza urbana, Gazzetta comenta que existem planos a serem implementados neste e no próximo ano. "A pretensão da prefeitura é a compra de alguns caminhões novos para a implantação do cata-treco que vai passar de 15 em 15 dias, em frente a casa das pessoas, recolhendo esses materiais inservíveis. Também com a abertura das subprefeituras, a Emdurb e a Sear vão se dividir em cinco regiões e haverão equipes especializadas fazendo a limpeza dessas sub-regiões através das subprefeituras. Assim, a gente descentraliza e faz economias. Isso já acontecerá neste ano, com a abertura da subprefeitura do Mary Dota, e no próximo ano, com as demais que serão abertas", diz.
Outra ação do município que contará com melhorias para o próximo ano é o programa "Boca de lobo não é lixeira", que faz a limpeza das bocas de lobo pela cidade. "Já foram mais de mil bocas de lobo ao longo dos últimos 18 meses com uma quantidade gigantesca de materiais tirados desses locais. Também estamos comprando, para o ano que vem, dois equipamentos novos, que são aspiradores gigantes de folhas para as áreas com arborização como as áreas centrais e do Altos da Cidade, em que quase a totalidade das folhas entopem as bocas de lobo. Isso vai nos ajudar muito porque uma máquina dessas faz o serviço de quase 30 funcionários", afirma Gazzetta.
Esforços públicos para uma cidade mais limpa
"Quando a gente pensa em limpeza ou em gestão de limpeza pública, a gente pensa em qualidade de vida, saúde e qualidade ambiental". A frase é do secretário da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), Sidnei Rodrigues. De acordo com ele, é a Semma quem delega quais os tipos de serviço serão realizados na cidade.
"Além dos serviços de varrição e poda de árvores, existem os serviços de capinação que são as roçagens de praças, terrenos centrais, terrenos baldios, feitos com roçadeira manual ou mecânica. Todos os trabalhos são realizados através de um contrato com a Emdurb ou pela Sear, onde a Semma tem equipes que executam esses serviços dentro de determinados setores", explica.
Os trabalhos de capinação, especialmente, são distribuídos por regiões. Bairros como Gasparini, Pousada da Esperança, Mary Dota e Região dos Altos da Cidade são de responsabilidade da Emburb. Já outros como Jardim Ferraz, Terra Branca, Vila Falcão e Redentor ficam por conta da Secretaria Municipal de Administrações Regionais (Sear), que desde abril deste ano, assumiu a parte de limpeza da Semma. "A Sear, hoje, faz o trabalho de tapa buraco, a zeladoria que é a parte de capinação, limpeza de terrenos públicos e ajuda em projetos de limpeza. Foram passados alguns funcionários da Semma para a Sear por conta dessa mudança", afirma o secretário da Secretaria Municipal de Administrações Regionais, Eduardo Borgo.
Já os serviços como os de varrição são de responsabilidade de 30 funcionários da Emdurb, contratados pela Semma. "Nossa varrição funciona na grande área central que vai da Duque de Caxias à Ferrovia e da Machado de Mello à Nações Unidas. Mas, pontos específicos da cidade, como Vitória Régia, avenida Getúlio Vargas, Praça da Paz, Pista de Skate, enfim, pontos com grade circulação, também recebem o serviço de varrição todos os dias. Independentemente da nossa área de capinação da Emdurb, fazemos a varrição em outras regiões da cidade", afirma o diretor de limpeza da Emdurb, Márcio Teixeira.
DIFICULDADES
| Malavolta Jr. |
| Final da rua Alves Seabra, quadra 29, no Parque Rosewelt, é um dos pontos críticos de descarte incorreto de lixo na cidade |
A falta de conscientização dos moradores em relação a responsabilidade com a limpeza pública da cidade ainda é uma das dificuldades encontradas pela Semma. "O que mais sofremos hoje é o com descarte inadequados de todo tipo de resíduo. Desde galhos de árvores, entulho, restos de sofá. Temos uma rua no Parque Roosevelt que é o pior cenário que encontramos na cidade. Esse caso, depende de qual secretaria está mais perto para atender. Pois é necessário um caminhão específico para a retirada de entulhos. Esse e o ponto na Bauru-Marília, são exemplos de locais em que as pastas acabam fazendo a limpeza e o pessoal volta a jogar lixo em seguida", diz Sidnei.
Borgo concorda e destaca que trata-se de uma região importante da cidade. "É uma das entradas de Bauru que também é um dos pontos mais críticos", diz. Além deles, Quinta da bela Olinda, Jardim Jussara e região do Redentor, no Jardim Olímpico também chamam a atenção dos secretários. "Tem alguns pontos que não duram nem um mês limpos. Lá tem resíduos que poderiam estar sendo levados para os Ecopontos", destaca Sidnei.
NOVAS LIXEIRAS
Além dos Ecopontos e Eco Verde (veja quadro abaixo) locais próprios para o descarte de resíduos, outros aparelhos, como as lixeiras, são opções para que o cidadão participe e contribua com a limpeza da cidade. "Temos poucas lixeiras e elas estão mais concentradas na região central. Para ter mais lixeiras, precisamos de disponibilidade maior de manutenção e funcionários. Estamos fazendo uma mudança em um projeto de lei. Antes, para uma empresa colocar uma lixeira, ela precisaria pagar pelo espaço. A ideia é que as pessoas doem lixeiras e sacos de lixo e, em contrapartida, elas podem colocar suas marcas e, com isso, a Semma em conjunto com a Emdurb destinará os pontos que precisam desses aparelhos", diz Sidnei.
Borgo acredita que o projeto será de grande valia e ainda destaca que novas lixeiras serão implantadas também no Centro. "Dentro de pelo menos 60 dias, implantaremos mais 100 lixeiras na cidade com verba do orçamento participativo", finaliza.
Contentor subterrâneo
"Quando a gente pensa em limpeza ou em gestão de limpeza pública, a gente pensa em qualidade de vida, saúde e qualidade ambiental." A frase é do titular da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), Sidnei Rodrigues. De acordo com ele, é a Semma quem delega quais os tipos de serviço serão realizados na cidade.
"Além dos serviços de varrição e poda de árvores, existem os serviços de capinação, que são as roçagens de praças, terrenos centrais e terrenos baldios, feitos com roçadeira manual ou mecânica. Todos os trabalhos são realizados através de um contrato com a Emdurb ou pela Sear [Secretaria Municipal de Administrações Regionais], onde a Semma tem equipes que executam esses serviços dentro de determinados setores", explica.
Os trabalhos de capinação, especialmente, são distribuídos por regiões. Bairros como Gasparini, Pousada da Esperança, Mary Dota e Região dos Altos da Cidade são de responsabilidade da Emburb. Já outros como Jardim Ferraz, Terra Branca, Vila Falcão e Redentor ficam por conta da Secretaria Municipal de Administrações Regionais (Sear), que desde abril deste ano, assumiu a parte de limpeza da Semma. "A Sear, hoje, faz o trabalho de tapa buraco, a zeladoria que é a parte de capinação, limpeza de terrenos públicos e ajuda em projetos de limpeza. Foram passados alguns funcionários da Semma para a Sear por conta dessa mudança", afirma o titular da Secretaria Municipal de Administrações Regionais (Sear), Eduardo Borgo.
Já serviços como os de varrição são de responsabilidade de 30 funcionários da Emdurb, contratados pela Semma. "Nossa varrição funciona na grande área central, que vai da Duque de Caxias à Ferrovia e da Machado de Mello à Nações Unidas. Mas pontos específicos da cidade, como Vitória Régia, avenida Getúlio Vargas, Praça da Paz, Pista de Skate, enfim, pontos com grade circulação, também recebem o serviço de varrição todos os dias. Independente da nossa área de capinação da Emdurb, fazemos a varrição em outras regiões da cidade", afirma o diretor de limpeza da Emdurb, Márcio Teixeira.
DIFICULDADES
A falta de conscientização dos moradores em relação a responsabilidade com a limpeza pública da cidade ainda é uma das dificuldades encontradas pela Semma. "O que mais sofremos hoje é o com descarte inadequados de todo tipo de resíduo. Desde galhos de árvores, entulho, restos de sofá. Temos uma rua no Parque Roosevelt que é o pior cenário que encontramos na cidade. Esse caso, depende de qual secretaria está mais perto para atender, pois é necessário um caminhão específico para a retirada de entulhos. Esse e o ponto na Bauru-Marília são exemplos de locais em que as pastas acabam fazendo a limpeza e o pessoal volta a jogar lixo em seguida", diz Sidnei.
Borgo concorda e destaca que trata-se de uma região importante da cidade. "É uma das entradas de Bauru que também é um dos pontos mais críticos", diz. Além deles, Quinta da Bela Olinda, Jardim Jussara e região do Redentor, no Jardim Olímpico, também chamam a atenção dos secretários. "Tem alguns pontos que não duram nem um mês limpos. Lá tem resíduos que poderiam estar sendo levados para os Ecopontos", destaca Sidnei Rodrigues.
NOVAS LIXEIRAS
Além dos Ecopontos e Ecoverde (veja quadro abaixo) locais próprios para o descarte de resíduos, outros aparelhos, como as lixeiras, são opções para que o cidadão participe e contribua com a limpeza da cidade. "Temos poucas lixeiras e elas estão mais concentradas na região central. Para ter mais lixeiras, precisamos de disponibilidade maior de manutenção e funcionários. Estamos fazendo uma mudança em um projeto de lei. Antes, para uma empresa colocar uma lixeira, ela precisaria pagar pelo espaço. A ideia é que as pessoas doem lixeiras e sacos de lixo e, em contrapartida, elas podem colocar suas marcas e, com isso, a Semma em conjunto com a Emdurb destinará os pontos que precisam desses aparelhos", diz Sidnei.
Borgo acredita que o projeto será de grande valia e ainda destaca que novas lixeiras serão implantadas também no Centro. "Dentro de pelo menos 60 dias, implantaremos mais 100 lixeiras na cidade com verba do orçamento participativo", finaliza.
'Cada um tem que fazer a sua parte'
| Ana Beatriz Garcia |
| José Carlos Sabatini é quem limpa a Praça Antônio Pedroso com carinho e dedicação há 13 anos |
“Cada um tem que fazer a sua parte para que o nosso bairro e a nossa cidade estejam cada vez mais limpos, em melhores condições”. Isso é o que acredita Rita de Cássia Coltri Amaral, de 61 anos, moradora da Vila Industrial. Para ela e para alguns moradores ao redor, limpeza é assunto sério. Foi assim que há 13 anos, Rita convidou o seo José Carlos Sabatini, de 72, para ajudar a limpar uma praça Antônio Pedroso, na quadra 5 da rua Américo Zuiani, na Vila Industrial.
“Fiquei sabendo que o seo José Carlos já cuidava da praça do Seicho-no-iê, aqui perto. E, naquele tempo, essa praça tinha muito lixo e eu que dava um jeitinho para não deixar muito suja. Foi quanto eu e meu marido resolvemos chamar o seo José para cuidar dessa praça também”, afirma a aposentada que mora em frente ao local.
| Ana Beatriz Garcia |
| Joselen Leandro não deixa de varrer a frente de sua casa e dos vizinhos |
Seo José Carlos garante que faz todo o serviço com amor e dedicação. “Sempre gostei de cuidar das praças. Aqui a gente planta árvores, flores, fica bonito. Não deixo nada sujo e quem mora aqui por perto também me ajuda”, diz o aposentado. O xará, José Carlos Fioretti, de 76 anos é um dos moradores do entorno que elogia a iniciativa. “A gente junta um dinheiro entre os moradores para comprar os materiais que são utilizados por ele. É uma pessoa muito querida por nós e que cuida muito bem da limpeza da nossa praça”, afirma.
PELOS VIZINHOS
Além dos espaços públicos, há também quem se preocupe com a limpeza das calçadas. “A frente de uma casa é o cartão de visitas. Se estiver sujo na frente, imagine como estará lá dentro?”, questiona a aposentada Joselen Leonardo, de 65 anos.
Além de limpar a frente de sua casa, no Bela Vista, Joselen também tem a preocupação com a casa da mãe. “Fico com ela aqui durante um tempo e não abro mão de limpar, pelo menos, uma vez por dia. Varro aqui na frente e a calçada dos vizinhos, para ajudar”, diz.
A aposentada ainda conta que na rua onde mora, faz questão de deixar a boca de lobo desobstruída. “Acho importante a gente cuidar da limpeza da nossa rua, principalmente perto de bueiros, porque quando vem a chuva e tem muitas plantas, entope e o prejuízo também é nosso”, destaca.
USO CONSCIENTE
Morador do bairro Vista Alegre, o aposentado Dirceu Bernardino de Souza, de 70 anos, pensa como Joselen e também cuida da frente de sua casa. “Aqui temos asfalto novo e sobe muita poeira para dentro de casa. Estou sempre varrendo aqui na frente ou até jogando uma água na calçada. Mas, claro, a gente faz uso consciente da água porque não pode desperdiçar para isso. Nessas horas, a vassoura ajuda”, finaliza.