11 de julho de 2026
Internacional

Petição online de padre por saída de cardeal na França atrai 100 mil


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Paris - Um abaixo-assinado pedindo a renúncia de um cardeal francês acusado de acobertar casos de pedofilia envolvendo sacerdotes coletou, em menos de um mês, mais de 104 mil assinaturas. Mas, para além da adesão maciça, chama atenção que um dos idealizadores da petição online seja um padre, o também francês Pierre Vignon, 64.

Na carta que embasa o abaixo-assinado, ele se dirige a Philippe Barbarin, arcebispo de Lyon (terceira maior cidade da França), em tom inquisitivo. Escreve que não quer ser visto como cúmplice dele e pede, por isso, que o superior entregue seus dois títulos o mais rápido possível.

"Estamos em um daqueles momentos cruciais em que grandes gestos se impõem", alega Vignon, para mais adiante ponderar: "Entregar sua demissão [das funções] de cardeal e arcebispo constituiria, sem dúvida, uma morte social. Por outro lado, qual não seria sua elevação de espírito [ao fazê-lo]? O senhor finalmente estaria à altura dos fatos."

O padre pede em seguida que seus colegas de clero ratifiquem o documento, assim como "todos os membros da Igreja conscientes da importância do mal feito às vítimas de abusos de toda ordem".

O cardeal é acusado de encobrir abusos sexuais perpetrados pelo padre Bernard Preynat, do fim dos anos 1970 ao começo dos 1990, contra ao menos 70 menores de uma cidade da Grande Lyon. Ele teria ainda ocultado crimes de outros quatro sacerdotes.

Barbarin deve ser julgado em janeiro de 2019. À imprensa francesa, seus assessores dizem que o arcebispo ofereceu sua renúncia em 2016 ao papa Francisco, que a recusou.