| Samantha Ciuffa |
| Emmanuel Flores de Andrade, gerente do Senac |
Sua trajetória tem 22 anos na gerência do Senac. A jornada no posto começou por Barretos, Bebedouro, Guarulhos, Araçatuba e, nos últimos anos, Bauru. Casado, pai de dois filhos (Pedro com 28 e Enzo com 4), Emmanuel Flores de Andrade, nascido em Fernandópolis, persegue a missão de encaminhar jovens. Do ponto de vista pessoal, algo lhe incomoda: "as pessoas precisam estar mais próximas, se ouvirem mais. As pessoas se esqueceram de se relacionar". Apreciador do filme "À procura da felicidade", com Wil Smith, Emmanuel conversou com o JC.
Jornal da Cidade: Conta um pouco de sua caminhada de Fernandópolis até Bauru?
Emmanuel Flores de Andrade: Eu nasci em Fernandópolis e lá fiquei até os 15 anos, na Vila Pereira. Depois, a família foi para São José do Rio Preto, porque meu pai montou uma transportadora lá. Estudei no Colégio Técnico Philadelpho Gouvea Netto e fiz duas faculdades de administração, porque tinham focos em formação diferentes. Fui para Jundiaí para fazer estágio em metalúrgica, foi quando cortou o cordão umbilical de fato. Estou no Senac há 22 anos, de Barretos, onde entrei como técnico, a Bauru. São 22 anos cuidando da preparação e programação, do técnico à gerência operacional, para a aprendizagem a partir dos 14 anos. Os cursos são de curta, média e longa duração.
JC: O que de seu período de infância explica, de alguma forma, como você é ou faz hoje?
Emmanuel: Nascer em Fernandópolis e lá morar até os 15 anos significa um ciclo, em uma família extremamente tradicional na cidade, de uma família constituída de valores, na formação. Sou filho de pais idosos, onde sempre tive como referência valores simples, mas que sedimentaram dentro de mim e que eu trago até hoje. Por isso, Fernandópolis é o começo que gerou esse alicerce que trago até hoje.
JC: O que você diria para os jovens, maioria no Senac, que não sabem lidar com o imediatismo do aprendizado e da carreira?
Emmanuel: Diria para esses jovens prestarem um pouco mais de atenção nos mais experientes. O que acontece com a velocidade da informação, de mercado, induz a essa correria. As coisas acontecem mais rápidas e, nesse momento, com essa indução, o jovem esquece ou deixa para traz sua vocação. E a vocação tem seu tempo de maturação dentro de cada um pra se mostrar. Os jovens não dão, em geral, esse tempo para que essa vocação desabroche. Segurar um pouco essa ansiedade é necessário. Até para lidar melhor com a frustração também.
JC: Qual a vocação do Senac para esses jovens?
Emmanuel: É a formação deles para que possam produzir de uma forma coerente com o que o mercado de trabalho quer, mas com os valores da sociedade. E que esse jovem tenha uma formação bem crítica, de vida, do negócio onde ele está trabalhando. Essa é uma preocupação do Senac. Matemática, português, cálculo, interpretação de texto são as principais defasagens.
JC: A cara do Senac em cada unidade leva em conta os arranjos locais?
Emmanuel: Bauru, por exemplo, está pautada no comércio e serviços. Então hoje, o que a gente espera, nessas condições, é desenvolver essa capacidade de que esses jovens deem resposta para essa demanda local natural. O grande desafio dessa unidade é atuar em comércio e serviços para que a mão de obra possa ser absorvida com qualidade pelo mercado. E o Senac faz sua parte não só com seus programas, mas com capacidade de atendimento. Tanto é que nosso prédio novo está em construção aqui ao lado da unidade, no Centro. O novo prédio tornará as atividades do Senac com capacidade de volume que vai dobrar e hoje é de 2.500 a 3.000 alunos. O Senac adotou a política de gratuidade. 50% das atividades de toda a programação em Bauru são gratuitas.
JC: E a sociedade, na sua visão, reconhece esse papel do sistema S, subsidiado?
Emmanuel: Acho que ainda não. Temos um caminho a percorrer para que os serviços do Sistema S sejam reconhecidos, tanto pela população quanto pelo poder público. Darei um exemplo. Uma cidade como Bauru contemplar todos os "S", com estruturas grandes, é um privilégio que é subaproveitado pela população e pelo poder público e privado.
JC: Qual a dificuldade mais premente que os jovens trazem aqui para o aprendizado no Senac?
Emmanuel: A formação de base desses jovens. Eles chegam aqui para os cursos de formação com uma dificuldade ainda muito significativa em aprendizado. Eles têm ainda muita defasagem de base para acompanhar e aprender em cursos técnicos.
JC: De que forma a era tecnológica, em detrimento a sua própria formação inicial em ambiente analógico no tempo, pode ser avaliada nesse desafio de formação aqui no Senac dos jovens?
Emmanuel: Este é um assunto que daria oito horas de conversa. Ou mais de uma conversa. Mas aqui, no recorte, o que cabe comentar é que toda tecnologia vem para ajudar. Mas você tem que saber usá-la. Hoje, o momento em que estamos passando, as instituições educacionais vivem um conflito natural de acomodação com as novas tecnologias, de saber como trabalhar melhor com o ambiente digital em detrimento aos métodos tradicionais de oferecer conteúdo. Se você fizer uma análise, mesmo não profunda, você diria hoje que a tecnologia digital ela ajuda muito bem em algumas aplicações, mas em outras ela não ajuda. O Senac é só um elo da corrente. E temos também essa noção. A gente se preocupa hoje no Senac em abraçar esse jovem para acompanhá-lo e fazer o que for possível para ajustá-lo a seus conteúdos, lapidar e entregá-lo melhor à sociedade.
JC: O que o preocupa, ou o move, do ponto de vista pessoal?
Emmanuel: O que sempre falo, costumo repetir em minha casa e aqui, quase todos os dias, é que as pessoas precisam estar mais próximas uma das outras. As pessoas precisam aprender a estar próximas. Elas estão juntas, mas não estão próximas. O que percebo é que as pessoas estão se esquecendo de se relacionar, de se olhar, de ouvir, conversar. As pessoas estão esquecendo que são humanas e precisam conversar e dar abraço, despertar algo na outra, parar um pouco umas para as outras. E hoje está difícil, bem mais difícil.
Nome: Emmanuel Flores de Andrade
Função: gerente Senac Bauru
Nasceu em: Fernandópolis (SP)
Família: Maitê Ornelas (esposa),
filhos Pedro (28) e Enzo (4).
Livro: "O dia do Chacal", Frederick Forsyth
Filme: "À procura da felicidade", com Will Smith
Um lugar: "Minha casa"
Onde quer ir: Egito
Signo: libra
| Samantha Ciuffa |
| Entrevista da Semana com Emmanuel Flores de Andrade, gerente do Senac. 13/09/2018 |
| Divulgação |
| Emmanuel com a esposa Maitê e o filho Enzo, de 4 anos |
| Emmanuel com o filho Enzo; ele também é pai de Pedro, hoje com 28 anos |