O Palmeiras e o técnico Luiz Felipe Scolari querem espantar hoje as lembranças ruins de jogos eliminatórios no Mineirão. O encontro deles com o Cruzeiro, às 21h45, pela semifinal da Copa do Brasil, vale tanto para colocar a equipe paulista na decisão como para apagar traumas recentes deixados pela última visita que fizeram ao estádio para disputar confrontos de mata-mata.
A missão do Palmeiras é reverter a desvantagem de 1 a 0 já que na ida, no Allianz Parque, o Cruzeiro ganhou com gol de Barcos. Em caso de vitória alviverde por vantagem mínima, a decisão irá para os pênaltis. A classificação à final virá no tempo normal caso o placar seja positivo por dois ou mais gols de diferença.
No ano passado, o Palmeiras esteve no Mineirão sob circunstâncias parecidas e se deu mal. Após empatar com o Cruzeiro por 3 a 3 no Allianz Parque, a eliminação nas quartas de final foi selada com o empate por 1 a 1. No vestiário o técnico Cuca e Felipe Melo discutiram. Dias depois o volante foi afastado do elenco.
O problema nos bastidores deixou o ambiente da equipe pesado e pioraria semanas depois, na eliminação na Libertadores para o Barcelona, do Equador. Felipe Melo seria reintegrado após acionar a Justiça e alegar ser alvo de assédio moral. Foram 40 dias de afastamento e de treinos em turnos alternativos até o Palmeiras determinar sua reincorporação ao grupo. Cuca pediu demissão cerca de três meses após a queda na Copa do Brasil.
Para Felipão, o retorno ao Mineirão remete à Copa do Mundo de 2014. Na semifinal disputada no estádio a Aeleção Brasileira, então dirigida pelo técnico, acabou goleada pela Alemanha por 7 a 1. Foi a maior derrota da história centenária da equipe brasileira e resultado que marcou a carreira do treinador.
O técnico palmeirense chegou a voltar ao local no comando do Grêmio, em jogos pelo Campeonato Brasileiro, porém somente agora pisa no estádio para nova partida eliminatória.
Invicto como visitante há dois meses, a postura do Palmeiras para buscar a classificação será pautada justamente em experiências ruins. O time disse ter aprendido com a derrota no jogo de ida e entendido que o gol sofrido apenas com quatro minutos de jogo é uma lição.
"Não é porque estamos atrás que vamos sair como loucos e oferecer o que o Cruzeiro gosta, que é o contra-ataque, e deixar espaços. Em um contra-ataque logo no começo eles conseguiram ser eficazes", afirmou o meia Moisés. O Palmeiras está em Belo Horizonte desde a noite de domingo e encerrou a preparação com um treino secreto no CT do América.
CRUZEIRO
O time mineiro não esconde que conta com o apoio da torcida para tentar eliminar novamente o Palmeiras na competição nacional. "O torcedor fica empolgado com jogos decisivos, de mata-mata, e isso nos motiva também. É indiscutível o papel do torcedor que sempre lota o Mineirão, apoia o tempo inteiro até o final. O que a gente quer é sair de campo sorrindo junto com o nosso torcedor", disse o volante Lucas Silva.
O Cruzeiro também escolheu o mistério e trabalhou com os portões fechados. O técnico Mano Menezes mantém a dúvida as presenças dos meias Thiago Neves e Arrascaeta, por problemas físicos. O único desfalque confirmado é do lateral-direito Edilson, que foi expulso no jogo de ida e vai dar lugar esta noite a Lucas Romero.
Visitante 'indigesto'
O Palmeiras atingiu ontem uma marca rara no futebol brasileiro. A equipe do técnico Luiz Felipe Scolari completou dois meses sem perder um jogo sequer como visitante. Entre compromissos pela Copa do Brasil, Libertadores e Campeonato Brasileiro, a equipe não é superada atuando longe de seus domínios desde o dia 25 de julho, quando perdeu por 1 a 0 para o Fluminense, no Maracanã.
O resultado negativo neste confronto válido Brasileirão decretou a demissão do técnico Roger Machado e a troca de comando. Desde então o Palmeiras fez 17 partidas e sofreu apenas duas derrotas. Ambas foram em casa: 1 a 0 para o Cerro Porteño, pela Libertadores, e pelo mesmo placar para o Cruzeiro, pela Copa do Brasil, resultado que tentará reverter hoje para ir à decisão da competição.
O time fez, após aquele duelo contra o Fluminense, nove partidas fora de casa, nas quais acumulou cinco vitórias e quatro empates A campanha positiva longe dos seus domínios contemplou, por exemplo, vitórias expressivas na Libertadores sobre o Cerro Porteño, no Paraguai, e diante do Colo-Colo, no Chile. O triunfo mais recente veio no domingo, ao bater o Sport no Recife e chegar à vice-liderança do Brasileiro.
O segredo para a boa campanha está na defesa. Foram somente dois gols sofridos como visitante desde a chegada de Felipão para a sua terceira passagem como técnico do Palmeiras. Desde a contratação do treinador, o clube chegou a permanecer nove partidas seguidas com a defesa invicta, a maior série registrada desde 1987.