10 de julho de 2026
Geral

Após 3 anos, Ceninha 'corre' em seu lar


| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Divulgação
Antônio Crepaldi, Valéria Medina e a adotante Luana Strabelli com o Ceninha

O cãozinho e seu “automóvel” já estão em um novo lar

Ato altruísta, adotar um animal de estimação não é uma decisão fácil de se tomar, principalmente em relação aos quem têm alguma deficiência. Por sorte, existem pessoas que deixam o amor falar mais alto e encaram tal missão. É o caso da professora de inglês Luana Strabelli, que findou a espera de três anos de Ceninha por um lar.

Moradora do Jardim Aeroporto, Luana procurou o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) nesta semana em busca do cachorro paraplégico que tinha visto nas redes sociais. "Meu interesse era pegar um bichinho que ninguém quisesse", confessa. No local, os profissionais logo souberam por quem Luana estava interessada.

Conhecido por ser o "cãozinho-propaganda" da Campanha Antirrábica do ano passado, Ceninha foi vítima de um atropelamento aos seis meses. Debilitado, o filhote foi resgatado pela equipe do CCZ, responsável por submetê-lo a exames veterinários, que constataram uma fratura em sua coluna vertebral.

Desde então, Ceninha passou a contar com os cuidados de especialistas e chegou a fazer tratamentos especiais, como acupuntura e fisioterapia. Mesmo assim, as sequelas físicas eram irreversíveis e Ceninha não voltou a apoiar as pernas traseiras com firmeza para andar.

No entanto, nada tirou do entusiasmado filhote a vontade de brincar e de viver em igualdade com outros cachorros. A saída encontrada pelo CCZ foi equipar Ceninha com uma cadeira de rodas adaptada, especialmente confeccionada para atender as necessidades.

Daí, veio o apelido. Batizado em alusão à Ayrton Senna, conhecido piloto brasileiro de Fórmula 1, Ceninha se adaptou facilmente ao equipamento e não demorou a correr diariamente pelas dependências do local, sempre de forma ágil e enérgica.

'À PRIMEIRA VISTA'

"Foi amor à primeira vista", declara Luana, entusiasmada. "Mãe de pet", a professora adotou o cachorro após ele esperar por um novo lar durante os últimos três anos. "Já é difícil as pessoas adotarem um animal adulto, imagina com deficiência", pontua.

Além de Ceninha, Luana é dona de outros dois cães, Led e Raul, e dois gatos, Jani e Zé. Segundo ela, a adaptação na nova casa tem sido tranquila. Nada tímido, Ceninha já se enturmou com os novos colegas. "Ele não para um segundo", declara Luana, em meio a risos.

Valéria Medina, chefe da Seção de Controle de Zoonoses, destaca que a equipe da unidade recebeu a visita de Luana com muita emoção. "Achávamos que ele nunca fosse ser adotado", confessa. Valéria justifica que a adoção de um animal com deficiência demanda cuidados que nem todos têm ou poder ter.

"Ficamos muito felizes que ainda há pessoas que não se importam com deficiências na hora de adotar", diz, emocionada. "O Ceninha não poderia ser melhor acolhido", ressalta, finalizando que o cachorro é muito inteligente, amoroso e ativo.

"Ele é absurdamente amoroso", confirma Luana. Ela entende como aspecto positivo da adoção o carinho oferecido pelos animais. "O amor dado por eles não tem preço", conclui a professora.

Outros ainda buscam uma família...

Mesmo com a saída de Ceninha, o CCZ ainda tem dificuldades para encontrar adotantes interessados em animais com deficiência. Hoje, a unidade conta com outros três cachorros e uma gata com deficiência e à espera de uma família. Entre eles, estão um cachorro chamado Pata, com problema em uma das pernas, e duas cadelas. A gata, de nome Fia, possui traumatismo na coluna. Além deles, um cachorro de nome Veio, com idade avançada, espera também por um novo dono. O CCZ fica na rua Henrique Hunzicker, Jardim Redentor /Cecap, próximo ao Cemitério do Jardim Redentor. Funcionamento: segunda a sexta-feira, das 8h às 16h.?