08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Elogio à cegueira

Benedito José Almeida Falcão
| Tempo de leitura: 1 min

Nietzsche, em sua obra Além do Bem e do Mal, afirma que o homem que vive num "rebanho", vive na ausência de pensamento próprio e assim reproduz ideias vulgares, vive no empobrecimento cultural... Opinião similar foi exposta de forma bem mais sintética por Nelson Rodrigues, ao afirmar que "Toda a unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar".

Se analisarmos a essência desses pensamentos, veremos que, a contrário senso, a diversidade de pensamentos e opiniões é salutar entre pessoas civilizadas, sociedades evoluídas e ainda mais para as democracias.

Portanto, insistir em ver o mundo e a existência humana pautada apenas por duas cores - vermelho e verde oliva - é muito pobre e triste. Chego a concluir que pior cego não é o que não quer ver, mas sim o que enxerga muito pouco e vê o mundo bicolor... aquele que quer que todo mundo desfrute de sua limitação.

Assim, prefiro fechar os olhos totalmente às tendências das cores políticas da moda... fazer-me cego à mediocridade dos extremos, tomando minhas decisões não por modismo, mas pela análise profunda e equilibrada das ideias... sem tentar impor minhas convicções a ninguém.

Afinal, o almoço pode não ser grátis, mas o pensamento, além de gratuito, deve ser livre, sr. Adalgizo.

Por isso me causa estranheza um grupinho de pessoas que se reveza nesta coluna tentando manipular os leitores e "empurrar" o Bolsonaro a qualquer custo goela abaixo do povo. Quanto oferecimento! Chego a desconfiar. Como disse Ataulfo Alves: "Laranja madura, na beira da estrada, tá bichada Zé ou tem marimbondo no pé!"