Sigo agora a procura de mim, depois de ter procurado por muitos anos por outras pessoas e assim ter me desviado cada vez mais do propósito presente de me encontrar.
Nesses anos todos, talvez por não saber exatamente quem sou, colecionei muitos fracassos e o bem que tive poderia chamar de acaso, mas prefiro o nome de Deus que não economizou no que me deu.
Mas fica mesmo difícil buscar metas sem saber do que realmente precisamos para sermos felizes. Por isso resolvi partir hoje nesta nave sem armas e sem ódios, apenas com minhas dores, um pouco físicas, porém, as mais doídas são as machucaduras da alma, muitas delas por não compreender as coisas e pessoas, noutras por não compreender a mim mesmo.
Por isso talvez sem ter muito mais o que perder, despi-me do medo de voar alto, de voar longe, isso que para maioria das pessoas seria dar apenas um rolê.
Considero isso que poderia causar risos em algumas pessoas se comparado proporcional a ter recebido um par de asas que poderão ser gêmeas das que fizeram voar Ícaro (voou com par de asas colados com cera e ao chegar muito perto do sol a cera derrete e ele cai e morre) ou, mais prudente, como as asas dos anjos que não participaram da rebelião (dos anjos que ficaram ao lado de Lúcifer, o anjo caído) e continuaram nas graças do Criador.
Agora descobri ainda em tempo que também posso voar com as asas da liberdade. Liberdade que muitas vezes são tiradas por nós mesmos, então, exercitemos nossas asas, não sendo nossos próprios carrascos.
"Voar, voar, Subir, subir, ir por onde for até o céu cair ou mudar de cor" (Biafra)