09 de julho de 2026
Geral

Coça, coça, coça: urticária afeta até 2 milhões, mas ainda é desconhecida

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 2 min

Tudo começa com uma lesão avermelhada e levemente inchada, como um vergão, que aparece na pele e coça, coça muito. E ela pode surgir em qualquer área do corpo. Pode ser pequena, isolada ou se juntar com outras, formando grandes placas avermelhadas, mas sempre acompanhadas de coceira. De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a urticária afeta entre 0,5% e 1% das pessoas, algo entre 1 milhão a 2 milhões de brasileiros. Nesta segunda-feira, inclusive, é Dia Mundial da Urticária, data que alerta para a doença.

Tais idas e vindas de manchas vermelhas pruriginosas podem ter algum fator desencadeante algo que tem que ser investigado pelo paciente em parceria com o médico ou se dar sem razão aparente. Nesse último caso, ela recebe o nome de urticária crônica espontânea.

A doença, menosprezada por boa parte da população por falta de conhecimento, divide-se em urticária aguda, crônica, induzida ou espontânea (veja mais no quadro acima). De acordo com o dermatologista Ivander Bastazini Junior, independente de aguda ou crônica, em alguns casos, a urticária pode causar dores e desconfortos mais significativos.

"A gente considera urticária aguda quando a duração é de até seis semanas. Disso pra frente, é considerada urticária crônica. O fato de se ter uma urticária crônica, não quer dizer que ela seja intensa. Pode haver urticárias agudas em que a pessoa vá parar no pronto-socorro, com inchaço e coceira e, em outros casos, vá conviver a vida inteira com uma urticária crônica com uma intensidade não tão acentuada", afirma.

POUCO CONHECIDA

Uma pesquisa inédita realizada pela Ipsos no Brasil a pedido da Novartis, em março de 2018, apontou que 91% da população desconhece totalmente a doença. Boa parte associa a condição ao estresse, por exemplo. "Muita gente já ouviu falar sobre a urticária, mas não sabe o que representa e nem que intensidade isso pode ter. Não existem confirmações que o estresse possa causar urticárias e o calor também não. Mas, pode aumentar a sensação de desconforto", comenta. Segundo ele, existem muitas causas para a urticária, como medicamentos - na maioria dos casos agudos -, alimentos industrializados, produtos e até vermes intestinais.

Grande parte dos pacientes no Brasil relatam que levam anos para chegarem a um diagnóstico correto e, em razão disso, 67% dos pacientes desistem de procurar um médico. "Essa é uma doença de fácil diagnóstico, mas, achar a causa, que é o principal para o tratamento, é difícil", diz Ivander Bastazini Junior.

TRATAMENTO

Quem tem sintomas recorrentes parecidos com uma alergia e que não consegue descobrir a causa, precisa, antes de tudo, buscar um médico especialista (alergista ou dermatologista). "As pessoas devem procurar um médico para o diagnóstico correto. Em alguns casos, é possível que a pessoa use um antialérgico, que pode aliviar um pouco os sintomas a tempo de ela procurar um atendimento médico adequado. No caso de uma crise acentuada com grandes áreas corporais atingidas ou, principalmente, com falta de ar, o paciente deve procurar um pronto atendimento imediatamente", finaliza.