| Douglas Reis |
| Trio condenado: José Carlos Vieira Silva (da esq. para dir.), Zenaldo Leite da Silva e Otacílio Godoy |
| Arquivo Pessoal |
| Otacílio e Cleide em foto em formato de coração do arquivo da família |
Após mais de 13 horas de julgamento, três homens foram condenados pela morte de Cleide Aparecida Gallindo Godoy, 55 anos, assassinada a tiros em junho do ano passado em uma estrada de terra entre a Vila São Paulo e o Núcleo Gasparini. Um dos autores do crime é o próprio marido da vítima, Otacílio Godoy, 56 anos, que arquitetou o homicídio e contratou dois homens para executar a esposa, simulando um latrocínio (roubo seguido de morte).
O motivo, conforme reconheceu o júri, foi torpe. A promotoria sustentou que Otacílio queria ter acesso a um seguro de vida, no valor de R$ 60 mil, que Cleide havia contratado apenas três meses antes de sua morte. Familiares também revelaram que, além do dinheiro, o réu tinha planos de se separar da esposa para assumir um relacionamento com uma mulher bem mais jovem, que seria sua amante.
Otacílio foi condenado a 14 anos de prisão em regime inicialmente fechado por homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e uso de emboscada, já que Cleide foi levada por ele ao local do crime, sem saber que sua morte havia sido planejada. A mesma pena foi aplicada a Zenaldo Leite da Silva, 37 anos, um dos comparsas contratados por Otacílio e apontado por ele como autor dos três disparos que mataram Cleide ainda dentro do carro em troca de recompensa financeira.
Já o terceiro réu, José Carlos Vieira da Silva, 26 anos, teve a pena atenuada porque os jurados entenderam que ele teve participação de menor importância no homicídio. Ele foi condenado a nove anos e dois meses de prisão.
Conforme revelaram as investigações, em tese acolhida pelo júri, foi José Carlos quem colocou Zenaldo em contato com Otacílio e teria levado o comparsa de moto até Bauru, a 150 quilômetros de distância de Ibaté (SP), cidade de origem de ambos.
'QUE ELES PAGUEM'
Após o longo e desgastante julgamento de horas, familiares da vítima se mostraram descontentes com as penas e alguns até clamaram por justiça divina.
"Com tanta dor que foi causada, a família quer que eles paguem pelo que fizeram. Minha mãe não vai voltar mais, mas eles precisam ficar bastante tempo na cadeia para nunca mais pensar em tirar a vida de ninguém", argumentou a filha de Cleide e Otacílio, Adriana Godoy. Desde a morte da mãe, ela deixou de chamar o acusado de pai e nunca o visitou na prisão.
Um dos aspectos que contribuiu para o resultado foi o fato de nenhum dos réus ter antecedentes criminais. Casado há mais de 30 anos com Cleide, Otacílio sustentou que encomendou o crime porque a esposa havia revelado, cerca de 15 dias antes, que o caçula do casal era filho do irmão do réu e que, por isso, teria "perdido a cabeça".
Sustentou, também, que não tinha conhecimento sobre o seguro de vida feito por Cleide. Porém, segundo a filha Adriana, a família sabia da medida de precaução, porque a mãe passaria por uma cirurgia no coração e queria proteger financeiramente os filhos.
Ainda de acordo com familiares da vítima, era Otacílio quem traía a esposa ao longo de todo o relacionamento. Eles dizem, inclusive, que ele foi localizado pela Polícia Civil um mês após o crime na companhia da suposta amante, por quem havia se apaixonado.
O CRIME
Cleide Godoy foi morta em 10 de junho de 2017, após realizar um saque de R$ 1 mil na região da Vila São Paulo. Ela carregava mais R$ 5 mil em uma bolsa, que foi levada pelos criminosos, na tentativa de convencer a polícia de que se tratava de latrocínio.
Vindos de Ibaté, Zenaldo e José Carlos abordaram o veículo em que ela e o marido estavam em uma estrada de terra, por volta das 21h15. Cleide foi morta com três tiros ainda dentro do carro.
Durante o julgamento, Zenaldo sustentou que Otacílio fez os disparos. Já o marido da vítima e José Carlos disseram que foi Zenaldo quem apertou o gatilho. Nessa terça-feira (9), eles mudaram a versão apresentada inicialmente à polícia, de que haviam sido contratados para matar "um desafeto" de Otacílio.
Ao júri, disseram que foram acionados pelo morador de Bauru para realizar "um serviço" e que não receberiam recompensa para tanto - apenas R$ 1 mil para gastos com combustível e alimentação. Inicialmente, ainda de acordo com estas versões, quando chegaram na cidade, Otacílio teria dito que se tratava de um assalto e dado uma arma descarregada nas mãos de Zenaldo. Somente depois teria revelado que a intenção era matar a própria mulher.