| Fotos: Douglas Reis |
| Prédio, que fica na quadra 1 da avenida Comendador Daniel Pacífico, Vila Falcão, está abandonado |
O antigo 1.º Distrito Policial (1.º DP), na Vila Falcão, deverá virar, agora, um Centro de Referência da Assistência Social (Cras). Há cinco anos abandonado, o lugar seria destinado ao Núcleo de Atendimento Integrado (NAI), mas houve uma mudança de planos. Contudo, até que tudo saia do papel, o prédio, situado na quadra 1 da avenida Comendador Daniel Pacífico, segue em estado de abandono e os vizinhos temem pela segurança.
| O medo é tanto que os vizinhos sequer deixam as crianças saírem de casa para brincar na rua |
Segundo o titular da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), José Carlos Augusto Fernandes, na época em que o poder público anunciou a implantação do NAI, serviço destinado a adolescentes infratores, no prédio do antigo 1.º DP, a situação financeira do município e do Estado era outra. Como, hoje, ambos não têm recursos para tanto, foi necessária uma mudança de planos.
Assim, a ideia, agora, é construir mais um Cras para a cidade no local. O fato, porém, depende de autorização do governo estadual. "O Estado só repassou a gestão do prédio ao município para a implantação do NAI. Como o projeto não é viável neste momento, preciso que o governo libere o uso do espaço para o Cras. Caso contrário, não posso mexer em nada", argumenta Fernandes.
Em março deste ano, o município solicitou esta nova destinação do prédio ao Estado, que, recentemente, pediu que a prefeitura anexasse ao processo um projeto acerca do Cras, cujos recursos para a sua construção já estão previstos no Orçamento do ano que vem.
Já sobre o projeto envolvendo o NAI, Fernandes complementa que ele ficará, no momento, engavetado.
Acionada, a assessoria de comunicação da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP) alega que o pedido de troca da destinação do prédio foi recebido pelo órgão, que solicitou o projeto de implantação do Cras ao município. O documento foi entregue no início de outubro e está em análise.
ABANDONO
Enquanto os trâmites burocráticos seguem, os moradores do entorno do local vivem com medo. Uma dona de casa de 50 anos, que vive na vizinhança e pediu para ter a identidade preservada, confessa que deixou de lado aquela antiga prática, de colocar a cadeira na calçada, em frente à sua casa, todo final de tarde e conversar com os vizinhos mais próximos.
Para piorar, há dois meses, a residência da mulher foi invadida. Por sorte, havia gente dentro de casa e o suspeito acabou fugindo sem levar qualquer objeto ou machucar algum morador. "O uso de drogas se dá até durante o dia", acrescenta, inconformada.
Por isso, outra moradora da região, de 32 anos, não deixa os filhos brincarem na rua. "Antes, deixava o portão aberto. Agora, não tenho mais coragem", observa.
Vizinho desta mulher, um mecânico de 60, diz que os fios da sua casa foram furtados três vezes e reclama da falta de policiamento. "Muitos ficam em semáforos pedindo dinheiro para comprar drogas e as consomem dentro do prédio", descreve.
116 PRISÕES
Questionado sobre esta sensação de insegurança da região da Vila Falcão, o 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I) esclarece, em nota, que o policiamento do local é feito pelo Programa de Rádio Patrulha, através do Plano de Policiamento Inteligente.
"Tal procedimento consiste em analisar todas as áreas de interesse da segurança pública, com base nos registros de ocorrências e/ou denúncias direcionadas à PM pelo 190 ou por outros meios de comunicação", aponta
Do início deste ano até o momento, a 3.ª Companhia, responsável pela região, realizou 116 prisões em flagrante no entorno do prédio.
Por outro lado, a corporação ressalta que "o problema só será resolvido quando houver destinação ao espaço. Enquanto isso não acontece, solicita que as vítimas de qualquer tipo de crime procurem pela PM ou pela Polícia Civil".