09 de julho de 2026
Geral

Médicos enfrentam 'fake científicos''

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.
Marcos Cabello dos Santos, presidente regional da APM, fala sobre os desafios da profissão

Se a tecnologia ajuda - e muito - os médicos, cujo o dia é celebrado hoje, uma premissa é certa: também é o conhecimento difundido a partir da tecnologia, no caso a Internet, o responsável por alterar a forma como o paciente chega ao consultório. Atualmente, os profissionais precisam enfrentar o ''fake científico', informações infundadas que os pacientes encontram de fontes desconhecidas na web e adotam como verdades absolutas. Em média, mais da metade das consultas é consumida na desconstrução dessas ideias.

Quem atesta essa realidade é o presidente da Regional Bauru da Associação Paulista de Medicina (APM), Marcos Cabello dos Santos. "Muitas vezes, durante a consulta, o profissional se depara com alguém que chega dizendo: 'quero fazer um exame para detectar todos os níveis de minerais do meu corpo''", exemplifica.

E o exemplo tem pertinência. Isso porque, graças ao popular ''Dr. Google', muito paciente acha que, por ler este ou aquele artigo, sabe qual a doença que tem. "Na verdade, já há estudos comprovando o uso de 50% do tempo de uma consulta somente para explicar que nem tudo o que a pessoa leu é confiável. Como vocês, jornalistas, sofrem com as 'fake news' (notícias falsas), nós sofremos com os 'fake científicos''". 

''MEDICINA É COMPLEXA''

Por ''fake científicos', Cabello define os artigos escritos por pessoas que não têm o conhecimento exato para dominar o assunto. Ele relata que os médicos passam muito tempo desconstruindo informações inverídicas, quando poderiam estar construindo relações menos superficiais entre médico e o paciente. "A medicina é absolutamente complexa, com grande quantidade de variáveis", complementa.

Diante dessa outra premissa, Marcos Cabello ressalta o que ele considera o grande mérito da medicina. "É a conjunção entre o profissional querendo ajudar e quem precisa de ajuda. Esse é o grande milagre", diz, para lembrar que, hoje, o maior desafio do profissional  é se tornar acessível a todos. "O que os Conselhos de Medicina e Associações, enfim, nós da APM, apregoamos, é a humanização e a universalização do atendimento. Qual é o nosso maior desafio? Tornar a medicina acessível a todas as  pessoas, independente de classe social".

VALORIZAÇÃO

"Somos uma das únicas profissões, se não a única, onde o profissional precisa investir muito mais do seu tempo, quase o dobro, depois de formado para poder exercer o ofício. E queremos isso, queremos qualificação mesmo, queremos boas escolas. É a única profissão que demanda mais tempo de estudo até depois de formado. Você precisa estudar outro tanto para ser um bom profissional.  Mas, se precisamos de qualificação e valorização, que esse conhecimento seja difundido de forma mais humana, exercido por profissionais éticos. O mau profissional vai causar muito mais prejuízo do que a falta do profissional", lembra.

E o médico ainda vai além: "O mais importante é o ser humano que vem na frente. Então, não importa formar mais técnicos, e sim bons médicos, desenvolver o lado mais humanizado", finaliza Marcos Cabello.

EM NÚMEROS

Bauru tem uma média de 3,6 médicos para cada mil habitantes, quando a Organização Mundial de Saúde recomenda de 1 a 1,5 para cada mil. Mas o número cai para 0,3 quando se trata da especialidade pediatria e cardiologia. "Temos ainda aquela situação dos anos 80 e 90, quando se falava que o Brasil era a Belíndia, ou seja, alguns indicadores iguais aos da Bélgica - os melhores do mundo - e outros iguais aos da Índia", conjectura Marcos Cabello. 

A 7.ª Região Distrital da APM abrange os profissionais dos municípios de  Águas de Santa Bárbara/Santa Bárbara do Rio Pardo, Agudos, Arealva, Avaí, Balbinos, Bauru, Cabrália Paulista, Iacanga, Lucianópolis, Pirajuí, Piratininga (Piratinga), Pongaí, Presidente Alves, Reginópolis, Tibiriçá e Uru. 

Saiba mais

O Dia do Médico é celebrado hoje em grande parte do mundo em referência ao Dia de São Lucas, o Padroeiro da Medicina. Os países que não adotaram o nascimento do santo como Dia do Médico costumam escolher realizações ou profissionais importantes no mundo da medicina. Nos Estados Unidos, por exemplo, a data é comemorada em 30 de março, quando a anestesia foi administrada pela primeira vez em um paciente.