08 de julho de 2026
Cultura

Dia de Molière

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 4 min

Victor Iemini/Divulgação
Musical traz a Bauru a disputa entre ‘Comédia’ e ‘Tragédia’ e discute a busca pelo poder

Matheus Nachtergaele e mais de uma dezena de atores e músicos encenam hoje à noite, no Teatro Municipal, uma disputa bem-humorada entre a Comédia e a Tragédia e discutem valores como a busca pelo poder. "No espetáculo, tudo é metáfora, mas, na verdade, mais real e mais atual não poderia ser neste momento de eleições", diz o ator Matheus Nachtergaele, ele próprio encarnando o dramaturgo Molière, mestre da Comédia no teatro francês. 

Em entrevista ao Jornal da Cidade, Matheus vai pontuando o entusiasmo pela obra. Devagar, ele escolhe as palavras para não cair no exagero e, ao mesmo tempo, fazer jus à receptividade que a obra vem tendo e à data - uma feliz coincidência, "muito feliz" -, que coincide com o momento político do Brasil.

"A escritora e dramaturga mexicana Sabina Berman é muito conceituada no Canadá, Estados Unidos, Europa. E agora a gente conseguiu trazer um texto dela para o Brasil,  pela primeira vez. Ela é inédita aqui, criou uma fábula para falar da relação das pessoas com o poder", pontua.

"Imagina você que no texto tudo é metáfora, mas é tudo tão real que quando começamos a turnê no Interior, por Uberlândia, a apresentação foi no dia da votação do primeiro turno. Então, o público reagiu muito bem.  Fomos muito aplaudidos, a emoção foi muito grande, houve muita receptividade", conta, para emendar: "Quando o teatro assume o poder de conversar sobre o aqui, o momento, sobre os problemas e dúvidas do ser humano, ele, o teatro, consegue ser tudo aquilo que deve ser, uma cerimônia sem dogmas para a gente poder conversar sobre o futuro da humanidade. Quando se consegue isso, é encantador". 

"Então,  nestes dias de eleição, o texto ganhou um sentido muito surpreendente para nós, é absolutamente política, mas não é. Ao mesmo tempo, é cheia de riso e também, trágica. Como a vida. A autora vai cativando pela comédia e pela chanchada e vai se perguntando sobre até que ponto vale a pena a gente abrir mão dos sonhos pelo poder, no caso, pelo dinheiro".

A identificação, segundo, ele, está não apenas no embate entre um grande comediante, Molière, e a Tragédia, personificada pelo poeta Jean Racine (Elcio Nogueira Seixas), mas também pela presença do rei Luís (Nilton Bicudo) - o poder infantilizado e alienado de quem nasce na fortuna - e a presença do grande entusiasta da guerra, Monsenhor Péréfixe (Renato Borghi), que deseja manipular os corações e consciências.

A mesma boa receptividade que teve na estreia na turnê interiorana (depois do sucesso no Sesi, em São Paulo), Matheus espera que ocorra em Bauru. Neste giro, o grupo já se apresentou em Piracicaba e ontem estaria em Lençóis Paulista e, este final de semana ainda percorre os palcos de Bauru e Marília.

MUSICALIDADE DE CAETANO

Além de tentar  responder a questões tipo é "mais nobre fazer o público rir ou chorar? Os artistas devem mostrar o mundo como ele é ou como deveria ser? Até que ponto aqueles que criam devem submeter-se à vontade daqueles que pagam?", há também o destaque da musicalidade da obra. 

Tudo é embalado por músicas de Caetano Veloso, executadas ao vivo e com arranjos originais do maestro Gilson Fukushima. Há outra grande credencial para que o espetáculo seja sucesso: é dirigido por Diego Fortes, ganhador do Prêmio Shell em 2017 pelo espetáculo O Grande Sucesso.

Sinopse

O ilustre dramaturgo Molière (Matheus Nachtergaele), mestre da Comédia, e o estreante autor épico Jean Racine (Elcio Nogueira Seixas) travam uma luta tragicômica, repleta de trapaças e reviravoltas, pelo domínio dos palcos da corte de Luiz XIV, o Rei Sol (Nilton Bicudo). O fanático Arcebispo Péréfixe (Renato Borghi), entusiasta da guerra, se aproveita do conflito entre os artistas para banir do reino o próprio Teatro, instaurando no país uma era de censura, violência e sacrifício.

SERVIÇO

Molière estará no Teatro Municipal de Bauru hoje (19), às 20h. Tem duração de 120 minutos e a classificação para maiores de 14 anos.

Os ingressos tem preços diferentes: cliente com o cartão do Plano de Saúde Unimed clientes da Porto Seguro (um acompanhante) pagam R$ 50,00. Meia: R$ 40,00 (estudantes, professores, pessoas 60 anos, com carteirinha comprovatória).

Inteira: R$ 80,00. Estão à venda na lLoja Roth Store (avenida Getúlio Vargas, 5-9), bilheteria do Teatro após 14h e online: https://www.MegaBilheteria.com. Mais informações, (14) 9.9833-6199 (WhatsZapp).

Texto: Sabina Berman | Tradução: Elcio Nogueira Seixas e Renato Borghi | Adaptação: Diego Fortes e Luci Collin | Direção: Diego Fortes | Elenco: Matheus Nachtergaele, Renato Borghi, Elcio Nogueira Seixas, Nilton Bicudo, Rafael Camargo, Luciana Borghi, Georgette Fadel, Regina França, Marco Bravo, Débora Veneziani, Edith de Camargo, Fábio Cardoso, Maria Fernanda, Beatriz Lima | Cenografia: André Cortez | Figurino: Karlla Girotto | Direção Musical: Gilson Fukushima | Iluminação: Beto Bruel e Nadja Naira | Fotos: Eika Yabusame, Jamil Kubruk, Luísa Bonin, Paulo Uras| Assessoria de Imprensa: Adriana Monteiro- Ofício das Letras | Produção Executiva: Jamil Kubruk | Direção de Produção: Camila Bevilacqua e Fioravante Almeida | Coordenador de Produção: Luís Henrique Daltrozo (Luque) | Produção: Lady Camis e Daltrozo Produções | Idealização e Execução: Teatro Promíscuo e Flo Produções.