Por que alguém se torna professor (a)? Por que essa escolha? Muito se fala do Bullying nas escolas, mas de uma forma geral por parte dos alunos, atualmente, o Bullying é reconhecido como problema crônico nas escolas, e com consequências sérias, tanto para vítimas quanto para agressores. Hoje, nos tempos da era digital, como lidar com os diferentes perfis dos alunos dentro e fora da sala de aula? Indisciplina: como prender atenção dos alunos, fazer uma aula diferente, já que muitos perderam interesse nos estudos?
Mas hoje eu quero falar um pouco da minha rotina dentro e fora da sala de aula. Ser professora é uma profissão que exige muito mais do que o ensinar. Vou contar um pouco da minha história. Logo que nasci fui deixada para adoção no abrigo Nosso Lar, de Jaú, com uma deficiência congênita na face, de lábio e palato. Claro que seria difícil alguém aceitar. Naquele tempo não se falava tanto em inclusão como nos dias de hoje.
Fui abençoada e logo fui adotada em uma família de 8 filhos, todos adotivos, minha mãe lutou muito para seguir corretamente o meu tratamento aqui em Bauru, o lugar certo, pois o Hospital de Anomalias Crânio Facial, mais conhecido como Centrinho, fica aqui e um tratamento leva uma vida inteira de cirurgias, terapias de fonoaudiologia e acompanhamento por uma equipe multidisciplinar. Em meu rosto, tenho as cicatrizes das 17 cirurgias que fiz em meu longo tratamento. Aos meus 47 anos, ainda estou em acompanhamento. Como consequência, tenho marcas que ficaram das cirurgias no rosto e a fala fanhosa.
O tempo passa e chega a hora de buscar um emprego, uma profissão, então resolvi que seria professora. Bom, mas aí vem outra história que vai ser longa também: tudo começou na faculdade e logo percebi, em busca do meu primeiro estágio, que tinha pela frente mais um grande desafio para alcançar meu objetivo profissional. A maior parte das minhas amigas já trabalhavam na área, fui em várias escolas, deixei meu currículo em busca de um estágio, até fui chamada para entrevistas muitas vezes, mas nada...
Ansiosa, sempre de olho no telefone, será que hoje eu consigo? Desta vez acho que vai dar certo, era só uma esperança, mas não era ainda desta vez. Foram dias e dias em busca. Amanhã eu vou começar a levar currículo novamente.
Certa vez ouvi de alguém: - Está difícil a vida de professor, como você pretende atuar na área, vai se acostumando, a vida de professora não é fácil, ainda mais que os alunos irão questionar você, sua voz, vai ter problemas até eles acostumarem. Continuei a caminhar, insisti e persisti. É meu objetivo e não desisto, vou ser professora, mas nada foi fácil, é difícil começar na luta do dia a dia, confesso que muitas vezes fiquei triste e desamimada. Dia 26 de junho era o meu dia. Minha hora chegou, o telefone tocou, a vaga é sua.
Às vezes recebo alguns questionamentos sobre minha deficiência, e simplesmente digo: - Nasci assim. No dia 15 de outubro comemorou-se o Dia do Professor. Tenho muito a agradecer. Resolvi falar um pouco sobre as minhas dificuldades e desafios, pois esta profissão, na sua rotina em sala de aula, é preciso muito mais do que ensinar, é preciso primeiro aprender a conviver com as diferenças, indisciplina de alguns alunos, enxergar aquilo que os nossos olhos não veem. Cada um tem seu tempo, sua maneira de fazer as coisas, seu limite não igual ao meu para você pode ser fácil, mas para ele não.
Apesar das pedras no caminho e das pessoas que insistem em nos desanimar, prefiro lembrar e falar de você que, com seu trabalho, me ajudou a inscrever mais um capítulo da minha história, desta vez muito e muito feliz. Você, minha amiga, que eu admiro como ser humano maravilhosa que é, principalmente pela diretora exemplar, amiga, humana, generosa muito e muito dedicada, sempre atenta às necessidades. A cada dia que passa aprendo mais e mais, me acolheu com um sorriso no rosto, me deu um abraço carinhoso de boas-vindas, me lembro muito bem, nem sabe o bem que me fez, em meu primeiro dia de trabalho.
Com toda sua experiência, sabe bem como é começar o primeiro dia de aula, né?! Alegria e emoção se misturam com a ansiedade e também responsabilidade. Então, mais uma vez te agradeço pela oportunidade, minha diretora Jeane Oliveira Cavalieri, e você, meu apoiou sempre presente nas horas necessárias, coordenador Wellington Nascimento, e, claro, a você Marcia Soares Pereira, uma luz a mais que brilha com sua missão também.
Gratidão a todos pela oportunidade.