11 de julho de 2026
Geral

Escola estadual usa foguetes para fazer a ciência 'decolar'

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Douglas Reis
Os estudantes da 1.ª e 2.ª séries do Ensino Médio da unidade de ensino lançaram 32 foguetes

Ao conciliar teoria e prática, 106 alunos do Ensino Médio da Escola Estadual Professor José Aparecido Guedes de Azevedo (carinhosamente apelidada de Jaga), na região do Bela Vista, em Bauru, lançaram 32 foguetes confeccionados por eles próprios, fato que os tornou ainda mais próximos da ciência.

Entusiasmado, o coordenador da iniciativa e professor de Física do colégio, Luiz Fabiano Lopes, explica que, quando o estudante experimenta, guarda o que aprendeu para sempre. "Se ele ver, ouvir ou ler alguma notícia sobre o lançamento de um foguete real, já sabe como tudo funciona. A ciência, portanto, fica mais palpável", acrescenta. 

Já o professor de Física e Química da escola, André Luiz Gazoto, que também coordenou a atividade, acredita que seja possível compreender ambas as disciplinas do Ensino Médio, temidas por muitos, de forma lúdica. "Em seguida, as implicações teóricas serão discutidas em sala de aula", completa.

Diretora da escola, a professora Luciana Pegoraro de Mello e Silva argumenta que o fato de a escola ser integral faz toda a diferença neste contato mais próximo com a ciência, já que permite a conciliação entre teoria e prática. "O currículo é riquíssimo e os professores trabalham com dedicação exclusiva", exalta.

A ATIVIDADE

Há alguns anos, o colégio realiza esta atividade em um terreno baldio situado na quadra 1 da avenida Nuno de Assis, na região do Bela Vista, perto da escola. Na última quinta-feira, os alunos, da 1.ª e 2.ª série do Ensino Médio, se dividiram em 32 grupos e pareciam participar de uma gincana, na qual cada equipe criava o próprio grito de guerra.

Entretanto, os adolescentes levaram a atividade a sério, afinal, passaram dois meses confeccionando os foguetes, feitos, majoritariamente, de garrafas PET, isopor, papelão e pastas escolares.

Fotos: Douglas Reis
O estudante Yuri Matheus Sato Oliveira da Silva participa da iniciativa desde o ano anterior

Já a aluna Beatriz Vitória Macedo pretende aplicar o que aprendeu no vestibular para Medicina

O professor André Luiz Gazoto esclarece que o que leva o equipamento a voar é a 3.ª Lei de Newton. "O foguete é preenchido com água e ar comprimido. O líquido tende a sair depois que atinge certa pressão e impulsiona o objeto, que pode atingir um alcance de aproximadamente 300 metros. É ação e reação".

Ainda segundo André, no caso dos foguetes reais, não se usa água. Geralmente, é produzida a combustão interna, mas a ideia é a mesma, ou seja, gerar pressão para impulsionar o equipamento em outra direção.

De olho no vestibular

Estudante da 2.ª série do Ensino Médio da Jaga, Beatriz Vitória Macedo, de 16 anos, narra que, neste lançamento, aprendeu sobre a 3.ª Lei de Newton, a gravidade, o peso do foguete e a influência exercida pela atração da Terra. "Pretendo fazer Medicina e creio que esta atividade vá me ajudar bastante no vestibular", constata.

Colega de turma de Beatriz, Yuri Matheus Sato Oliveira da Silva, de 16, também quer utilizar tal aprendizado para se dar bem em uma avaliação. "Só que eu quero prestar o concurso da Marinha", frisa.