11 de julho de 2026
Articulistas

Que o novo governo não seja 'Fake'

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

A disputa em segundo turno para Presidência da República para boa parte dos eleitores brasileiros não seria entre Bolsonaro e Haddad. Para aqueles que imaginavam reformas estruturais e não polarização extremada, sem dúvida a disputa entre os dois candidatos surpreendeu.

Chegamos à reta final de uma das eleições mais importantes pós-abertura econômica que se tornou plebiscitária, ou seja, a escolha para muitos será entre o sim e o não. Como dizem, "é o que temos para o breakfast". Assim sendo, vamos relativar e encarar os fatos.

O que esperamos é que o novo governo, seja lá qual for, não seja "Fake". Isso mesmo, que não ocorra um estelionato eleitoral como já observamos em nossa história recente.

Não há milagre na condução deste País chamado Brasil. Seja lá qual for o lado vencedor, é imperativo o equilíbrio das contas públicas. Um País que gasta mais do que arrecada força o crescimento da dívida pública e não gera recursos excedentes para investimentos. Esta cartilha básica terá que ser rezada em sua magnitude.

O tripé que alicerça as economias capitalistas terá que ser praticado ao extremo: câmbio flutuante, metas de inflação e rigor fiscal. Isso dará credibilidade para que as reformas, outro ponto importante, sejam levadas a efeito.

As reformas serão desafiadoras. Não há mais espaço para elucubrações do tipo "a previdência social não tem déficit", "vamos reduzir a carga tributária", "vamos aumentar o Bolsa Família", "vamos desonerar a folha de salários", "vamos isentar do imposto de renda quem ganha até cinco salários mínimos", "vou suspender o teto dos gastos" e tantas outras propostas populistas que não apontam suas fontes de financiamento. Para não ser "Fake" será preciso entender que decisões simplistas não têm espaço e sequer tempo para teste.

Outra questão primordial será a aproximação com os novos componentes do Congresso, entender e aceitar sua renovação e acima de tudo apresentar propostas que sejam concretas e que efetivamente melhorem o modelo econômico vigente, sem aventuras, mexendo nas feridas, sempre colocando o senso coletivo acima dos interesses corporativos ou individuais.

Serão quatro anos de muito trabalho, em um País que cansou da corrupção, dos desvios, de uma classe política que atua de maneira desastrosa (com exceções evidentemente) e que seu povo deposita esperança em nova forma de governar.

O passado recente nos condena e os "Fakes" deste passado não podem ser reproduzidos para o futuro. Se quisermos construir mais do um País e sim uma verdadeira Nação, os governantes e o Presidente da República em especial, deverão inaugurar uma nova forma de fazer política: voltada para os interesses de todos, com atitude de verdadeiros Estadistas.

Se as eleições deste ano foram marcadas pelo avanço das redes sociais e do uso da "fake news", que ao menos o eleito não nos decepcione fugindo do rótulo de ser um presidente "Fake". Por último, um pedido e um alerta: domingo próximo, muito critério na hora de votar.

O autor é aconomista, articulista do JC. Está no Youtube no canal Planeta Economia.