Jair Bolsonaro cobra uma retratação por "agressões nazistas"
Candidato usou o Twitter para críticas à jovem
| Ricardo Moares/Reuters |
| Bolsonaro usou redes sociais para dizer que espera retratação |
Após tomar conhecimento de que a conclusão do inquérito sobre cortes em forma de suástica no corpo de uma jovem que havia afirmado ter sido atacada na rua, há duas semanas, em Porto Alegre, têm indícios de "autolesão", o candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, partiu para o ataque contra o PT em suas redes sociais no final da manhã dessa quarta-feira (24). O presidenciável acusou o Partido dos Trabalhadores de "mentir", além de usar palavras como "canalhas" e "vagabundos" em suas mensagens.
Bolsonaro usou o Twitter e, em uma primeira mensagem, publicou "Quem espalha notícias falsas? Canalhas! Vagabundos! Sem mentir o PT não existe!". Anexa à mensagem, uma publicação de Fernando Haddad (PT), seu rival no segundo turno da eleição presidencial, em que o candidato petista lamenta o suposto ataque sofrido pela vítima no Rio Grande do Sul logo após que as primeiras notícias sobre o caso foram publicadas.
Jair Bolsonaro disse esperar retratação de quem associou o ocorrido a ele e seus apoiadores. "Esperamos uma retratação de todos os que, mesmo com nosso repúdio, irresponsavelmente e sem provas associaram a nós os casos de pichações e ''agressões' nazistas, hoje revelados falsos pelas autoridades e orquestrados por eleitores de nossos adversários", escreveu o candidato em suas redes sociais.
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul concluiu que os cortes em forma de suástica feitos em uma jovem que disse ter sido atacada na rua, há duas semanas, em Porto Alegre, é um caso de "autolesão". Segundo o delegado Paulo Sérgio Jardim, há indícios de automutilação ou de que tenham sido feitos de forma consentida. A jovem será indiciada por falsa comunicação de crime.
O laudo técnico da Polícia Civil conclui que "pode se afirmar com convicção que as lesões produzidas na vítima não são compatíveis com as que seriam esperadas, na hipótese de ter havido efetiva resistência da parte dela à ação de um agente agressor".
Haddad vai ao TSE solicitar entrevista no lugar de debate
Ele foi cancelado porque Bolsonaro avisou que não irá
| Adriano Machado/Reuters |
| Campanha de Haddad entrou na Justiça com pedido de liminar |
A campanha do candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, entrou nessa quarta-feira (24) com um pedido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para garantir que o petista seja entrevistado pela TV Globo no horário previsto para que a emissora realizasse o debate com o adversário dele no segundo turno, o líder das pesquisas de intenção de voto, Jair Bolsonaro (PSL).
Bolsonaro já anunciou publicamente que não vai comparecer ao debate da Globo, que estava marcado para sexta-feira. A campanha do petista alega que a posição da Globo de cancelar o debate após o não comparecimento de Bolsonaro "não coaduna com o interesse público e, principalmente, com a lisura e rigidez do processo eleitoral verdadeiramente democrático".
"Com esse cancelamento, excelências, será a primeira vez desde a redemocratização que não haverá debates presidenciais no segundo turno. Ou seja, após o fim da censura que era imposta pelo regime militar, será esta a única oportunidade em que o eleitorado não poderá ver e ouvir os candidatos pondo em contraposição os seus projetos de país, dificultando-se a promoção de uma análise comparativa dos debates sincera", diz a coligação de Haddad.
"Em outras palavras, apesar de haver a liberalidade de um player não participar do debate, isto não pode significar a ausência de sua realização, sob pena de deixar o espaço político, próprio deste evento tradicional, vazio e, por conseguinte, prejudicado o processo de escolha do próximo Presidente da República", reforça.
A defesa de Haddad pede a concessão de uma liminar para garantir o direito do petista de ser entrevistado no horário previsto pela emissora para o debate.
Bolsonaro - alvo de uma atentado à faca no início do mês passado - só participou de dois debates em toda a corrida eleitoral, ainda no primeiro turno. Recentemente, contudo, a equipe médica que o atende permitiu que ele participasse de debates, mas ele decidiu não comparecer a esse tipo de evento.