08 de julho de 2026
Geral

Conhecer bem os sintomas dá rapidez ao Código AVC e ajuda a salvar mais vidas

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Natália Sforcin/ACI-Famesp/Divulgação
Simulação de atendimento e de sintomas do AVC foi realizada nessa sexta-feira (27), no Calçadão

Implantado há quase um ano e meio na rede pública de saúde de Bauru, o Código AVC conseguiu reduzir pela metade o tempo de internação de vítimas de acidente vascular cerebral e a taxa de mortalidade após 24 horas sob cuidados médicos. Apesar da significativa melhora nos resultados, especialistas apontam que os números poderiam ser ainda mais expressivos se familiares ou os próprios pacientes conseguissem identificar mais rapidamente os sintomas (confira como fazer isso no quadro no final) e procurar ajuda já nas primeiras horas.

"No País como um todo, ainda há muito desconhecimento sobre como reconhecer o AVC, o que leva à demora para procurar ajuda. E o atendimento médico feito nas primeiras horas é fundamental para garantir a sobrevida do paciente e evitar sequelas", comenta o diretor do Departamento de Urgência e Unidades de Pronto Atendimento (Duupa) de Bauru, Rafael Arruda. Para marcar a necessidade de conscientização sobre o tema, comemora-se, nesta segunda-feira (29), o Dia Mundial de Combate ao AVC.

Em Bauru, o Código AVC é resultado do protocolo estabelecido entre o município e o Departamento Regional de Saúde (DRS-6), que transferiu para o Samu a regulação do acesso destes pacientes ao Hospital de Base (HB) de Bauru. Com a mudança, eles passaram a ser tratados como prioridade e não ficam mais por dias seguidos aguardando liberação de vaga.

Segundo levantamento da Fundação para o Desenvolvimento Médico Hospitalar (Famesp), que administra o HB, até março do ano passado, antes do novo protocolo, o tempo médio de internação dos pacientes era de 12 dias, período que caiu para cinco a seis dias. Já a taxa de óbito após 24 horas de internação, que era de 19%, diminuiu para 10%.

TROMBOLÍTICO

A maior agilidade no acesso aos leitos também permitiu que um número maior de pacientes com AVC fosse submetido a tratamento trombolítico na fase hiperaguda, abrangida pelas quatro horas e meia após o surgimento dos primeiros sintomas. Neste prazo, e dentro de alguns critérios predeterminados, eles recebem a medicação trombolítica, capaz de dissolver o coágulo cerebral e restabelecer o fluxo de sangue.

"O custo deste medicamento, por paciente, ultrapassa os R$ 2 mil. Não é barato, mas, ao garantir melhor evolução do paciente após o AVC, os custos com internação diminuem significativamente", observa a neurologista Marcia Polin, coordenadora da equipe de neurologia do HB.

De acordo com ela, a terapia faz aumentar em 30% as chances de o paciente ficar sem sequelas. O medicamento, contudo, só pode ser administrado em vítimas de AVC isquêmico, que correspondem a 90% dos casos registrados no HB.

Dos 1.017 pacientes internados entre abril de 2017 e setembro deste ano, 189 foram submetidos ao tratamento trombolítico, o que implica em uma taxa de trombólise de quase 20%. Os números se referem a pacientes de Bauru e mais 17 municípios da região atendidos pelo HB.

Ações da campanha em Bauru

Começaram nessa sexta-feira (26) em Bauru as ações da Campanha Nacional de Combate ao AVC. Com o tema "Reerguendo-se após o AVC", a iniciativa marca as atividades do Dia Mundial do Combate ao AVC, celebrado em 29 de outubro.

Na manhã dessa sexta, a primeira ação ocorreu no Calçadão. Equipes do Samu e do Hospital de Base ofereceram orientações sobre como prevenir o AVC e fizeram simulações para alertar sobre os sintomas. A programação segue até 4 de novembro com simpósios e novas ações de conscientização.

A campanha é encabeçada pela Rede Brasil AVC. A programação bauruense é desenvolvida por um grupo multidisciplinar, composto por membros do DRS-6, Secretaria Municipal de Saúde, Samu, Hospital de Base, Hospital Estadual, Casa da Afasia/FOB-USP Bauru, Apae, Sorri e Unimed.

Reabilitação

A detecção precoce dos sintomas do AVC é de fundamental importância diante da oferta de vagas restrita para a reabilitação de pacientes que sofrem com complicações mais graves. Na cidade, o serviço especializado é oferecido na Sorri e Apae, por meio de convênio com o Estado.

"Temos uma média de atendimento de dois pacientes com AVC por dia em Bauru e o paciente que tem alta hospitalar demora para conseguir a vaga", aponta a neurologista Marcia Polin, destacando que a prevenção e controle dos fatores de risco (veja quadro abaixo), a partir da adoção de hábitos de vida mais saudáveis, também são importantes para evitar os transtornos que a doença pode provocar.