O lançamento da autobiografia 'A menina da foto - Minhas memórias: do horror da guerra ao caminho da paz', de Kim Phuc, a menina nua fotografada caminhando por uma estrada por Nick Ut, que se tornou um ícone da Guerra do Vietnã, nos obriga pensar muito sobre a infinita capacidade humana de fazer a guerra.
Kim, com 9 anos em 8 de junho de 1972, quando a foto foi tirada, ainda convive hoje com intensas dores pelas queimaduras sofridas pelo napalm, arma química que que adere à pele e queima os músculos.
Hoje, morando em Toronto, Canadá, ela se submete a tratamento periódico em Miami para combater as sequelas e participa de eventos contra o militarismo.
O ensinamento que o episódio nos traz é amplo. Por um lado, está a discussão do registro da foto e da sua divulgação.
Não são poucos os que são contra esse tipo de jornalismo que mostra cenas de pessoas em estado de fragilidade e degradação, mas o conhecimento público desse tipo de imagem, desde que a produção seja legítima, e não montada, contribui para a conscientização mundial de causas mais do que justas.
O absurdo não é que a foto corra o mundo, mas que ela exista e retrate situações infelizmente reais e presentes em diversas situações, seja por questões políticas, étnicas, raciais, religiosas ou culturais.
O sofrimento de Kim nunca deveria ter existido, mas, se ocorreu, deve ser mostrado para que exista um alerta contundente de que situações como essa não podem nem devem se repetir.