09 de julho de 2026
Geral

Mais de 1 mil km de bike em prol da fé

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Percorrer mais de 1 mil quilômetros de bicicleta é para poucos. Movido pela fé e pela gratidão a Nossa Senhora Aparecida, o engenheiro civil e piloto de rali Paulo Sérgio Scapulatempo, de 50 anos, prometeu visitar o Santuário Nacional da Padroeira do Brasil após a recuperação do seu irmão gêmeo. No último dia 16, o ciclista saiu de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, rumo a Aparecida, no Interior de São Paulo, e passou por Bauru durante este trajeto.

Paulo Sérgio relata que o seu irmão gêmeo, Paulo Henrique Scapulatempo, foi diagnosticado com diverticulite - uma espécie de interrupção do intestino, que provoca infecção generalizada. "Ele ficou seis meses no hospital, sendo três deles na UTI, desenganado", acrescenta.

Cinthia Milanez
Paulo Sérgio tem tatuagem de Aparecida no braço

Então, o piloto de rali decidiu recorrer à fé em Nossa Senhora e ajoelhou-se aos pés da santa, exposta no hospital onde Paulo Henrique estava internado. No final de julho do ano anterior, o paciente voltou para casa curado. "Não precisou sequer da bolsa de colostomia, bastante comum nestes casos", revela.

Em seguida, Paulo Sérgio começou a se preparar para uma grande aventura, que se concretizou assim que ele entrou em férias, neste mês.

Entre os dias 16 e 23 de outubro, o ciclista rodou 660 quilômetros, de Campo Grande a Bauru. Para tanto, teve de dormir em oito cidades. Quando saiu do município, no último dia 24, disse que percorreria outros 650 quilômetros e teria de passar a noite em mais cinco cidades até chegar ao destino final (confira o trajeto abaixo).

Inclusive, antes de partir de Aparecida, Paulo Sérgio ficou de doar a sua bicicleta para uma criança que estuda em escola pública de lá. O premiado será quem tiver as melhores notas.

Falando em volta, o piloto de rali desistiu de fazer este percurso de bicicleta. De Aparecida, ele pegará um ônibus para Ubatuba, onde passará alguns dias surfando. Depois, irá para São Paulo e, de avião, retornará a Campo Grande. "Eu mereço um descanso. Também sou filho de Deus", brinca.

A expectativa é de que Paulo Sérgio esteja em casa até 7 de novembro, já que voltará ao trabalho logo no dia seguinte.

DIFICULDADES

Embora o piloto de rali esteja acostumado a andar sobre duas rodas, confessa que não é muito chegado à bike. "Se eu prometesse que faria este trajeto de moto, não seria um sacrifício e a promessa não faria sentido algum", argumenta.

Além de não estar familiarizado com o veículo, o ciclista enfrenta outras dificuldades, como o calor, a dor nas pernas e, claro, o medo de ser atropelado.

Para amenizar a situação, Paulo Sérgio viaja equipado com roupas especiais, que transpiram "junto" com o corpo, e com a chamada Camel Back, um reservatório de água com capacidade para 1,5 litros do líquido.

O ciclista optou, ainda, por pedalar apenas durante o dia, das 5h às 11h, ou após as 15h. O intuito é garantir a segurança e fugir do sol forte.

O trajeto só de ida de Campo Grande a Aparecida totaliza 1,3 mil quilômetros, que serão percorridos no decorrer de duas semanas, já que Paulo Sérgio viaja aproximadamente 70 quilômetros por dia.

'Me sinto em casa'

Paulo Sérgio Scapulatempo afirma que esta não foi a primeira vez em que esteve em Bauru. "Já vim a um casamento e o meu irmão mais novo trabalhou na cidade. Me sinto em casa", narra.

Além disso, ele destaca a forte relação do município com Campo Grande, onde vive. Paulo Sérgio lembra que os Estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo são ligados pela ferrovia pertencente à extinta Noroeste do Brasil (NOB).