10 de julho de 2026
Nacional

Poupança volta a ser atrativa e já cresce em Bauru após estagnação

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Aceituno Jr.
Maria Rita Yamamoto tem poupança desde 1976; economista João Pedro Coneglian sugere a opção para investidor conservador

Depois de quatro anos praticamente estagnado, o saldo em caderneta de poupança voltou a crescer neste ano em Bauru. Segundo dados do Banco Central, o acumulado em julho deste ano era de R$ 1,864 bilhão, representando aumento de 13,6% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando o total era de R$ 1,640 bilhão.

O valor de 2017 é próximo dos registrados entre 2014 e 2016, em que o saldo oscilou na casa de R$ 1,5 bilhão e R$ 1,6 bilhão. Para especialistas ouvidos pela reportagem, a alta tem forte relação com a superação do momento mais crítico da crise econômica do País, com boa parcela da população voltando a ter condições de poupar.

"Outro aspecto é que passamos por anos de muita insegurança e as pessoas - ainda assustadas, inclusive com as incertezas ao longo deste último processo eleitoral - procuraram manter algum dinheiro aplicado, principalmente em modalidades de baixo risco, temendo alguma emergência", analisa o economista João Pedro Coneglian.

A alta do saldo na caderneta é um resultado a ser comemorado, sendo que na última quarta-feira (31) foi celebrado o Dia Mundial da Poupança, data criada para estimular a conscientização sobre a importância de reservar recursos para o futuro (leia mais no Caderno Economia & Negócios). É uma prática que a aposentada Maria Rita de Cássia Aria Yamamoto, 61 anos, conhece bem.

"Eu tenho caderneta de poupança desde que comecei a trabalhar, em 1976. Com disciplina, sempre guardando um pouquinho a cada mês, consegui, ao longo destes anos, comprar casa, trocar de carro e eletrodomésticos, como geladeira, por exemplo", detalha.

Felizmente, Maria Rita não precisou lidar com imprevistos, como problemas de saúde ou desemprego, mas sabe que teria uma boa reserva que a livraria do sufoco imediato diante de qualquer transtorno. "Hoje, a poupança não está rendendo como antigamente, mas, pelo menos, a gente não está perdendo dinheiro. O que foi guardado está lá, no banco, para qualquer necessidade", pondera.

SIMPLES E SEGURA

Aceituno Jr.
João Pedro Coneglian, economista

De fato, a caderneta de poupança, "queridinha" dos brasileiros, está longe de oferecer os melhores rendimentos. Por outro lado, é uma modalidade que apresenta baixo risco e não demanda muito conhecimento em economia, sendo indicada, especialmente, para os pequenos investidores.

Em 2018, um agravante é que a taxa básica de juros, a Selic, vem sendo mantida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) a 6,5% desde março deste ano, o menor valor da história. E, quando a Selic é igual ou menor que 8,5%, a poupança passa a render 70% da taxa básica mais Selic mais TR (Taxa Referencial), cujo valor é ínfimo.

Se estivesse acima de 8,5%, renderia 6,27% ao ano mais TR. Com a Selic em 6,5%, o rendimento fica em 4,55% ao ano mais TR, percentual bastante parecido com a estimativa de inflação para este ano, de 4,43%. O cenário implica em uma perspectiva de ganho real anual abaixo de 0,5% - melhor, porém, do que ocorreu em 2015, quando o rendimento real ficou negativo e os poupadores, literalmente, perderam dinheiro.

"Com os juros baixos, a tendência é que os investidores optem por modalidades de investimento mais agressivas, como em renda variável, mas que representam maior risco. Para o investidor mais conservador e que não domina muito o assunto, pode não ser a melhor opção", destaca Coneglian.

RENDA FIXA

Os fundos de renda fixa, em algumas situações, podem ser ainda menos vantajosos já que, diferentemente da poupança, sobre eles incidem cobrança de imposto de renda e taxa de administração. De maneira geral, quanto menor o prazo de resgate e maior a taxa anual de administração, maiores as chances de as aplicações de renda fixa compensarem menos do que a poupança.

"Uma alternativa é o tesouro direto (títulos públicos que podem ser comprados por pessoas físicas), que rende praticamente o dobro da poupança, mesmo com o desconto de imposto de renda. O risco também é baixo e trata-se de um investimento de renda fixa bastante simples, principalmente se a pessoa recorrer a uma corretora", opina.