08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

35 anos sem Gasparini!

Antonio Pedroso Junior, o Chinelo
| Tempo de leitura: 2 min

Quem conheceu e conviveu com o ex-vereador e ex-prefeito bauruense Edison Bastos Gasparini custa a acreditar na verdade daquilo que se encontra anotado em suas fichas na polícia política da ditadura militar. Com seu bens medidos, 1.50 de altura, o baixinho era considerado de alta periculosidade pelos agentes da repressão e, na realidade, talvez sua decantada subversão fosse nas palavras, no discurso veemente em defesa dos interesses populares. A luta contra o então monopólio da saúde em nossa cidade, no final dos anos 50, início dos anos 60, que lhe rendeu ameaças de agressão, dentro da loja de calçados Tic Tac, que somente não foi concretizada pela presença de Zequinha, Geraldo Scarabotto e Ivan Gibin de Mattos.

A luta constante pela organização popular, incentivando a criação de associações, sindicatos, onde o povo organizado pudesse combater aqueles que o oprimiam, negando-se inclusive a pagar o salário mínimo legal para as mulheres trabalhadoras, com o grande industrial bauruense afirmando que mulheres precisavam somente de dinheiro para comprar pinturas e um vestidos, para desta forma se casarem.

Esta defesa intransigente de Gasparini dos interesses populares, o elegeram por 4 mandatos para vereador. Em 1968, a candidatura tão-somente foi liberada às vésperas da eleição e mesmo assim ficou na primeira suplência do então MDB, exercendo o mandato quase inteiro, por licenças dos titulares. Todo este trabalho acabou elegendo o companheiro como prefeito de nossa cidade em 1982, cargo que praticamente não exerceu em virtude de insidiosa doença que o levou a óbito aos 49 anos, não podendo colocar em prática seus projetos para a melhoria e humanização de nossa cidade.

Assumiu seu vice, o então desconhecido professor universitário Tuga Angerami, criticado no início por muitos e que, entretanto, resgatou várias das bandeiras do saudoso companheiro, principalmente na área cultural e da saúde pública. Era um aficionado pela cultura e certa vez, emocionado com a apresentação de uma orquestra sinfônica na Praça Rui Barbosa, doou um violino para que servisse de embrião para a orquestra bauruense. A orquestra não surgiu na época e não temos notícias do paradeiro do instrumento. A partir de 1983, a cultura bauruense se agigantou, com o CAC - Conselho de Ação Cultural -, Casa da Cultura e Teatro Municipal.

Com a implantação dos Núcleos de Saúde, o secretário David Capistrano encontrava dificuldades na contratação de médicos, acabou por publicar os editais na grande imprensa e profissionais de várias localidades se candidataram as vagas abertas, rompendo desta forma a "reserva de mercado" tão denunciada por Gasparini e que levou um grupo dos "homens de branco" a tentarem agredi-lo. Completamos 35 anos sem sua presença, período em que sua sapiência e defesa intransigente dos movimentos populares fez muita falta e com certeza continuará fazendo. Gasparini, sempre presente!